Os instantes são vidas sem o ser. Quero apenas castelos de silêncio para não ver as palavras pela janela e fazer delas uma poesia a escorrer da alma. Choro em poesias. Viver a vida é a minha solidão.
Castelos de silêncio |
Castelos de silêncioOs instantes são vidas sem o ser. Quero apenas castelos de silêncio para não ver as palavras pela janela e fazer delas uma poesia a escorrer da alma. Choro em poesias. Viver a vida é a minha solidão. |
QuererNão sei o que é querer, sei o que é amor. Tudo se pode viver e o amor se torna também querer. Obsessão não é amor, é o que não me pertence. Luz é sempre luz, mas a luz são olhos que se veem sem amor. E se essa luz for o amor? Gratidão de viver? Remover o silêncio para ter o silêncio de mim. Me buscar na realidade é o fim do silêncio, o amor ainda existe. Amor é quando o silêncio vem como eu segurando uma flor. Minha mão se despedaça, meu ser não. O que falta ao meu ser é minha alegria, o meu amor. Sentir ou não sentir é o mesmo amor. Sentir a falta do mar na ausência como mar. Ressecar o vento no amor que sinto. O que resta do ver é saudade da alma. Encontrar respostas para mim não me faz ser. Ser é a falta de resposta. |
ApresentaçãoO céu, ao ser visto por mim, encontro a minha alegria, minha tristeza, minha vida, meu fim. Encontro-me a mim no cortante da alma. Tudo aperfeiçoa o meu ser, me faz melhor, mesmo na minha insegurança é amor. O ser se comercializa em dúvidas na clareza do amor, na rispidez de mágoas passadas. Foram elas que me apresentaram meu amor. |
EscolhasGrampear escolhas são escolhas mofadas. Ponho-as no Sol da consciência. As coisas antigas são meu compromisso com a vida, com meu corpo, na dureza da morte comigo. Amoleço a morte em consciência de Sol. Me embriago com a vida. Mesmo se eu morrer tudo é continuidade. |
Entranhas sem almaO recomeço são entranhas sem alma. Anular o que vivi para ter entranhas sem alma? Onde fica a memória no meio disso? Qual é a responsabilidade das entranhas na alma? É o esquecer absoluto. Torna Deus amor sem respingar nas estrelas. Respinga nas entranhas. Faz o sentir chorar sem mim. Engulo entranhas, não engulo o sentir. Até o substrato me ama, como se meu amor fosse poeira ao vento, na sensibilidade do infinito, onde o adeus é a suposição de ser eu no sentir do infinito. Nada chega até a lembrança ao meu ser sem o infinito. O que muda no céu são minhas lembranças. |
O que há por detrás dos meus olhos?O que há por detrás dos meus olhos? Alma é o mar voltando no amor. Soube o que havia detrás dos olhos, na imagem de Deus. Como ver com a alma detrás do meu olhar? O Sol é o som da vida, ecoa a morte. Sinto que há uma sombra. Essa sombra é o amanhecer no coração. Prender meu corpo é me soltar na distância da alma, em flores. A paciência com a alma é o que me faz respirar com um olhar. Fogo de solidão numa alma queimada, inerte, como a sombra a se movimentar. A sombra faz do seu movimento o meu ser, ou o que um dia eu fui, sem saber que o que fui um dia ainda sou, por minha sombra. A noite do meu olhar desfaz o amanhecer em dormir. Me mexendo em pedras e afundando na morte, na superfície do ser. A dor da alma não sente que o corpo necessita de dor. A alma é absoluta na dor, em flores de algodão. Flores na alma me fazem enfrentar a realidade na dor. Dor é o vazio que é preenchido pelo impenetrável respirar no que eu vejo. Respirar é a liberdade da alma nas algemas do sonho. Sonho mais do que sou livre. Drenar a inexistência na floresta do pensamento, onde galhos de sensações apodrecem a alma. Ser feliz como um corpo feito de alma é resistir a mim. O amor arrependido de me ter tão só fez da minha solidão apenas uma lágrima. A solidão é salva por ela para se esquecer. Respirar tora a solidão na inspiração de viver, mesmo que meu eu não queira viver, estou vivendo. |
BrumasTirar a pele sem a intimidade, com o sentido de ser, o ser da pele. Nada sente a pele como ela é. Pele rasga-me na alma com seu silêncio. A pele nunca me falou coisas lindas, mas apenas em ouvi-la falar me sinto menos só no meu tédio mental. A bruma esconde a vida nos meus poemas. Nas brumas do corpo, nas brumas do amor da alma, onde o silêncio é a nitidez do que sinto. Engolfada de morte na mansidão do meu amor. O máximo de mim é morrer. |
BuracosRombos pela pele é por onde ela respira. Me respira em buracos invisíveis sem dor. A minha fala são buracos emprestados a mim? Ouço minha fala ou sinto apenas seus buracos, minha solidão? Solidão não é encaixar, incluir a alma na minha vida, no terror de viver. Reverter o terror da vida com minha alma. Minha alma, minha vida, meu corpo. |
Em carne vivaO que Deus leva para o túmulo é seu amor enterrado em carne viva. O céu não pode falar sussurrando Deus. Nada desaparece da fala, ela não sou eu. Eu sou todas as maneiras que há de amar. Nego a alma com amor. Tudo se vai. Por isso está perto. Mais perto do que o amanhecer e aí o sono vem revivendo-me em um sonho de Sol. Para que me encarcerar no céu? Tudo me prende em dor. Sofro por tudo, até pelo céu. E que meu sofrer pelo céu seja infinito. Que minha náusea abrace o céu mais do que eu. Que ela seja eu me abraçando. A minha separação de mim é meu corpo amar minha alma. Ambos se amam, desbotando o ar no meu respirar, sentindo o gosto da palidez dos instantes. Metonímia é um único instante para toda a vida. Se substância é tão real, o que é real em morrer mergulhando no fundo do adeus, onde nada se foi. Adeus é permanência eterna do futuro em mim. O ser é ausência do desaparecer do ser. O desaparecer mudou a minha vida como um Sol, com o destino a lhe iluminar. Ver com olhos de Sol, sem querer. Um destino é ultrapassar a realidade. O corpo do amor tão fiel quanto reviver meu ser noutro passado, que ainda vou viver. O céu, passado de Deus, não tem realidade. A minha monotonia é viver. |
O despertar de reviverO martírio é Deus no pensar. Ladrilhar a alma para Deus passar por ela. ressoar a morte no substantivo do amor. Posso sustentar o céu na ausência de mim, como pausas de estrelas. A morte é a razão da minha vida. Deus se explica amando a tristeza, que me faz feliz, abençoa a minha alma, excesso de Deus. |