Nada é a tua ausência, pois nem sua ausência existe. Sensibilizar a alma e trazê-la para meus olhos de estátua. Laços me prendem na minha ternura. Cores de fada em minhas mãos de ilusão. Minhas poesias não tornam a vida melhor. O ser nunca é para si, é para os outros. Quero amar os outros, mesmo que não me amem, sendo sempre ser do amor. São perdas nunca resolvidas, inacabadas sem silêncio ou dor, apenas que continuam na minha morte. Ganhar é diferente de viver. Tudo é amor. Abraço é consciência. A proximidade sem o eu é uma permanência do oculto do silêncio. Eu me afasto, não de mim, da minha vida de sonhos. Sou ouvida como vida. A morte nunca se mostra, mas é o visível da vida. Eu vivo todos. A alma é vista como um todo, o ser não. Viver não me faz ser. Ser é a lembrança de Deus no nada. Deus é um caminho onde ando todo dia. Nunca tive nada da vida. A vida não é eterna, é o espírito. Nada faltará ao nada se ele for com o espírito. O mundo dado não é o mundo que tenho. Mundo é apenas receber amor. A suficiência é o desespero em voz alta, respirando outro ar. Amor não se acomoda de tantos abraços. A falta de um abraço, entre tantos abraços. Faz falta um abraço, onde caio em um abismo. O ser é imaginação sem Deus? O que vem do ar é a realidade em asas de poesia. Nada se compara à falta existir um ser. Na brecha do nada, um raio de sol, como se desmanchar o céu me tornasse ser. Separar o nada de si mesmo é unir o real do sonho. Nada substitui a coragem do nada. O nada expõe a falta de ser. Não é nada, é uma pérola escondida no mar.
Laços de ternura |
