O existir vê o ser, o vê-se vê na adoração da alma. O nada é vê sempre. Sempre é a permanência que será um mundo, um dia. O exterior é o fim do mundo na permanência do ser. O vê assusta a vida. Nada se resolve com dor, nem sem dor nada se resolve. O corpo, partindo-se em almas, dilacera o mundo. O infinito atenta ao olhar que falta ao mundo. Vou escrevendo no meu desaparecer e faço desaparecer o desaparecer, e tenho a lucidez de um sonho. Sonhar se conhece; o ser nada é, mesmo se conhecesse o sonho é como esquecer. A pele dentro da alma é sorrir, mesmo no adeus.
O adeus é a importância da vida: renunciar ao que não sou. Assim, renuncio também ao que sou. O sentir, o amor, o partir da alma para o triste, para a coerência. A coerência do fim é um começo de vida. Minha alma encruzada é a vertigem da vida. Desacostumada a viver, não tenho vertigem: tenho amor. Estes são impactos a remover em cinzas, para amar na morte e criar uma pele para Deus, unindo a pele divina à pele estragada por amor. Eu uni meu corpo à alma. Fiquei sem pele dentro de um adeus alheio na pele. Apenas um suspiro fundo de quem aceita o adeus como uma segunda pele.