Blog da Liz de Sá Cavalcante

Não volta

A imagem é um momento que não volta, um estado de espírito além do espírito. Força é escapar do real sem sonhos. Real é a morte. O amor não vive para o ser, mas para a consciência. Descalça de mortes, vidas. Sinto apenas a areia dos meus pés. Encontro ao mar, me sinto areia, imensidão no amor que sinto. Enfim só, enfim não só. O resto é esperança.

O que resta

O espírito é uma fadiga, um modo de ser, uma maneira de estar sem estar. Não consigo perder o que sou, é demais para mim, é como se eu sendo, a vida continuasse. Tudo é eterno em mim. Até eu querer ser uma estrela que já sentia em mim. O amor é recém-nascido, como flores que se quebram em cristais de saudade. Entre estilhaços, convivência de flores de poesia. Poesia é andar com as próprias pernas, com meu próprio ser. Ser é o que resta da flor.

Momento vivido

Sou apenas um momento que alguém viveu e quis e fez de mim esse momento. O amor não se contenta em ser amor, em ser espírito, vida. O amor precisa ver todos felizes na vida, na morte, no adeus, no ficar. O amor é estrela que permanece sempre. O momento é o que sinto e o que deixo de sentir. Sempre há um amanhã para os que morrem. Morrer enfrenta a realidade no céu e o céu chora de alegria por mim. A leitura é uma alma morta no inesquecível de sonhar, lembrando que eu sou meus sonhos em águas cristalinas. Em derramar meus sonhos, sonho mais e, assim, a vida me leva para todo lugar. As estrelas são ausência de Deus e cada um é ausência do outro que existe em mim.

Janela

Quero apenas mostrar o fim pelo fio de luz de uma janela: isto para mim é viver, um fio de Luz. Me escondo nas lembranças, acolhida no amor. Não há o que mostrar de mim, apenas amo, sou feliz. As rosas cantam sem ter nenhuma janela. Não há respiração e sim amor. Amor enorme, além do respirar, além das estrelas, além do universo. O tempo são estrelas que não podem nascer de mim. Amor faz bem, dure o que durar. Ele fica na poesia, no ar que não respiro, na monotonia. Me fez esquecer de escrever e ser da vida sem refletir, mas, às vezes, preciso estar só para sonhar escrevendo. Não foi o fim, foi a vida pela janela que vi e sempre verei em mim.

Distância

Apenas a distância conhece a realidade. Não me faça ser a morte e a morte ser eu. Na morte, não há distâncias, há a solidão de ter um coração que não bate e eu a suspirar por ele. É ainda meu coração. A morte é um vir a ser paralelo à mudez da vida. É que ela nada tem a dizer, é vazia na morte. Ao menos, posso sentir solidão e ter palavras novas que, antes, não existiam. Escuto palavras, nunca a voz. Meu corpo, a minha alma são palavras. Meu ser são palavras. As palavras não têm intervalo entre um ser e outro. Tudo as palavras explicam, o que nem a vida sabe explicar. Assim nasce a poesia.

Igualdade

Ser uma coisa é o maior amor que existe na igualdade de Deus. Sou desesperadamente amor, pois nem o vazio é vazio. Tudo é mar em sonhos de brisa. Tenho sempre alguém por mim na tua alma, vida. Preciso ser as minhas próprias algemas, minha própria liberdade. A prece de uma lágrima é eterna, é pura alma, voz de um coração de sol. Não sei ficar na minha eternidade, vida. Quero que seja toda as eternidades. Enfim, nunca ser só. É na aparência que tudo desaparece, na mágica de escrever, no real de viver. Sou para sempre minha, nem que demore a eternidade para eu ser sempre minha. Sempre é a única vez. O fim do silêncio nas sombras, onde a alma é saudável. Nada tem o meu silêncio de antes, nem eu, nem Deus pode sentir o meu silêncio. Deixar vazar o ser sem morrer é presença. A estabilidade é morrer. Morrer é apenas um novo passado. Tudo se foi partindo no futuro e eu estou aqui, num novo passado eterno.

Saudade

Atitude é morrer com o voar do corpo, com o espírito lúcido. Agradecido por se despedir. Assim sou eu de verdade.

Sonhar com a alma

Sonhar com a alma é viver, acordar para a vida. Sonhar com a alma é não precisar sonhar com estrelas: é ter estrelas. Ter estrelas é sonhar de novo com a alma, no infinito de mim.

Vida

Tranquilidade é a mansidão afundando com a alma para despertar o amanhecer em corpo de alma. Por isso, me chamo vida.

Encantamento

O afastamento é amor que não precisa ter alma no eco do espírito. Além da bondade e maldade, existe a saudade da alma. O cristal em alma não tem céu. A morte é guerreira do tempo. Apenas ela descansa o tempo no fim do tempo. Não preciso do meu eu para viver. Preciso de flores no pensamento. Preciso que meus sonhos não sejam meus. Acredito num afastamento digno de esperança. Contar as estrelas do meu céu, derrapando na alma em viver. Vida ou morte é a mesma vida, o mesmo céu sendo mais só. Encontrei a vida, mas não me devolveu a mim, como a poesia que me faz encantada de amor, poesia.