A única coisa que consegui da poesia foi ver a vida. Talvez a poesia seja isso. A poesia escapa como um pássaro, é livre como meu amor, uma poesia para a poesia. E a vida será a perfeição do amor.
Escrever fora do escrever |
Escrever fora do escreverA única coisa que consegui da poesia foi ver a vida. Talvez a poesia seja isso. A poesia escapa como um pássaro, é livre como meu amor, uma poesia para a poesia. E a vida será a perfeição do amor. |
Vivo do som que não escutoVer é viver em toda voz, em toda cor, em todo ser. Viver é mudar de alma. Ser um monólogo é como conversar com alguém no cheiro, na lembrança, na estranheza. Conversar é diferente da fala. Ser é ser entre ele mesmo e sua luz, sua força. Vivo do som que não existe na voz. Som é sentir, é ser tão pequena de tanto sentir, me esquecendo num corpo. Meu corpo invade o meu amor, minhas poesias, até eu ser uma estátua a admirar o meu amor. Será admirar melhor do que amar? Que é o encantamento que desce das águas e se torna a minha pele? O que dei de mim a minha pele? Meu mormaço de dor. A pele é o meu sono, meu despertar sem corpo, alma. A pele tecendo as emoções como ar, em um respirar de desalento, por voltar a ter corpo no que sinto: ar. Somente ar. |
Ar de pedraO ar de pedra preenche os espaço do amor. Pedras borbulham o mar nas vidas que não mergulham o ser e precisam de ar. As pedras destroem as montanhas em olhos de vidro, cabelo de pérolas e sonhos de esmeralda para uma vida de diamante cristal. É onde o ser é esquecido: nas minhas mãos. Não existe indiferença entre pedras, elas são o sublime do amor. O ser são paredes, as pedras são o mar, o infinito de ser, onde as paredes são o universo. |
Na tua almaSou a presença da morte na tua alma. Sorrio para ti como um resto de lembrar. Perdas sufocam a distância, preservam o que ficou: a distância que me trouxe a mim e me fez não desejar nada ruim para você. A angústia diferencia minha voz da voz da vida. O nada tem tudo. A vida é a falta de tudo. O nada, como ausência, é o pior da alma no fim da alma. É nada poder dizer a si mesmo. A alma é ser da vida, que deu vida a Deus. Não tem continuação no infinito, e, assim, perde o amor de Deus num abraço eterno. O nada é separado do nada. Não há escolhas. Sinto o nada perto por estar separado de si. Não há silêncio no nosso nada. O nada é o acontecer, a alma se doa como alma para o silêncio. Não se doa em silêncio. É tão comunicável, inesquecível, como dar meu corpo a quem possa cuidar dele. Para o nada dei meu corpo e o nada fica sem nada. Pensava não precisar de si. Perdeu a si e o nada pelo nada que não existe, solta o ar do nada no espírito inesperável. E, assim, o tempo corre na dor de renunciar a vida num tempo de morte. Espírito é a razão da sensibilidade. Razão para haver razão em ser sensível. Não há razão nesse infinito para mim. A razão é o fim. O amor é sem porque, não existe motivo no motivo. Por isso, o nada é o único motivo. Ser apenas por um motivo sem ser. |
O agoraO presente não é o ser, o ser é o que sente em si neste agora. Se o agora sente, nunca sentirei nada por ele. Nunca vou sentir como o agora sente por mim. Quando o agora é a alma de alguém, alguém se torna esse agora. O amor salva o agora do futuro. Sou sempre esse agora, deixei de ser eu para ser esse agora que é o limite entre o bem e o nada. Ser após o nada é soltar-me de mim e me tornar uma coisa que vive nas mãos do nada. Como um terço, sem fé, nem doença, apenas toca o vazio num céu clandestino na paz isolada de Deus. Escrevo dormindo em mim, escrevo com o corpo, alma, sangue, o que tiver ao meu alcance. Escrevo sem pensamento nenhum. Nada salva o amor de uma poesia. O agora predomina na poesia mesmo que fale de passado. O amor é este agora na vida, na morte, na perda, na ausência. O amor é agora, nem sempre vai estar vivo. Vou me lembrar dele em cada agora, cada amanhecer, e vou amar o que ele não pode amar. Viver o amor e sempre feliz, é tudo. E o agora é a vida, o céu, a esperança de depois. |
