Blog da Liz de Sá Cavalcante

O que me faz viver

Nada me faz viver, nem o outro, apenas em mim morri. Canto a minha morte ao sorrir.

Como escrever se não me sinto?

Como escrever se não me sinto? Pelo não sentir, escrevo. Vivo a paisagem do sonho. Nunca mais sonhei assim, como um sonho: espectros da alma. A paisagem reflete o nada de minha vida.

O pensamento noturno

Entre toneladas de sol, a noite vai surgir como minha consciência. Nada se faz, tudo se crê. Acreditar, pensar infinitamente, com nenhuma ideia, informação para pensar. Nenhum céu acampando no meu pensar, apenas o tempo. Não é o mesmo que se vive. É automático viver. Se misturar de amor é eternidade. A eternidade é como se os dedos afrouxam as mãos em escrever. A paz é a escrita de Deus. Não importa. Quem sou se existe vida, amor. Deus ainda escreverá sobre o amor. Não será apenas paz, pois Deus, escrevendo da paz, não trouxe paz à vida, às pessoas, ao amor.

Repetindo de alma

A alma se repete em Deus, em sonhar na divindade de ser só. Mas a alma não se repete em morrer.

Atenção

As pontas do sol no céu chamam mais atenção que o céu. Não sei o que está na minha frente, pois o sonho se põe na minha frente, e o céu desliza no sonho. O sonho cuida de mim poeticamente sem as minhas poesias terem fim. Ninguém repara no sol do céu, mas faz da dor a vida do céu. Por isso, sejam felizes, olhem mais para o céu.

Estrelas de mármore

Meu corpo. Sinto-o mesmo na ausência do corpo no valor de me abastecer de uma coisa impossível, da saudade, do meu corpo sem mim. Meu corpo me exclui. Este é o momento de viver na pele o que o corpo não me dá. Saudade é a vida, o sorrir por viver. Revivo o que não foi corpo na pele. Sorrir é o que a pele se torna numa abundância do não tocar. Tocar é ser por dentro de mim, tocada como o céu em desespero, como a lembrança tardia de ser eu. Eu quero ser eu em abismos intransponíveis na luz da alma. O que não é fraca, nem forte é luz. Luz que não precisa iluminar, precisa ser luz. Escuridão ampara a luz, o céu é o que vejo da luz. A luz dança só. A sua escuridão vive de estrelas. Cada mármore de estrelas sustenta a escuridão e o berço vazio da vida embala pensamentos, medos no inconstante, no vazio que desce nas curvas de Deus. Fonte de nostalgia. Nada é e nunca será. A casca do tempo cai. Fica o exposto no que falta na saudade: o vazio de existir. Existo como uma prece de Deus. Sou o caminho de Deus.

Tão especial viver

Sonhando... O especial de viver é perceber que quase tudo foi vivido. Valeu a pena. Resta pouca vida, muito amor. O que representa a dor de existir. Viver é o amor. O sentimento do mundo é o abraço de Deus, como vida do mundo, como corpo de Deus. Entre a falta e a presença. O alívio de ver Deus como quem vê a vida.

Folha dispersa

Ninguém pode me despertar, pode despertar a folha de uma árvore a cair da árvore. Mas, a mim, não. Nunca me despertará. Eu sou sempre eu na vida ou na morte. Vou sempre amanhecer.

Essência

A essência é impensável, inacessível, isenta, como um amor eterno. Embotar o céu em borbulhas de amor. Fobia de ser amada. A vida depende de mim e eu me prendo a falsas inspirações de vida. Como morrer pela vida. A essência não precisa existir.

Luz do amor

Deixar o que é completo se desenraiza na luz do amor. O amor das lágrimas é ser só. Só é a natureza crescer sem água. Água se dissolve na solidão e a solidão treme como água. Desliza nos poros da pele. Pele é respirar ausente de mim. Voa, vida, no meu céu.