Blog da Liz de Sá Cavalcante

Espírito

Primeiro a consciência, depois eu. As minhas faltas vêm antes. Nascer o meu adeus, o meu espírito. A vontade é maior, superior ao ser. O devaneio da fala é respirar. Respiramos unidos no isolamento de nossas almas, onde não precisa ser perfeito. Isolar apenas precisa ser leal. Nem sempre ficar é amor, às vezes é preciso abandonar quem me abandonou. Não tem forças para amar, apenas ser é difícil para todos. Amar é arte. A concretude é o abandono. Vivi nas asas da liberdade. Ela não é livre, não age, nem ama. O espírito é a prisão da liberdade, onde o amanhecer é exclusivo da liberdade. A maior liberdade é deixar faltar as mãos por vontade própria. Escrever com o corpo, com a mudez, com o amor, com a ausência, com a vida, comigo sendo sempre eu, a luz que ilumina nunca anoitece.

Intuição

O ser completa a morte. A morte é a intuição para virar saber no ser. A intuição é o saber do amor, é ser, no outro, o que sou em mim. Amor é paciência de viver. Abraços se falam mesmo sem se ver. O incomunicável fala no amor, no abraço. Tristeza é sonhar num abraço. Nada é melhor que um abraço, é sair de mim, ser um pouco o outro. Reviver o amor até no nunca vivido, no que não existe. Sonhar é vida, não atrapalha o abraço, torna-o melhor. Quero tudo que o amor puder me dar. Amar é não sofrer por lembrar de mim e fazer de mim um pouco vocês, para eu sorrir. Sorrir é como alma, como ter alguém. Tenho muitos que me amam. É tanto. Ver é amor. Estar viva é amor. Falar “te amo” é o suspiro, o respirar do amor. Amar é ter mais amor e menos corpo. É nunca idealizar pois o amor é perfeito por ser amor, encantamento. Grata a todos, a Deus, à vida, à poesia. Reconhecimento é morrer. O amor é uma rosa que não morre. O amor é não necessitar do espelho. É ver, amar além de mim, onde abismos criam vida. Morte se torna vida no amor. Apenas o amor salva e me arrebenta de amor, me arrebata, me conclui. Ler a alma é não amar. Precisa ser uma surpresa sempre. Cada presença é como uma nova vida em mim. Outra oportunidade de amar, viver. Sinto na pele a pele de todos mais amando do que na lembrança. Continuem em mim. Escrever é dar amor às palavras, à vida, ao Sol, à lua, ao arder, às recordações. O amor é a aparência da consciência. Não há um instante sem amor. Amar refaz a pele dentro do ser. Amor é pele que sustenta o corpo. O amor é carente de mim e eu dele. É mais infinito que o mar balançando a alma de mar, amor, maresia.

Inteireza

Além de mim, existe eu. Eu e mim mesma, somos diferentes, nós nos completamos. Para me completar e meu eu também, preciso esquecer que a vida existe, que o amor existe, e tudo se sustenta. Essa inteireza, só esquecida sem amor, é sobreviver até na morte, na alegria, no inesquecível.

Antes

A consciência não é real, é o que foi rasgado na poesia, torna-se real. Sobrevivência de amar a eternidade de cada um antes do amanhecer.

Nada separa

O tempo sobrevive ao seu adeus, ao antes e depois dele. O adeus sabe se dar sem lágrimas, mas com uma dor profunda, um dilaceramento do espírito que desafoga a alma, faz viver inutilmente. A alma se apega a mim para ser só. É como fazer das tripas coração, das entranhas, morte das vísceras. Vida, mas vida esquecida, vida de palavras, solidão, única vida. Chamo o Sol, que não vem. É como se fosse inverno e eu esquecesse todo o calor humano, esquecida com o inverno, até que a morte nos separe.

Antes

A consciência não é real, é o que foi rasgado na poesia. Torna-se sobrevivência de amar a eternidade de cada um antes do amanhecer.

Proteção

A proteção é tudo que sinto num abraço que se mistura com vida, com o respirar entre nós no arder da saudade. Estando junto, quero me misturar com tudo, do esquecimento ao ser, do desamor até o amor, mas não dá para respirar. Ser e vida na união de Deus. Rir, chorar é toda a humanidade o amanhecer poético da espera. O tempo é um detalhe no amor? Amor não é o tempo que temos, é o tempo que talvez teremos. Não se enterra o amor como se enterra o mar.

Meu amor

O ser é apenas uma coisa, é um largar que se completa, almas gêmeas do nada. É preciso inventar o ser de uma coisa. Deixa o céu ir adiante buscar sua dimensão e o fazer sorrir na eternidade do meu amor.

Suspirar

O invisível vê o que quiser em mim. Sou sua visibilidade. Aparece entre lágrimas de amor, onde a imagem é um suspiro. Navego estrelas e as vi sempre quando estão comigo. Eu aproveito, me deleito só.

Identificação

Será que apenas me identifico com a morte e o perto é invisível. Como um céu todo em mim sem ser meu. O espelho me escuta além do escutar e isso é dizer sim à vida por um espelho, onde todos vivem em mim. A distância aumenta o amor de quem ama. Amor é a única realidade. Não há profundidade sem amor. O amor é possível no acreditar. Acreditar nasce do amor. O amor nasce só e dá amor a todos nós. Morrer é não amar.