Perder-me para sempre numa alegria que não é minha, é clandestina, que me faz ter pulso. Viver e imaginar minha alegria como uma estrela, que volta para mim.
Estrela |
EstrelaPerder-me para sempre numa alegria que não é minha, é clandestina, que me faz ter pulso. Viver e imaginar minha alegria como uma estrela, que volta para mim. |
O que vai ser ou será o depois?Rostos expõem vazio do nada sem serem vazios, por isso não há depois e o agora é amor. Há tanto a ver sem expor a vida. Há tanto vazio que acalenta. E se a alma sem o depois me fizer só como um tempo inexistente de Deus, e, por isso, amo a Deus, sem eternidade entre nós, apenas querendo nos amar juntos, sendo comuns em nosso amor. |
SublimeA distância do ser é ele mesmo. Nada supõe a suposição. O ser é ele mesmo, quando é suposição, tudo importa sem mim. A vida, o céu, as estrelas fazem parte de mim, não sou eu. Isso é morrer. Nada atrapalha o ser, seja no fim ou no começo. Tudo é uma separação da realidade e do sonho, resta apenas essa paz solitária, onde eu e eu é a mesma coisa. Nada posso tirar do céu, tenho apenas a minha esperança. E, se o céu cair, eu o amparo, caindo de mim. Sinto por nós (eu e o céu) o que o céu não pode sentir. Sinto em nós o que ninguém pode sentir. Céu é a vida de todas as vidas e a vida é a honra do céu. Lubrifico estrelas com meu amor, reinvento o tempo no interior de mim. Chamo-me de céu para conseguir sonhar. Eu me divido em luas, crescem, rompendo as estrelas nos meus sonhos. Nenhum sofrer é eterno nas mãos de Deus. Sofrer é falta de Deus, de morrer para poder viver. |
Absorvendo-meO essencial de morrer é continuar. O ser é um ser psíquico se houver um vazio sem tempo, sem eternidade. Apenas fico absorvendo-me, esperando a vida se refazer. O sol, as estrelas e eu girando de amor. A espera da vida já é vida. Escrever é apenas agradecer o que foi, o que será, não importa. Importa agradecer. Sorrir embala canções, diverte o amor. Canções perdidas que as estrelas salvam. Estrelas são o suporte das canções. Não quero as estrelas. Sou constelação. |
À beira de mimA distância é o mar voltando à beira de mim e o sol rugindo na alma, fazendo poesias de mim. que ficou das estrelas foi a poesia. É o único universo sem fim, longe do fim, perto do coração, seja ele barulhento, calmo, feliz, infeliz, será sempre um coração entregue à poesia. Como se meu coração pudesse, revolto no ar do respirar. Invento céus que não existem para me distrair. Se a vida puder não me esquecer, terei todos os abraços que não recebi. Se estivesse aqui, amor, veria o quanto vivo em ti. |
IrracionalO irracional é fé, é o ser. O irracional consegue sentir saudades, ir além do mar. Esperar o irracional banhar o mar e soltar a areia do deserto como cristal puro na liberdade do arranhar. Ser em estrelas, dividir o sol com a existência e fazer feliz o amanhecer, como se o vento fosse pluma. Eu a escorrer como o vento. A reflexão não entra na consciência, fica irrefletida sem cinzas, habitando o ser que é suas cinzas. Nada acalma a pele, sustenta a fadiga da pele e dá firmeza à pele para pensamentos que matam. Pele é consciência de que nada sou. Por isso, me tornei racional, para morrer. Morrer porque algo vive em mim, como se fosse a morte. Cativar a aspereza da morte nas minhas mãos sem feri-las. Dormir na morte. |
IntuiçãoVer não é descobrir, é intuição. Nada parece real depois de um sonho, mas é o que perde o desespero quando sonha. O que se pode sonha e o que se pode ser? A ausência vai dizer, determinar, num vale de amor, que não substitui a saudade, mas faz os olhos revirar de amor. Amor é ter sempre saudade e ser feliz. |
Contemplação (Para Pai)Ser ou não, o significado é o mesmo num sentido visceral. O adeus mais difícil é morrer. É como chamar entre moinhos de vento a alegria e não me dar. Sentir a morte como doação e divagar entre um sonho e nosso amor. É mais que céu, é contemplação. E, assim, somos eternos um para o outro. |
Tenho sidoEu tenho sido o mar sem trevas. O silêncio é a origem de um ser que se maltrata, por vir à vida. Estou intoxicada de vida na árvore que cai. O ruído é a razão de tudo. Nada fica perto do ruído, nem a voz, nem o silêncio, apenas ter um ruído para não ser só. Ninguém vive de dor. Escutar afasta a dor, cria vida. Escuto o céu em silêncio, como estrelas ao vento. Tenho sido tudo em mim. Por isso escutar sombras e nada mais escutar. Não faz bem esquecer as sombras. Viver como se não tivesse sombra, como o amor nascer sem sombra, não precisar de um universo particular, ser apenas minha, mesmo não sendo. |
Tentações de tristezaPaz me corrói. Tristeza faz viver. Paz, morte, sem alma muda o ser, o constante, o vazio. É definitivo o que corre na areia. Eu não existo no meu desaparecer. Tudo fica no que se fala, como o balançar das árvores na revolta do amanhecer. |