Eu desconfio da minha liberdade de ser feliz. Será essa a minha única obstinação. A lua torna-se mar no silêncio do nada. O mar é minha sombra. Busco o não querer: a morte. Buscar sabendo não me encontrar. Me encontrará nos restos do nada. O nada é feliz como uma estátua. Meu amor me tritura. Mesmo assim é leal a mim. Me identifico com o nada pelo nada. O nascer nasce na falta. O nascer é sujo de alma. É presença. Não precisar de alma. Danifico-me na alma, o porão do amor. Na beirada do olho, o ver vê meus olhos como quem confia. Eternidade é confiança. Desmaio na confiança da morte. Estou no coma do luto. Não posso reagir ao que sinto, pois minha aceitação é me sentir. Me sentir é morrer. Luz são carícias no ver. Lutei para as estrelas não cessarem no céu. Me poupem de amar, de ser eu. Sei a vida de cada estrela. É um consolo de mim, da alma. Me ensinem a viver e serei infeliz. As estrelas cessam no meu cessar e o abandono fica abandonado nas estrelas que deviam estar no céu. Seguro o nada nas mãos como se fossem o céu nas estrelas. Não há o que fazer. Se a linguagem fala apenas na morte, melhor solicitá-la para morrer. Espero a sua colaboração. Não falei para morrer, mas foi necessário.
Obstinação |
