Blog da Liz de Sá Cavalcante

Me forçar a viver

Não pode forçar a viver o que já vive. Viver é o amanhã que não vem: existe no amor. A afetividade é a memória universal. O inexplorado da morte é o que sinto por ela. Emocionada mais do que a emoção. Felizes são os momentos que tornamos felizes. O sonho da alegria é não saber para que o real existe? Grudar pele na pele. Corpo no corpo ser um só: isto é real. Não existe um significado para o sensível. Tudo é o que pode ser. Basta um olhar e há vida. Vida maior que a vida. A recordação não tem imagem. Lembro na minha imagem de Deus. O infinito é a imagem que posso dar aos meus olhos sem saber como ver a imagem. Vou aprender. O amor é diferente do amor? O que torna o amor um ser? O amor é a evolução da vida tão impactante, tão profundo que o olhar se aprofunda e me diz para amar ainda mais, até na saudade de mim. Posso apenas ser amor. O sempre não separa, une e tudo é tão sagrado quanto amar. Amo agora na força do amor.

Mar de mim

Quer amor? Olhe para o mar viver. Olhe para o mar. Dormirá unida ao infinito na paz de Deus. O dormir infinitamente das rochas preenche o mar de despertar o mar. Não tem faltas, queria ser a presença, a eternidade do mar, mesmo que isso me faça me esvair de tanta vida. É vital ser feliz. O mar está em mim como estou no mar. Inseparáveis em sonhos. Estou como o mar e isso é esclarecer tudo que sinto, toda poesia, toda emoção, tudo que vivo: o infinito.

Surgir

Não existe o momento para chorar, apenas se chora no sim do amor. Tudo é generosidade do amor. As ilusões duram mais que o real. Ilusão é não aceitar o sonho como sonho. Surgir é mais que sonho. O pensar exterior à vida toma conta da vida olhando estrelas e a vida sente a sintonia das estrelas num carinho especial, carícias da alma. Ondas elevam o céu mais alto do que se pode vê-lo. Vejo-o dentro de mim. Quando o céu chora, se sente, admira, cresce em nós num amor enorme. Deus não impediu o céu de chorar de amor. Deus chora com o céu, tentando salvar todos e a vida, no amor.

Amor se sente

Nada vive o amor. Nunca se entende o amor. Amor é sentir o que tiver para sentir. A mesmice é morrer no amor que me sente. O amor me vê como seu amor, sua infinitude por mais que eu morra um dia.

Alegria

Não há incômodo em morrer, nem a saudade de ser alguém. Há vertigem de ser, uma lentidão da alma. Infelizmente a minha alma luta inútil em não morrer. Meu amor ainda a quer. Incomum a morte, todos morrem um dia. Minha alma serviu à vida ao amor nem é considerada alma mesmo viva. Eu considero minha, penso nela, escrevendo para morrer feliz.

Segredo da vida

O que esconde a vida do viver? A vida não se perde em viver, mas tem medo do viver. Ser mais que ela. A vida quer ser tudo. Não pode. Por isso todos morreremos um dia.

Imemoriável céu

Céu, me desperte da vida e faça do meu despertar teu céu. Apenas o céu sabe esperar por mim no seu adeus sem memória. Para mim, céu, você me deixa vazia. Queria tanto de mim. Quero apenas ser. Talvez isto não seja vazio. Seja um resto de poesia em mim, que perdoa o que não pode ser escrito, banido porque não era amor, eram apenas as árvores a balançar e o tempo me esquecendo onde sou livre, na minha poesia. Eu fui poeta por um instante para respirar um pouco. O que não existe em mim é mais importante do que respirar, viver.

Luz dos meus olhos (Para Pai)

Como se diz alma para uma alma muda, por isso cheia de palavras. Palavras que não cabem na voz, no amor, nem na poesia, nem no adeus, nem no ficar. Eu direi adeus em poesia no ficar da eternidade, na sombra do ouvir, na lua que se derrama em sol. Sou a vida que me fez nascer. Sou o rastro do sol, como música dentro de mim. E o dia nasce comigo. Teu sol, meu sol. Minha vida, tua vida. Nosso amor, arte, obra de Deus. Vou te amar eternamente, mesmo que perca a alma. A poesia sou eu sempre a amar. Não sou só, vivo por ti. Isso é tudo em minha vida. Vida que dedico a você. Você é mais que sol. É a vida que todos gostariam de ter. É a poesia que nasceu comigo. Nunca pode ser apagada ou reescrita. É a poesia que amo sem escrever. Ela veio a mim. Eu te vi no meu nascer mais do que poesia? É amor. Não preciso ver mais nada. Esqueço a vida ao teu lado de tanto amor. Falam-se os olhares.

Estímulo

Se me estimulo, é morrer como uma sensação não sentida. Morrer é tirar toda sensação para não terminar em morrer. A vida nunca chega à sensação. A sensação boiando em mim. Meu corpo é a eternidade nunca sentida como eternidade. Nada é deixado para trás, mesmo na sensação. A sensação é ver distante de tudo, até da vida, do ver comum. É um ver espiritual que nenhum ver sabe ver amando como ver espiritual sabe. O despertencer é a vontade de viver. Comecei a falar por mim no ver que não tem explicação. Mistura-se, vê e fala e nasce o ser. Traduz a fala como se já tivesse vivido. O olhar é sempre fala, por mais que exista a fala. A fala que se fala sempre é a do olhar, mesmo que sendo imperceptível a fala. Mas o ver é a fala inteira. É o meu sorrir no ver entre sombras que vêm da sombra. É o vínculo sem espera. É olhar para outros olhos e sentir tudo de novo, sabendo que vale a pena. Nada é melhor na exatidão da vida do que olhar para alguém, me sentir inteira e viver quantas vezes for possível, até esquecer a morte, como se não existisse. Lembro apenas de ser feliz.

Idealizações

A doçura é um desencanto que faz sorrir como uma lágrima de Deus, desgastada como vento. Sofreguidão de morrer sem esperar o infinito no céu, abandonado no infinito não é amor. Amor não precisa ser infinito. Isto é idealização do viver sem mim. Querer viver é mais do que viver. E, assim, há plenitude na maresia da alma. Tomar o sol como a divindade multiplica Deus num sorrir que detém o medo de envelhecer. Envelhecer é não sorrir. A juventude é a alma tecendo palavras alheias ao pensamento. Sou alma sem precisar de nada. Eu não quero passar a vida tecendo pensamentos. Sou pura alma. Alma do desnascer, como a alma de um silêncio de amor. Compreende o que não disse. Eu vivo quantas vezes for se o amor precisar de mim. Eu amo o que vier do amor, mesmo não sendo como sonhei. É o amor que cura. É inevitável a morte de um amor. Vivo em mim. Tudo morre, até o amor. Eterno é o sussurro do vento. É captar os outros na minha memória, que é o meu adeus. É o extravasar da eternidade, onde vou com o vento para algum lugar perdido em mim.