Blog da Liz de Sá Cavalcante

Reintroduzir

Reintroduzir no amor. Coisas no amor são particulares como o céu e a vida. O céu e avida continuam numa forma única de ser. Não se deve nada ao amor. Nasce, renasce até me construir. E o amor continua. O sol nasce cantando. Eu o escuto. Repito-me de tanto amor. E o dia começa com sol na neblina de um instante porque morre. Por que morri se o único instante era de amor. Morrer o amor é como cavar estrelas que não nascem. Sepulcro vazio de mim que ainda não fui. Não consigo sentir o que já sinto. Por isso falo para entender o entender. Viver pousando até encontrar Deus em meu legítimo sofrer. Avança-me. Amor me arrebata. Me ame mesmo que faltem estrelas. Ainda há amor, ainda há céu.

O ontem e o mundo humano

Primeiro o ser, depois vem o antes do ser. A morte é o primitivo do ser. O ser noutro ser é a vida em mim. O olhar de ontem no amanhã. Metafísica de viver. O caos é apenas um respirar mais profundo, onde respirar é o ser vivendo sem encontrar saída, sua única saída. Transformar o desaguar em voz no desaguar da vida. O sol desnasce à noite, não dorme. Sol é dia e o dia continua no despertar e o horizonte desperta o despertar. Nada mais importa. Dois despertares se despertando e nada mais precisa acontecer. Tudo está perfeito de amor.

Oscilações

A morte sente a catástrofe comum como amor. A morte não poetiza o mar. Vê o fim do mar na estreiteza da vida. Nada se recupera do susto da morte. O mar ameniza a morte. Vence sem mim, sem vencer a morte. Paisagem é ver apenas o que é mostrado na paisagem. Dependência de loucura. Por que o fim dos objetos me atinge? O que é viver se nada me atingir? O silêncio como concordância de amor. Silêncio que rompe e se rompe. Silêncio que tenta agradar de vazio. Às vezes, silêncio é apenas silêncio. O mar é o silêncio perfeito. Tudo se comunica em ver o mar. Abundância de saber amar. Nada pode ter criado o mar sem oscilações. Apenas o brilho dos meus olhos. Continuo a viver sem distância. Além do distante, meu corpo fica, mais do que nunca, distante do amor. Mas aí meus olhos se fizeram mar. Minha melancolia é vida. Meus olhos iluminam a vida. Não me diminuo. Cresço com a vida, com o amor. Tudo é um eterno aprendizado. Aprendi a viver. Antes, não era nem eu.

Começo

A morte real é a morte que busco? Ela é a sensibilidade total. A simbólica é me ver eternamente em poesia. Mudez é uma consciência que ninguém tem. Chorar é a consciência de falta de vida quando a vida volta. Esqueço, começo outra vez. Recomeços são vazios. Você me faz viver. Minha vida é eternizada por mim. Amar me tortura. O sol invade o amor. O desconsolo é a alma viva. Nada é se não se foi. Como terminar o que não tem começo?   A vida é um começo.

Êxtase

A impressão é como não me dar a alma, como anular a poesia. Arranca de mim esse silêncio de voz. O ar da realidade é o afastamento. O ar do sonho é sufocar dentro da alma e afastar sonhos da morte. Reconheço a morte pelo cheiro doce, penetrante hidrata o amor. Amor sem amor é o princípio sem fim. O ar galopando dentro de mim, apenas eu sei quando a vida não está em mim. Procuro na poesia. A poesia corre para mim. Os braços abertos para mim. Nada é mais feliz, inesquecível, do que isso. O êxtase é enorme.  Morreria feliz.

Como andar

Se a poesia não corresse para mim, como andar? A morte é o bem percebido A vida é um desassossego da alma. Matar ou morrer. Prefiro me manifestar em poesias. Recuo na vida para escrever onde não existe o tempo e sim poesia. Navego no mar das palavras, onde meu fôlego é total. Não me afogo neste mar de palavras. Minha resistência é escrever para não morrer. Apenas assim vi luz, fé na poesia.

