Sinto a alma para evitar a dor, mas a dor vence a alma. Ninguém ama o dia depois da alma. Alma por alma e eu em mim, sem ser por mim. Se eu tivesse um adeus, eu seria eu. Sou mais que vida que morre. Sou alma que desatina de amor. A vida começa agora e eu já existia, distante como uma rocha no vento como despedida do amor, do perdão, da ausência. Ausência é perdão e o coexistir é vida. Minha alma é tua vida. Te dou, vida, a alma sem saber como foi. Nada é nada. Tanto a sorrir, nada para viver, apenas a loucura é eterna, visível e imperceptível como uma meia sombra, espectros do amor da morte. Nada me diria do que amo, apenas eu sei. Essa moleza, desânimo emotivo na luz do dia. O que vai ser da morte sem mim? Em mim? Tem morte que não escuta o que sou. Escutar é se desconectar da vida, do mundo. Pertencer a mim é destino, viver, amar. Mas que culpa tenho de ser feliz? Amar, mesmo considerada louca de amor. Renascer é vida dupla. Voltar não é viver. Viver é nunca estar onde estou. Poematizar um poema é fim de um poema? O que quer o poema? Morrer como morri. O poema obedece. Cristal de céu, morte no deserto. Me misturo com a morte. Não sobra nenhuma de nós duas. O ventre escolhe o que resta de nós. Nem o tempo foi essa escolha, nem Deus: escolheste o nada.