Em todo canto, encrespar a morte com amor. Não aceitar a morte me faz viver. Amar-te não é a falta de mim, é a minha presença. Tudo pode ser se houver presença. Não sou sempre a mesma presença. A vida não é onipresença. Seu lugar é a fraqueza humana, é a urgência de amar. É o não ser, só isolar a solidão, como impregná-la na morte da vida. Eu idealizo sonhos em mortes, sem vidas. Nem a vida socorre a morte de ter uma grandeza de partir, salvando a tua alma de ti. Morte, sossegue, não terá fim. Será sempre o começo do meu corpo, de mim, na minha alma, na tua alma. Eu confio na tua alma que não tem no teu amor, no teu desespero. Nunca vai me proteger. Te dou vida com minhas poesias. Escrevo forçada pelo amor para que ninguém morra como eu morri. O desfazer de mim é sem morte. Como amparar o que me atinge? A morte. Tenho a gratidão por morrer. Este é meu amor, a prova que amo da imensidade de meu amor, que me fará ter a morte apenas por uma lágrima que derramo, sem saber como acolhê-la, amá-la. Tudo na minha vida se baseia na minha lágrima, mas não termina numa lágrima, continuo a chorar mesmo morta. Meu sentir ao morrer aumenta o meu amor.