Sobreviver à fé

Quando a fé se vai em ventanias de amor. O soprar do coração é uma válvula de escape. Amor reina. O amor é capaz de tudo por amor. Morrer e viver é amor. Encantador olhar o amor em pleno mar. O ser muda a vida, não muda a mim. Não aceito a morte, nem Deus muda o meu amor. Nada pode cessá-lo. Mesmo estagnado, é amor nos corredores escuros, vazios de tanta saudade. Tenho uma única voz: amor. A vida vê distância de mim. Corpo, memória de mim e eu, memória de um corpo. O fim se abre na alma. A falta do fim é meu corpo. A fé discorda de mim. Sou positiva sem fé. Todos se tornam iguais em criar. Eu criei uma vida de sonhos para mim. Alguns criam, outros desfazem o amor do outro, mas nada se morre. O criar reinventa vidas. Há sempre um lugar no coração de alguém. Se quer amor, não mate, não destrua, ame. Deus é carente de nós. O mundo é o sempre que Deus pode nos dar. Não morra se não chegou a sua hora. Se apegue a uma flor. Transforme guerra em paz. Viva bastante. Cada dia é toda uma vida. Não de fim ao renascer ao amor. Confie. Você é bom. Conheça a vida, o amor. A vida não se empresta. Matar, morrer não traz o amor de volta. A vida continua, o amor também. Pense nisso. O despertar é mais belo que o dia garanta sua alegria e o amor. A partir daí será feliz. A guerra pode ter apenas vencedores do amor. Morra para defender a vida. Apenas seja o que é. Pense mais no outro. Não pense em você. Isso é a eternidade.

Dúvidas de mim

Como tirar das trevas a minha dor? A morte tirou minha dor e eu sem saber sorrir. Pensando ser isso alegria, o que leva um a pensar no outro, é a morte. O amor se ama, não se pensa. Tudo vem do nada, morre no que falta. Fim é inaceitável, amar, ser fiel, nem a morte é fiel. A alegria é um sonho. Nunca o terei. O amor não faz nascer recordações. Falta amor no amor e isso acalma. O tempo menos meu coração. Tudo se vive sem amor? Uns esperam amor, outros esperam o nada. Esperar, essência infinita que não se despede, não diz adeus.

Luzes de alegria

O ser é um outro mundo. Inabitável divagar em luzes diferentes para conseguir falar. Existem apenas minhas mãos no resto de Deus. Não é uma escolha, é a necessidade da quietude do mundo saindo das mãos para o coração. Seguro meu coração no ar de Deus, no depois de mim, com minha ajuda. Me fazer viver e não cumprir a vida. Tem que ser amor, não ser dor. A profundeza é o escoamento que muda a vida, o céu, as estrelas. Me conduzir é me tornar estrela. Fundir o que não possuo no que possuo, em ver estrelas sem sonho, na abstinência do céu. Morte, carícias na alma numa paz apenas minha. Como se eu me levasse de mim, sem voz, sem nada, sem vazio. Apenas essa exaltação da morte me condena. Isso é ruim ou bom? Pousa na alma. É amor. Quem nunca amou? Como é bom amar do outro lado de mim, partes escondidas de dor. É me expor finalmente para mim. É como procurar a morte e encontrá-la sem mim, como uma estrela sem horizonte. Preciso cuidar de mim. Não arranco a falta como respeito à morte. Como fechei os olhos para a morte? Pela esperança ou pela falta de esperança? É inatingível ver. É uma alegria que vem e vai embora, mas sinto-a no demorar pois sempre sou feliz.

Análise do percebido

Às vezes, o ser não precisa da consciência, nem de amor. Quer ficar só. O objeto é objeto quando nada o tem. Minha consciência é consciência do nada, embora nada se modifique. O corpo tem um meio: chegar a mim, que me deixa triste. É apenas meu corpo querendo viver em mim. Meu corpo, feridas da alma: isola minhas cinzas da vida. EU não quero ser alma viva, nem em mim. Quero a saudade como vazio. Alma é primavera. A vida é tão cega quanto sorrir.