Blog da Liz de Sá Cavalcante

O poder do sonho

Sonhar...

A imaginação é Deus sem me sentir? Vejo a inspiração em ver a alma, como um colo numa intimidade imediata. Aconchego é meu amor sendo demais para mim. Olho a alma, esqueço a vida, não como a alma e sim como morte. Amplio meu amor tanto que é inacessível, inexplicável até para mim. Parece um sonho de querer viver pela minha alma.

Corpo a corpo em mim

Pouco ficou da poesia, do encanto suave do corpo no chover da alma, no aumento do sofrer. Sofrer é ter corpo, pele, apenas para ter esse momento de amor, de ser amada. Posso morrer, não vou perceber.

Minhas palavras decoro para sempre

Decorar cada palavra é viver cada vez na palavra e menos na vida. Apenas eu posso me amar como me amo. As palavras, minha vida, heroína, me deu vida, luz, a embalar o céu em braços de luz, ausência eterna. Os braços da escuridão, firmes, leves, soltos, alegres, finitos. O morrer das mãos é poesia. Dure o que durar, isso é ser eterna, feliz. Mesmo na alma sou eterna. Em mim, sou mais que eterna. Sou a tua vida, amor, numa suavidade do alheamento do corpo, descendo da alma para o que não se vive. Não facilita, se despede sem viver num sol. Única vida onde tudo se quis de mim mesma. Quero apenas desmontar torres, castelos, precipício, quero apenas ser feliz até o fim.

O extraordinário

Vivemos pelo extraordinário, para nos termos. Mas nem o extraordinário é vida. Vida é soprar eternidades vazias como o início de mim.

O amor da vida

Não salvo a mim nem a vida com minhas palavras frágeis. Apenas dependo delas como o ar a penetrar a vida que não tenho, mas o meu ar, meu instante de paz. Se eu quiser uma estrela, é preciso ter paz.

Singeleza

Queria ter a singeleza da morte de partir no silêncio sem alma. Sem criar, sem amor, até pensar em pensar. Suspiro em mármore de sol para aquecer o vento e suspirar o insuspirável e destituir o céu no arvoredo de saudade pela saudade que falta: a de ser.

Como negar

Viver sempre, viver no olhar, no fundo do mar. Não se pode negar o olhar no raso de encontrar a alma sem nem mesmo num único instante. Por isso eu admiro a alma sem amor.

Insaciável

Insaciável é não estar? É um cansaço insaciável o amor. Insaciável é não ter amor? Sentir é a vida ao morrer. Morrer é sentir a tempestade como sol.

A inteligência da reação

Reagir é um lugar perdido na consciência para criar a inteligência da reação. Fantasiar o nada não é o nada. Nada tem a acessibilidade humana como o nada. O nada dá atenção, é vida. A procura, a ausência é inteira. Um livro está no que sinto, no que me faz amar. O amor é apenas certeza de viver. Pousando para a vida me sinto estrela nas ondas azuis do céu. E assim a eternidade é apenas um suspiro no meio da noite.

Estrela

Se existem estrelas, para que existe ser? Ser é falta de estrelas, do iniciar, do encerrar algo. A aparência é desaparecer na aparência para desaparecer com uma estrela. Cessou o tormento da aparência. Nunca vai ser um ser. Estrelas que se vão na ponta de uma agulha.