Pareço com o nada. Somos iguais, mas meu agir, meu amor é diferente do nada, onde tudo se foi pelo nada. Ir é como voar sem pressa, sem rumo. Por isso não posso ter medo da morte. Quero apenas voar.
Nada |
NadaPareço com o nada. Somos iguais, mas meu agir, meu amor é diferente do nada, onde tudo se foi pelo nada. Ir é como voar sem pressa, sem rumo. Por isso não posso ter medo da morte. Quero apenas voar. |
AmorSecar o ar, sentir-me minha. O céu é mais essencial que Deus. É amor. O amor é o olhar de Deus. Nada sem o olhar é amor. Bordar os olhos com flores. Sentir o aroma do nada. Reviver sem deixar de ser eu. Não lembro de ser eu sendo eu. É eu não caber na minha memória, na explosão do vento. Fugir do vento não é medo, é amor. Sonhos reais desfazem a vida e se alimentam de alma. A alma reza morrendo num sossegar do destino. Traz de volta a vida. É uma oportunidade de aprender com o céu e o céu comigo, juntos na busca de Deus. Assim me conformo de não ter silêncio, de ter apenas palavras para oferecer. Isso é amor. Amor se explica em ser pura ausência, na luz que se esconde no sol sem neblina, nuvem, apenas o relâmpago de ser. Em nenhum momento deixei de ser eu para ti, amor. É tão gratificante sentir sua solidão. É como abrir os olhos pela primeira vez e viver. Tudo é sublime. Solidão infinita dos abraços, onde a alma desaconchega de mim. Eu rumo à realidade. Encontrei a alma de uma outra forma, em Deus. |
O sol do solO sol do sol nasce da lua. É no meu ventre que me conheço por não nascer de mim. Fascinação com os olhos desertos de mar. O mar é o que torna o bem numa presença, quase um ser. Salvar a vida da vida com meu corpo. A alma é deixar o céu no meu olhar, como uma forma de eu não ser céu, consolando o céu no céu, esperando a dádiva de restaurar a pele no meu amor. |
Me tocaAmo o silêncio quando me toca, quando não é nada. Quando me sinto tocada, a vida acontece. Nada se lembra do silêncio, eu lembro, mesmo se ele deixar de ser silêncio, de ser alma. A falta é falta de silêncio do ar do silêncio. Mesmo que ele não me toque, lembro dele me tocando. Nada me faz tão feliz quanto ouvir o meu silêncio e me doar em voz. O fim do silêncio boiando na voz para me acostumar a ser só, como uma luz que não se apaga, no íntimo da ausência, na vida perdoando o corpo, voltando a ser corpo na falta do ser. |
Penúria do corpoA penúria do corpo é a insanidade de ser, é a minha única pele. Pele salvadora numa dor que inexiste para os outros e é a minha pele. |
SaudadeÉ difícil admitir que a alma é diferente de mim. É um renascer que não quero, quero apenas desnudar a vida para sentir meu corpo. O que releva a saudade amando é pura alma, puro ser, onde o céu é o céu para perto de Deus. Onde eu me sinto tão feliz que falo por Deus, falo amor. |
Apenas eu sei de mimA vida não tem nada a ver comigo, apenas sorri para mim e a vida parou, como se eu fosse metade da lua. Metade poesia para não preencher a solidão. O que preenche a solidão é separar a água do oceano, e de mim restar o sol. E, por isso, ser feliz como um deserto de asas. Numa vida que deixo no passado, enquanto não houver mais passos. Quando não houver mais, vou correr para mim e meus passos voarão como sonho. Viverei de brisa. |
Talento de serA diferença da consciência em mim e em si mesma é o que não passa. O ser é anterior ao espírito, condena o próprio ser, mergulhando no ser, no talento de ser. Tudo é dom até respirar. O que atinge o respirar é o ser. Nada é capaz de ser, de sustentar seu ser no respirar, no espírito. Flamejar o ser é o espírito. |
ImprestávelMeu corpo não presta na vida. Tudo desaba sem a vida. Corpo é putrefação. O que quer dizer amor sem o corpo? É a morte bem-vinda. |
Ver com os olhosA ilusão se dá na inteireza do ser. É mansa, compreensiva com meus sonhos. O recomeço é um vazio de estrelas. Nada acende os olhos de estátua em mim. Nada é pior que ter olhos de estátua sem estar estátua nos olhos de estátua, apenas estagnação. A estagnação da alma é a calma num deserto de palavras onde me encaixo no meu quebra-cabeças. O que quero de mim? Não ser eu? Ser o que escorre da chuva das minhas mãos. Nada ter nas mãos, nem o ar, nem o vento é pertencimento, ser inferior ao vento. Carícias de vento é o fim da saudade, é renascer no fim. Saudade, alento de morrer além da alma. Deixa meus olhos brilhantes, mais vazios de tanto amor. Deixa vir mais saudade, amor além do que posso sentir, que posso fazer. Por isso mantenho meus olhos de estátua. |