Blog da Liz de Sá Cavalcante

Estímulo

Não é o corpo amando, é o padecer amando onde meu ser e eu se unem sem precisar de amor, e sim de Deus. Deus é mais que amor. Nunca saio de dentro de Deus e não tenho interior, nem exterior. Sou o que serve a Deus. Para se misturar, é preciso desaparecer na tristeza e o céu canta minhas poesias como se fosse o meu ser. As coisas existenciais são uma forma de viver a realidade.

O céu amparando Deus

O céu não pode amparar Deus. Ninguém pode. O que foi enterrado na mente não é a alma, o espírito, o amor, a vontade de morrer é apenas vontade de voltar no tempo, seja morrendo ou vivendo. Nasci para amar. Não acredito em morte. O amor vence tudo.

A solidão da solidão

O ser irreal é o especial de ser. Uso meu corpo apenas para amar. Amor é Deus. Sem pensar, eu penso sentindo. Amo até o que não se ama. Sonhos são almas perdidas, sem interior, sem a volta dos que não foram as almas. Foram perdidas ao respirar alegria no ar, entalado na garganta no respirar eterno. Mais eterna é a perda, a falta de amor, a ausência, a solidão.

A solidão de Deus

O que é só precisa ser escrito. A solidão precisa de vida. A vida se sente viva na solidão. Eu tenho em mim a fé de Deus. O limite do limite é o amor. A melhor coisa do mundo é o amor. Amor é falar por Deus. Cada desatar da alma é Deus. Deus purifica o amor e nunca me deixará. Deus é ter realidade, é ter por onde sorrir. É eu poder ser tudo que eu quiser. Escrever é nascer de Deus e apenas em Deus morrer.

Onipotência

Meu corpo é o sofrer da dor. Meu corpo é o incorpóreo de mim. A tristeza é onde me apoio, tenho forças e há Deus que respeita minha dor, me entende. A dor é pior que a fome, a sede, tudo respire mesmo sem nascer. O respirar vai além do nascer. É a confiança de ser só. Desabo até na falta de ausência, de perda. Tudo é triste. Apenas a compreensão é feliz. Eu queria ser a compreensão da vida, mas sou triste, tão triste. Não sei dizer de mim. Não sei quem sou, mas amo. O amor me faz conhecer-me. A vida é sinônimo de morte. Eu realço a dor com minhas lágrimas. Admiro a dor, me comove. Sem dor, não se ama. Quero me diminuir na dor para amar, ser cada vez mais humana apenas para amar. Amor se cura com amor.

Emoção

Morrer é parte do corpo, não de mim. Eu sou a vida que se esconde na vida até meu corpo ser outra coisa, uma coisa mais que o corpo.

Estou viva

Sofro sem a morte. Não tire a solidão da morte como quem vive. Faça por mim, vida, o que apenas a tristeza pode fazer. A tristeza é tudo. Nada se compara à tristeza. Deus é triste. Não falem de mim, falem comigo. Assim não serei só. Minha realidade é mais que só, que eu. E eu não sou minha realidade, ela existe sem mim. Percebo apenas a solidão no meu respirar, abismo que não esconde meu amor quando percebo a bondade do céu, de Deus. Esqueço até meu amor numa saudade dos outros, nossa, minha e de Deus. Agora estou viva. Arrancar a minha pele, meu ser. Estou viva e nada muda isso.

Medo

A vida é emprestada. Meu corpo, o superficial de mim. Como enfrentar a alma se ela me assusta? A alma, em vez de eu chorar de amor por ela, sinto medo. Quero sol, vida. Quero saber. Saber é viver. Entre os mortos e vivos, existe pacto de vida. O sol brilha dentro de mim. Não há rosto, ser, há apenas o humano. Isto é falta de morrer.

Abstinência

O que falta no corpo falta na alma. O amor nunca envelhece. Quem espera pelo tempo não ama. O ser se impede de ser quando é uma pessoa. A morte não oculta a pessoa, mostra-a, não como sua cura, apenas quero ajudar a morte no aceitar, no falar, ajudar, até no esquecer se puder esquecer, se quiser esquecer. Assim nunca mais me perderei. A vida que me preenche é a solidão. Sua voz fala sempre. É como respirar de novo uma vida nova, perto de Deus, distante do meu amor.

Além

O fim de ver é atitude de viver, ver o sonho pelo sonho. Ver é não ser. Ser é ir além do ver. E assim, o além não é mais nada, não faz falta. Tudo é Deus.