Blog da Liz de Sá Cavalcante

O que é sentir?

Não sei o que sinto, quando sinto. Sei amar e ser amada. Talvez isso seja sentir. Troco o ar, deixo de sofrer, não deixo de amar. Amor é sempre minha pele. Sairá de mim apenas pelas minhas mãos. Isso é um consolo, é como renascer.

Dentro

O amor separa a morte dentro dela dando-se separada de si mesma. Nada existe. Isso é o tempo. O espírito morreu pela compreensão de amor. Escuto os passos do espírito, é o momento que respiro, ilumino o Sol, as estrelas. As estrelas confundem espaço, amor com meu ser: estrelas não dançam, se escutam dançar. Melhor que dançar, ser só. Se calam até no vento, onde termina o amanhecer. Dançam dentro de mim até escapar o vento e o vento ser uma estrela que nunca falte em mim, no céu. Dividimos as mesmas estrelas, os mesmos sonhos, eu e o amor. O amor tem que vencer tudo, sempre amor, força imensa que vai além da dança, do sofrer. Meus olhos dançam como nuvens, amparam toda a dor. Tudo dança amor até eu dormir.

Saúde

Pensar o pensar é o Sol como se fosse a primeira vez. Saúde é amor. O Sol, meu nascer é ver sempre. O bem do nascer é amor. Ver é acreditar. O vento nada leva, resseca a alma para amar. Não existe mar sem amor. Consertar a dor piora a alma. Devo a vida à minha alma. A vida já se conhecia antes de Deus. Inocência é amor. Ninguém entende os saltos do amor. Não é a mão que balança o berço, é o berço que balança a mão. Meu respirar alcança a realidade dentro do meu interior, da falta do mar de aparecer por completo, sem imensidão, e eu aparecer para mim, correndo para mim mesma, mesmo que eu não apareça. Aparecer junto ao céu do amor. Não conto estrelas, amo. Não sei se o meu amor é realidade ou sonho. O mar encontra meu amor. É como navegar estrelas. Como é precisar comparado ao amor. Revoltas do vento acalmam o amor. Sofri pelo céu sem mim. Viverei um dia a poesia que existe apenas em mim. Não sou sobras da poesia. Escrevo sem arrastar o vento de amor. Deixo embargada a emoção. Mesmo entalada, consigo dizer o quanto amo. Emocionada como o Sol, a lua, as estrelas no sufocar do amor, de tanto amor. Quem não ama morreu. Amor é vida.

É fácil me sentir

Materializando meu ser em alma. Amo, amo mesmo se morrer. Sei que meu amor continuará, será a vida de alguém. Tudo sei amar, alguns não me sentem. A intensidade da luz do meu amor é demonstrar o quanto preciso ser. Tenho muito a agradecer à vida. Mesmo nos momentos tristes ela me faz rir, sonhar. Esse é o preço de amar. Tudo é difícil, mas amar é fácil para quem ama. Sonho eternamente com amor e o sinto sempre. Cada letra é um universo. Sou a mesma, estou onde sempre estive: amando, criando uma vida melhor para quem me sente. Para quem ama, sonha estar, conviver, amar, é liberdade. Quanto mais frágil, mais amo, mais sou feliz, completa. Amar e sofrer é vida, convivência. Tudo se convive para nunca esquecer. Amor nunca se esquece, é infinito, como meu ser, minha alma. Me chamo amor. Sentir é a plenitude me dando colo. Me salva, me basta amar, nascendo do amor todo dia. Nunca vou morrer. Sou eterna de amor. Amor é raro, cresce em mim em céus de esperança, no azul da minha alma. Nem lembrança me tira o amor. Tudo se entende no amor. Flores rasas num amor fundo, que vibra de vida. Sentir é viver tudo do amor, ser capaz de tudo por amor nas minhas poesias. Não leio, amo até me esvair no amor, falando amor. Minha fala, meu respirar, minhas ausências são amor. Apenas quem ama pode me tirar da solidão. Parece que nada fala, nada vê. Nada me sente, mas o amor me sente. Aceito apenas ser fragmentos se for amor. Amor leva a todo lugar. Meu corpo não é um corpo, é a maneira que encontrei de abraçar. O amor é muito eu, até na falta de mim. Sempre o amor será eu e eu, ele. Somos a mesma coisa, mesmo no fim de um dos dois. O amor continua, a vida continua, pois tenho tanto amor. Me realiza amar mais que qualquer poesia. Amor está nas entranhas, no sangue derramado, na vida perdida. Tudo quero tocar desde que tenha amor. Tocar o amor é nascer como solidão e morrer feliz no amor que me sente só de amor. Meu amor não é só, é carência da alma.

