A vida está sempre por vir. Nem vem nunca, eu vou até a vida e, quem sabe, o abandono. Seja menos duro com a vida. Sobrevivo. Sou sobrevivente do fim, e recomeçar é ter perdido tudo. Sempre perco. Enfim, eu.
Perdas e reviravoltas |
Perdas e reviravoltasA vida está sempre por vir. Nem vem nunca, eu vou até a vida e, quem sabe, o abandono. Seja menos duro com a vida. Sobrevivo. Sou sobrevivente do fim, e recomeçar é ter perdido tudo. Sempre perco. Enfim, eu. |
Do ventoA eternidade cessa na poesia. Eu eternizo a poesia sem eternidade. A eternidade é um luar do vento. Eu penetro em mim como se soubesse ter pele. A ansiedade é como uma força poderosa contra a monotonia do desprezo. A ansiedade é a busca, é a exatidão da vida. Horizonte, fim do sol, minha pele. Penugem do amor, sombra de sonhos como consciência. E, em vez de dormir, faço-me sol para minha consciência apenas em me ver sem eternidade. Não há fim, não há morte que dure no meu corpo de sonhos. |
Sorrir da poesiaO meu ficar é o sorrir da poesia. Poesia que paralisa meu corpo, me faz sonhar o derradeiro fim. O fim esquece, quem é esquecida não esquece que foi esquecida. Nada é tão forte no olhar como ausência. Confiar é sério demais. As flores confiam em murchar, em se tornar outra coisa entre o céu aflito e uma saudade. Prefiro o céu aflito como o interior da saudade. Abraços que me abraçam. Fazem de mim um abraço ainda melhor do mundo. Viver é ir perdendo tudo como um nada sem nada. Enfio a alma nas flores, mas andar já é ter um rumo. Eu sigo o olhar, não a intuição. Olhar é amor. O que foi nascer senão um desnascer em mim. Nasci antes de nascer rumo aos teus olhos em escadas de saudade. Saudade de alma eterna rompe meu cordão umbilical com a vida. Não devo deixar-me morrer, nem por ser feliz. Posso ser feliz só. |
RefletirA alma ne sempre traz união. A alma nem sempre é da alma. Às vezes, conversar é mais do que alma: é viver. Escrevendo, tudo acontece de especial. Quando o amor vem, me ressuscita onde a morte é um espelho que não me reflete. |
Quero ser felizÀs vezes, o inesquecível me toca com mãos invisíveis. Sinto-me lembrada por um cheiro, uma palavra, um tocar eterno, distante. Vejo que estou certa por amar. O que tiver que ser será. Deixo nas mãos de Deus não ser esquecida. |
O futuro da vidaFalar é o futuro do ser amanhecendo para mim. Sombras abrangem o mar. O mar de sombras evoluindo o nada. A solidão num mundo mar. Assim que não exista separação e tudo, todos serem iguais e valorizados. Não existe ninguém. Cada um tem seu valor. E, se não veem o meu valor, eu vejo quem não percebe. Não percebe o que perdeu. |
SombraOs olhos desaguam na alma como um contraste entre o ser e o nada. A música sente, não canta. É a mesma vez, a mesma partida repartida no amor e o meu respirar não me salva, não me estimula, torna-me vazia para viver o que a vida não é para mim. Tantos sonhos se tornam entulhos. Mágoas são saudades inesquecíveis da invisibilidade do meu amor, do que ainda necessito chorar por amor e não posso. Sempre sinto saudade, mesmo perto. Perto não existe em estar só. Estou no absoluto da solidão. Reparo como é triste ser eu, esquecer de mim para sobreviver à indiferença da vida. Às vezes, estar só é apenas não morrer e o imenso vazio se desfaz em morte e a minha solidão é a sombra que encobria a morte. Agora que morri, me libertei. |
O que faltaÉ, para mim, fácil botar a alma na poesia. Na escuridão do meu ser nunca vim a mim, mas eu sou eu. Mesmo que não queiram, nem eu sei como estou viva. Deus quis. O ar que me falta é amor. |
Luz da luzLuz da luz num túnel de flores onde as flores falam como se eu estivesse aqui lutando entre as estrelas e a escuridão num céu criado por mim. A minha solidão não precisa ser perfeita, nasceu poesia. Eu me criei dentro de uma poesia, onde a vida se foi numa poesia. Triste despedida, reencontro? Começo? Sei que meu olhar termina no mar, como um mar envolto em meu amor. Sensibilidade é morrer, razão do nada existir. Eu sou o amor do nada. Não sei o que fazer de mim, o que vai ser de mim. Palavras dormentes de poesias até meu próprio amor. Minhas poesias estão dormentes. Quero dormir numa morte como bússola. Não sou um verme, algo contagioso. Quero ser pele, tento. Tenho feridas, não pele. Me desoriento com o desprezo. Eu queria me rasgar inteira. Assim, lembrariam de mim. Este me rasgar inteira, luz da luz. É que tudo parece perdido. Meus olhos, solidão que nunca ninguém vê. Precisa me sentir para me ver. |
Ir alémIr além da realidade de ser, sentir o que é real no cessar dos olhos. É o modo natural de ser, como se o dia precisasse do sol. Não há presença, é sem o dia. Eu aproveito cada instante, como um ar refeito de dor e eu sentindo a pele se desfazer de lágrimas. Coração é luz que clareia minha imensidão. Seja morte, dor, alma, morte ou adeus. Ir apenas, ir perdida em algum amor por mim. O espírito humano é a minha linguagem. Enterneço de amor. |