Minha alma é um penhasco despido pelo amor. A putrificação é a força do meu corpo que anda, flutua em mim. Medo de ter um corpo, de ser o ar, não respirar é morte, vive dentro de mim. É interessante morrer cantando. Nós em nós mesmos e nunca nós vamos nos deixar: isto é tão inesquecível em um corpo, por isso eu não o possuo. O ar volta como sendo meu corpo inflexível, duro na imobilidade das águas, que voam no meu olhar, pousam em mim como uma carícia que depende de mim. Ajudo a me remover das carícias, preciso do fim. Meu olhar não desaparece na morte, enfrenta sua escuridão na sua morte. Ver é pedir, ficar mais morta que a morte. Sorrir é ir no fundo de um abismo para parar de sorrir e me entregar. Me faço de alma, parece que a alma morreu, e eu fui eterna na minha morte.
