Blog da Liz de Sá Cavalcante

Meu ventre

O sempre no adeus é o interior saudável. É viver entre o meu ventre e meu corpo. O nada do meu olhar. É minha concretude uma força inigualável que me une a mim.

Conclusão

Conclusão
21/10/2026
Nada sei do que não vivi. O não viver me estanca por dentro. Misturo-me comigo, uma forma de me sentir viva. Viver o quê? Para quem? Para a vida sonhada por mim. Nunca me esqueço de sonhar pela vida, entre tantos sonhos. Na dúvida de viver, procuro sonhar outras coisas, como ver como me amam. É sempre o amor e esse amor é universal, como ter o amor sempre comigo para não precisar sonhar. Sonhar longe de mim não adianta em mim.

Colo

É imperdoável existir viver. Mas o amor me dá o colo que a vida não dá. Amar é algo que sinto por mim. Ver o céu e me perguntar por que vivo. Vivo para amar. O amor é a certeza de viver. Ainda necessito de mim como o último esquecer. A despedida de esquecer é uma catarse que não me deixa endurecer. A alma leve amando sem ter um coração para amar. Amor é sombra de ser. Se soubessem o quanto amo, daria a todos o mar.

Me acostumar a viver

O que vale mais: o valor ou a vida? Ou será o valor à vida? Estou me acostumando a viver. O meu dia é amor. Sem mim há vida? Sim, vida continua como um acesso num aceno de Deus. Floresce a lua nos meus olhos de gratidão a quem me ama. Amor é estar viva.

A vitória de um adeus

Dar adeus é poder sorrir. A ausência é tão feliz como Deus. Nada se mistura na abstração de mim. Se misturar-se é como se me faltasse algo. Algo de não real na vida a torna rara, especial. Abraços. Apenas ver o outro em mim. A pele sou eu a me evitar. Pele, razão de viver, de morrer. A vitória de ser é a pele. Nada se nadifica, nem a água submersa em mim. E eu a rolar na água, a ser eu na imensidão de mim no intocável abandono levado pelas trevas. E eu sendo amada cada vez mais sem ti.

Chamado

Vida, minha vida é chamar por ti, te servir. Servir a ti é mais do que viver.

Retomar

Retomar meu ser de volta é morrer. Nada tem volta, nem mesmo a imortalidade. Lembrar é falar de esquecer. A vida é um casulo, uma manifestação do que sonho acordada. Deslizar na minha pele é merecer amor. Retomar a mim, esquecer de vir é o porvir numa única poesia. O céu criado e o céu nascido escurece o meu ser em poesias de sol.

Afastamento

Como afastar a morte se ela é meu corpo? O corpo é a memória da morte.

Em mim

Conhecer e o real colidem para existir o ser. Impressionada, encantada em ser. A realidade é abstração de mim. Conhecer é o amor invisível de ser. Não me basta eu, não me basta amor se eu estou só.

Generosidade

A vida assusta a alma. Qualquer coisa é melhor do que a alma. Nunca me deixo só.