Amo demais

Terminar de construir uma alma fora da minha, um refúgio de saudade. Tudo sinto sem amor, sem escudos, sem me apoiar em nada, apenas esperar por mim como um abismo que não afunda; como sentir minhas mãos na poesia, em mim. Fazer todos e tudo feliz é o que eu serei? Ou será que já sou? Sei que o espanto de estar viva é o que me faz admirar tudo. Não há nada de errado em mim. Apenas amo demais.

Nuvens negras

Céu. São as nuvens negras de pensar. Contra o céu, o amor cessa o real. A realidade é um céu sem céu. O céu não sabe que sou real. Dorme para fugir de mim? Ou para que eu o acorde? O que é sonhar senão um pedaço deixado da alma, de mim? Andar é uma alegria infinita, tira a dor da dor, de mim. Andar é me descobrir no céu do meu amor.

Pertencer é sofrer

A morte vale a pena como o sumiço do nada. A morte se busca, se encontra, mas não me encontra. Esse desencontro não morre. Me encontro na poesia e na falta dela. Faço da falta de poesia uma poesia. Tudo em mim fica. O que não fica em mim é sem amor. Por isso, tenho o amor da poesia que é eterno. A poesia vai morrer comigo. Minhas palavras, o vento sopra como uma resposta à minha morte>: eu não disse adeus, digo amo, fico.

O que resta?

Soltar as mãos da poesia, encontrar outra maneira de ser alma, talvez na minha incerteza. Olhar é a vida, é o que pertenço. Eu percebo que olhar é adeus. Ajudo quem me ajuda? As minhas mãos, mesmo sem escrever, é amor. E, se não houver mais amor, a vida vem me tocar com minhas mãos. Sorrio e me sinto tão tocada, emocionada. É como escrever. Logo a vida vai desaparecer no meu amor. Ficar só como eu. Demonstrar amor, certeza de nascer. Nascer sendo a mágoa da vida. Sou responsável por sofrer? A culpa é de quem me faz sofrer. Eu preciso respirar. Me deixem respirar. A falta do respirar também sente, ama. O que já respirei, amei. Sempre fará parte de mim como mágoa, decepção. Nunca pude ser amada, nem sonho mais com isso. Fim, acabou, escrevendo sem nunca falar. Lágrima desbota a vida, não deixa a flor da esperança nascer. Tudo precisa nascer e morrer. Ninguém percebe que falar é a minha única eternidade, mesmo longe do tempo, da lembrança. Sempre posso falar, mesmo sendo a chorar. É melhor que morrer. Consigo viver se for falando, amando. Me espere para respirar comigo. Meu último respirar, teu adeus na falta de tua presença. O que meu amor não resolve está dentro de mim na forma de Deus. Deus não resolve. Fico com o seu olhar de amor. Lembrança de minha alegria, da fé. Tornou-se desistir? Não posso. Tenho que ter forças como um céu depois do céu. A imagem, miragem de uma saudade que é o que fica do tempo. É o que resta em amar?

Adiante

Ver acolhe no espírito da alma com a suavidade do respirar. Continua na poesia, nas flores, no meu amor, na ausência, no fim. Fim seduz. Pensar me faz amar. Acreditar no meu olhar é respirar as flores da alma. A morte é permanência de Deus. O fim é o conseguir que nunca desaparece, não morre, aparece como uma porta sempre aberta para dormir como a rosa dos sonhos e me abrir em flor. Desvendar a rosa é poesia que tem, em Deus, a confiança eterna, que termina a poesia em Deus, na sutileza de perfumar a flor, esquecer a dor, ir sempre adiante, nunca me esquecer, desistir. Retribuir ao espírito com minha luz própria. O que tem demais em amar? Amo. Isso é tudo.

Cuido de mim

Tenho o privilégio de ver a solidão sem me partir ao meio. Tudo nasce de ser só. Nascer, me separar como uma entrega à vida, como mãos que se tocam no sempre. Sempre e o tocar são como estar em mim. Onde vou sem mim? Chorar é poder ter o que me faz morrer: eu.