Se me estimulo, é morrer como uma sensação não sentida. Morrer é tirar toda sensação para não terminar em morrer. A vida nunca chega à sensação. A sensação boiando em mim. Meu corpo é a eternidade nunca sentida como eternidade. Nada é deixado para trás, mesmo na sensação. A sensação é ver distante de tudo, até da vida, do ver comum. É um ver espiritual que nenhum ver sabe ver amando como ver espiritual sabe. O despertencer é a vontade de viver. Comecei a falar por mim no ver que não tem explicação. Mistura-se, vê e fala e nasce o ser. Traduz a fala como se já tivesse vivido. O olhar é sempre fala, por mais que exista a fala. A fala que se fala sempre é a do olhar, mesmo que sendo imperceptível a fala. Mas o ver é a fala inteira. É o meu sorrir no ver entre sombras que vêm da sombra. É o vínculo sem espera. É olhar para outros olhos e sentir tudo de novo, sabendo que vale a pena. Nada é melhor na exatidão da vida do que olhar para alguém, me sentir inteira e viver quantas vezes for possível, até esquecer a morte, como se não existisse. Lembro apenas de ser feliz.
