Blog da Liz de Sá Cavalcante

Do que vivo?

Ninguém morre do que morre, morre do que vive. O tempo é um abraço após a morte, um lago no céu que se foi como um sonho. Entro num lago, não sei onde está o meu corpo e onde está minha alma. Água e morte se misturam. Tudo morre pelo passado. Eu me vejo querer ir com águas de seda. Mergulho no raso das águas. Limito-me ao céu. O fim são estampas de roupas esquecidas dos mortos sem nenhuma lembrança. Por isso sorrio para mim ou para o lago. Por alguns instantes, fui esse lago para ser um estranho na vida. E se eu pertencer a vida desse lago? Queria o impacto do lago no meu corpo sem vê-lo nem num talvez. Ele veio às águas e de lá voltará. Vou me esquecendo na falta de me ouvirem. Eu lembro de mim. Cada vez, com mais força porque ser eu é bom e as minhas memórias sou eu. A minha vida, meu cobertor para sonhar sem dormir. Meu sono é o acalento do cobertor que se vai na água, me levando. Isto não é um sonho, é a minha morte, onde sempre sonho à procura de um cobertor para eu não ter medo do frio da noite, da verdade que me engole. Sonho, me faça viver.