Como tirar a alma de mimTiro a alma me arrancando pelas vísceras. Para não morrer, tiro de mim o sangue da morte. Morri. Nada vai embora de mim. Entardeço pela morte. A esperança é a morte. Morri sem mãos vazias, cheias de amor, repletas de amor e sonhos. Talvez por isso morri imaginando comer minhas tripas para ainda amar, ter energia depois de morta, viver o passado no amor, mesmo sem me recuperar. Me amo me recuperando. Nunca completa. Algo vem do passado que me faz bem. A vida é esse passado nunca recuperado. Por isso morri, não acredito no passado, nem em mim. Eu acredito nesse vazio que sinto sem realidade. Não fui feita para viver. |
ImpulsoO impulso é fazer da alma apenas um impulso. O adeus é consciência, é sobreviver, é viver. Eu não sou impulso, sou realidade. Nunca vivi para ti. A voz sua desaparece na minha consciência, onde surge eu, uma imagem de amor. A diferença é que sei amar mais do que viver. Amo tudo que sou. Você é uma falta. Nunca a tive. Saudade existe apenas no amor. Não consigo imaginar seu silêncio, sua ausência, sua presença: você. deus me fez sem ti. Sofri, superei, quase morri, mas a vida me ama. A vida é o que existe em mim de todas as maneiras que há para ser. Escolhi chorar de alegrias, de amor à vida. Ver a vida em mim é mais que poesia. Minha alma desperta a vida mais do que o amanhecer. Sou a mesma até em te perder. O Sol sofre no amanhecer, como um mundo a mais, e assim amo tanto mar, Sol, que amanheci como Sol, dormi como lua. Fico perdida no céu, que não sabe se é Sol ou lua. Nada mais eficaz que deixar a resposta entre estrelas. O sonho de uma estrela vem de outra estrela. Estrelas cedem ao mar dentro de si. O mar seca em estrelas infindáveis e existem na subjetividade dos meus olhos, no olhar do amanhecer. Ninguém sabe do que o amor necessita. Necessidade é vida. O que tudo sei pertence ao Sol de cada dia. A presença é amor, sentido da vida não cabe no meu olhar, no horizonte sem fim. Tenho tanto que ver que desapareço no meu olhar para uma realidade maior. A inexistência nos meus sonhos, a evidência que sonho. Não tenho realidade, como se a realidade pudesse ser minha. A realidade não é ninguém, tem aberturas invisíveis: morrer de realidade, possuindo o nada, pensando ser realidade. O nada é uma ostentação, um rio sem mar. Morrer é presença de ar de lembrança com entendimento de mar. Não é um mar qualquer, é um mar sem mim, como colocar uma pedra em vez de mar. Pedras diminuídas como destino. Cresce o amor. |
O fim no respirarRespirar é o fim a morrer no respirar. Estou grávida do respirar. O respirar nasce sem luz, como se tivesse um olhar do respirar dentro dele. O nascer é como esquecer que sempre vivo o fim do respirar. É o céu em Deus. É natural não respirar. É como ser para Deus o que ele é para mim. O céu de Deus abrange tudo. É o olhar de Deus que sempre será mar, vida, até a eternidade. |
Deus é maior que o amor de DeusNão preciso dormir. Minha vida, meu ser é pouco para amar a Deus. Meu espírito é pouco para amar a Deus. A minha vida tenho que estar toda desperta para amar a Deus. Quero cuidar de Deus como ele cuida de mim. Até o desamor ama a Deus. O Sol, o mar são a liberdade de Deus. O intocável toca deus com amor. Penetro em Deus, sou mais para Deus do que sou para mim. O impossível se torna possível em Deus. Cada amor, cada respirar que conquisto é por Deus, é em Deus. Nada tenho, nada sou sem Deus. Deus é como a última flor do jardim da vida. |
O ver da almaMe vejo no ver da alma sem a alma, até me ver nascer sem a alma se partir ao meio. Nascer é o amor que foge. Fugir de nascer é impossível, é como tirar o ventre da alma. O ver da alma é o silêncio. Ver o silêncio é o melhor da alma. A alma é alma no silêncio, vendo o silêncio com amor, alegria, no despertar da alma com olhos de silêncio que se faz alma, ser. Sempre as palavras ficam no silêncio, deixam o silêncio sem energia. O silêncio escuta as palavras por dentro de si. Nada deixa o silêncio só. Silêncio é poesia com o mar até afundar as palavras em si mesmas. O silêncio são todas as palavras. Fazem falar, amor no silêncio eterno de Deus. Sentir minha pele no Deus do amor é a melhor vida, o melhor amor em conversas infinitas de Sol. |