A doçura é um desencanto que faz sorrir como uma lágrima de Deus, desgastada como vento. Sofreguidão de morrer sem esperar o infinito no céu, abandonado no infinito não é amor. Amor não precisa ser infinito. Isto é idealização do viver sem mim. Querer viver é mais do que viver. E, assim, há plenitude na maresia da alma. Tomar o sol como a divindade multiplica Deus num sorrir que detém o medo de envelhecer. Envelhecer é não sorrir. A juventude é a alma tecendo palavras alheias ao pensamento. Sou alma sem precisar de nada. Eu não quero passar a vida tecendo pensamentos. Sou pura alma. Alma do desnascer, como a alma de um silêncio de amor. Compreende o que não disse. Eu vivo quantas vezes for se o amor precisar de mim. Eu amo o que vier do amor, mesmo não sendo como sonhei. É o amor que cura. É inevitável a morte de um amor. Vivo em mim. Tudo morre, até o amor. Eterno é o sussurro do vento. É captar os outros na minha memória, que é o meu adeus. É o extravasar da eternidade, onde vou com o vento para algum lugar perdido em mim.
