Amar é ficar devendo amor à vida. Acreditar no adeus é fé, é nostalgia de fé. Sair de mim é o adeus do amor na fidelidade do nada. Sentir a fidelidade do nada é ser mais uma vez.
Obstinação |
ObstinaçãoAmar é ficar devendo amor à vida. Acreditar no adeus é fé, é nostalgia de fé. Sair de mim é o adeus do amor na fidelidade do nada. Sentir a fidelidade do nada é ser mais uma vez. |
A indiferençaIndiferença é fazer do desprezo a coragem de subir montanhas, de olhar o Sol na noite do coração. Sensações devolvem o amor. Sensações são o universo. A poesia é a minha própria sensação sendo a vida de alguém e o meu amor. Será o que me faz morrer? Apenas em um instante de adeus? Nem a espera infinita fere mais que morrer? Desprezo fere menos que a espera. A espera nasce do amor, pelo desprezo. Desprezo é mais do que morrer. |
O não existir é sair do abismo da saídaO que faço com minhas mãos na alma? Ser ausente? O que resta da vida sem minhas mãos na fragilidade de Deus? Como amar a vida se tenho mãos para criar, para ser mais que a vida? O que é o meu olhar nas minhas mãos? Mãos do olhar é multiplicar a alma. Mas nenhuma alma, nem a minha pode retribuir meu olhar. Ninguém sabe onde anda meu olhar, mas sei que não está perdido. |
Amor é saudadeA falta que faz o amor é amor. Por isso, nada é saudade. Se é amor, o sonho existe depois da minha morte. O céu tem que sair de dentro de mim. Céu é Deus. Podem nadificar o céu. Deus é o sempre de viver. Deus é o agora, mas é também os instantes perdidos. É a calma no desespero. É conseguir perder com amor, a ter saudade. É o fim de Deus. Amo o que é para mim. O que falta ao amor é o amor. No amor, minha alma me falta num amor ausente, que é como tirar o Sol do Céu. O céu sem o Sol é o amor do amanhecer. A luz acaba, o ver não acaba. Ver é o sem sentido que necessitamos no olhar. O sentido da vida é não ver, é ver com a fala. |
Meu eu não existe em mimMeu eu não existe em mim. Por isso me dou o direito de viver, pelo eu inexistente em mim. Pode me trucidar, me esmagar, mas sempre te amo. Não pode me impedir. Mesmo sem existir, te amo. Não tenho medo de morrer, tenho medo de te perder. O Sol deixa de te amar, morre. Eu ressuscito. |
O Sol em mimA deficiência de mim é viver, existir. Viver, se o Sol já vive. Viver é mágoa do passado sem vida. Eu não preciso de um passado, mas do seu amor. Não reagir ao extremo. Fico vazia? Por que tenho ansiedade? Por justiça, sinceridade, amor. A única coisa que me escapa é o vento. O máximo da existência é sofrer. O mínimo de existência é ser. Apenas o não ser faz o ser viver. Incluir-me no meu ser para sentir o fim. É ter a noção da minha tristeza, é a dor da vida eterna. Assim vejo, não sou deficiente, sou só pelas maldades da vida, das pessoas. É urgente ter amor. O amor é uma vivência incomunicável. O amor é enorme demais. É tão bom que tenho medo de ser amada. Não basta sonhar com o amor. |
Presa no amorA vida é perfeita no amor. O desencontro pode ser amor. A ilusão é a falta de amor. O ser se torna sua ilusão, sua carência, seu mundo interior, que são sobras do exterior. Minhas lágrimas choram sem mim. O ser e o não ser são o mesmo no sentimento. A saudade é o recolher um pensamento pensando. O fim de tudo é o existir. Quase morta, realizei me sentir viva. |
RealizaçõesQuando a morte vier, nada vai faltar. Tudo a se realizar. Semear o ser em mim, apenas em morrer. Morrer de um abraço é uma realização que ninguém quer ter. A morte se realiza com minhas desgraças. Ninguém quer morrer, quer ser ausente, quer ser lembrado como ausência. |
Metade de mimMe leva contigo no teu desespero. Não posso viver sem o desespero. O silêncio é a voz que não fica muda, traz teu olhar para tua realidade, leva o meu olhar como se fosse eu. Sem mim meu olhar não se perde, é imensidão. Me leva sem a metade de mim para eu ser uma pessoa na poesia da vida. Metade que se foi é o esquecer na minha eterna lembrança de mim. O ser morre e fica a minha lembrança a substituir o ser. |
Laços de ternuraA minha ternura me faz lembrar de mim, para ter forças para amar. Morrerei do meu amor como a sombra se misturando com o Sol. Morrerei como um laço de ternura construído como um ser além do ser. |