O amor é muitas coisas, tem a aparência que eu quiser. Estou a dormir melhor. Vejo melhor nos meus sonhos. Não posso interpretar meu sonho, apenas durmo, encolhida, coberta de sonhos. Ir além da morte, dando vida ao meu corpo. O adeus se despede em Deus no seu adeus. Saturar a alma, transbordando o espírito. Enchida de alma, furo a alma no buraco da vida e meu corpo me fura, e o tempo passou em um furo. Sinto que os dias da memória são apenas objetos. Mãos são seres espirituais, vêm do céu, do intocável. Eu vou partir. Nada se diz com um adeus. Apenas flores se falam no adeus, mastigando-se, desgastam-se. O sangue sofre como água. Os meus cabelos sopram o vento, o amor. O abstrato é a grandeza, é o real da abstração da alma, é o concreto, sem o real, na profundidade do vento. Mexe em mim, a alma, sem oscilar por dentro de mim. Sou mulher de alma que escapa no vento e o túnel solitário é mais essencial do que a minha vida. Não tem saída. Eu vi a alma em mim, como cinzas. Não há amor maior do que o da dor. Dor sem morte é uma exaustão no alívio do descanso. Olhar é desejo. Ver é traição. Nada pode subestimar o ser, nem se fazer ser. Minhas mãos escapam em novelos de vida. Me desfiam em arranhar a alma. Não ajuda. Confundo-me em mim. Desisto de poesias raras, quero poesias simples: viver.
Aparência, amor eterno |
