Solidão não serve na ausência. A ausência necessita do ser mais do que água, alimento. Nada fica bem sem ausência. É uma maneira de provar que existo. Fazer nascer a minha existência. Quem sabe assim a vida aparece.
Quem sabe? |
Quem sabe?Solidão não serve na ausência. A ausência necessita do ser mais do que água, alimento. Nada fica bem sem ausência. É uma maneira de provar que existo. Fazer nascer a minha existência. Quem sabe assim a vida aparece. |
Lembrança morre?A lembrança deve ficar em mim de quem morre, senão morro. O conhecer é a relação solitária de mim comigo, mais solitário que eu sem mim. Nada se faz, constrói sem solidão. nada torna a ausência. O ser é uma falta sem ausência que permite Deus vir a mim, como um sol de estrelas. O tempo é a discórdia entre ser e Deus. Tudo pode faltar a Deus. Deus não se incomoda. nada pode faltar ao ser, mas o ser morre e tudo se permite olhar sem o ser. Isso mostra que o ser não é seu olhar. Será mais que olhar. |
CedoÉ cedo o nascer como se o nascer fosse sol. O olhar é cedo para a alma. A alma é o fisiológico do olhar. É natural perder o olhar, como quem chama por alguém. E se meu olhar for esse alguém? Amar é lutar. Prolongar-se sem a vida. Viver o que a vida não vive, sentir o sabor que a vida não vive. Algo a mais é objeto do meu ser: a morte. A morte é mínima. Por isso dá medo. Sem a morte não há a luta. Morte é se desdobrar sendo duas pessoas: a que ama e a que sofre. Sofrer é aptidão para ser. Ser é multiplicar-me mais que o universo. É ser particularmente minha nos outros sem me perder. Isto é ser. Ficar no céu é nunca viver. Vivências excluem o ser no céu. Maravilhas são palavras de amor no coração em quem não pode ouvir, nem com um abraço. Memórias são o vento. O vento se comporta como alma, mas não é alma. Amar não é comportamento, é sentir e transformar o amor em dar a vida às pessoas, o que elas merecem: isso é amor. A necessidade de amar é irreversível. A vida é reversível onde o céu se esconde. Deixa vir na volta de Deus. A vida pode ser um sonho, ou eu a sofrer. Tudo significa tudo. A ambivalência é Deus. Mostro a vida, o Deus que existe no meu amor, inseparável da morte. Para cortar o cordão umbilical do meu amor, apenas me matando. Tenho muita vida a viver, mas vou morrer. Como um sonho no talvez de mim. Vibram os meus ossos para não quebrar de amor. Os ossos vão além do corpo sem revelar nada. Nada é falível, nem a morte. O silêncio é o monstro de um olhar. É assustador o nada. Sensatez é morrer como uma gota de água na escuridão do finito. É desmembrar o amor. Amar pelo menos até o amanhecer no chão. Ruir o mar para ter mar num equilíbrio ausente, que é equilíbrio de paz, como nada perturba a morte. Morte é paz, sobreviver. A vida é um louvor à morte, um adeus que ninguém compreende, mas é um bem. |
O que seiO não eu ama mais que eu. O eu tem que desaprender o que sabe para ser superior ao ser. Nada é mais essencial que não ser. É um desapego de preenchimento. O desapego do que me preenche é o sol, a sentar no céu, disparar minha alma como o amor do céu. Nada no céu é incapaz de ter alma, nada levanta o sol, que dorme no amanhecer, se senta no deitar do amor, onde é eterno. A eternidade é frágil, esvoaça em minhas mãos calejadas de amor, esfarela no tempo de amar e o amor. |
Homenagem à morteA morte homenageia a vida. Nada se destina ao ser. O ser se destina a tudo. Nada se destina a destinar. Isso é uma mensagem de amor além do horizonte. Não pense na distância, nada vai se distanciar do amor que sente. Tudo nasce de tudo: é mais familiar que a vida. Dividir-me em estados da alma não me torna alma. Apenas o momento substitui a alma, nem a vida ou a morte substitui a alma. Esta é a vitória do sol. Nada se vê sem alma. Tudo pode ser deixado de ver menos a alma, melhorando, assim, o tempo entre as pessoas, deixando-o melhor que a eternidade. |
Novos olhosNovos olhos no carinho, no amor que a alma me deu. Olho meus novos olhos como sendo o infinito do tempo que tenho. Não canso de olhar meus olhos, para não me ver, esquecer de mim. Meus novos olhos são mais que viver. Não posso ter expectativas. É morrer. Expectativa é um pedaço meu que será meu. Pedaços remontam à vida. deixam de ter expectativa. Novos olhos e me desvinculo da vida. Novos olhos e o amor enfrenta os meus olhos com devoção. Nada fica guardado, nem o chorar. revolta é amor. De qualquer maneira, todos me amarão. O amor não faz sentido. Nada faz sentido: Mais um motivo para amar. Incluir o nada faz com que eu não me esforce para me incluir no nada, pois já sou o nada; E, com isso, sou invencível. |
EssencialNão tenho consciência fora de mim. Nunca será a minha consciência. A minha consciência é o vento entrando na pele. A vida é sem o frescor da minha pele. Acima do céu, a semelhança de Deus, que é muito mais Deus, onde talvez haja a consciência de ser triste que não preciso. Não preciso morrer, mais do seu amor. Deus é essencial. |
EstrelaPerder-me para sempre numa alegria que não é minha, é clandestina, que me faz ter pulso. Viver e imaginar minha alegria como uma estrela, que volta para mim. |
O que vai ser ou será o depois?Rostos expõem vazio do nada sem serem vazios, por isso não há depois e o agora é amor. Há tanto a ver sem expor a vida. Há tanto vazio que acalenta. E se a alma sem o depois me fizer só como um tempo inexistente de Deus, e, por isso, amo a Deus, sem eternidade entre nós, apenas querendo nos amar juntos, sendo comuns em nosso amor. |
SublimeA distância do ser é ele mesmo. Nada supõe a suposição. O ser é ele mesmo, quando é suposição, tudo importa sem mim. A vida, o céu, as estrelas fazem parte de mim, não sou eu. Isso é morrer. Nada atrapalha o ser, seja no fim ou no começo. Tudo é uma separação da realidade e do sonho, resta apenas essa paz solitária, onde eu e eu é a mesma coisa. Nada posso tirar do céu, tenho apenas a minha esperança. E, se o céu cair, eu o amparo, caindo de mim. Sinto por nós (eu e o céu) o que o céu não pode sentir. Sinto em nós o que ninguém pode sentir. Céu é a vida de todas as vidas e a vida é a honra do céu. Lubrifico estrelas com meu amor, reinvento o tempo no interior de mim. Chamo-me de céu para conseguir sonhar. Eu me divido em luas, crescem, rompendo as estrelas nos meus sonhos. Nenhum sofrer é eterno nas mãos de Deus. Sofrer é falta de Deus, de morrer para poder viver. |