Deixar de ser é fácil, o difícil é amar só. Ninguém me aceita. Choro. Esta sou eu. Chorar por amor é distante da realidade. Apareço como nada. Lembranças não deviam existir, nem a falta de amor. Era para ser permitido. Me sente ou não me sente, não depende de mim. Descanso no sofrer. O fim é mais do que amor. Que fim teria o amor que lhe dei? Fim é não partir. Mesmo se o amor partir, tudo me deixar, fico onde estou sem esperar. Amo a primeira letra, a primeira frase, não minha, da vida. Escrevemos, amamos juntas. É a vida o ser ou não ser. Em mim, falo de toda inexistência e o não ser perde o sentido, o significado. A única coisa que tem significado é o amor, sem nada. O ser cuida de si mesmo. Ninguém alcança o amor de tão grandioso, mas morremos nele. Sinto o corpo. É o corpo que vai além da vida do ser. Quando o corpo perece morrer, vira miragem. Me vejo nascendo. E se o amor vier um dia, vai ser pelo corpo, pela pele, pela inocência de ser feliz. O amor suporta a dor que eu deveria sentir. O que poderia existir não existe, como o sol arrastado no vento. O que vai ser de mim. O que importa é que não podem tirar meu amor de mim, como se tira alguém da morte. A vida inexplicável. Morte é o depois no antes do desnascer. O ver é um mistério do interior. Acho que vejo a vida. Vi o ver sem vida, sem lembranças. Mas ver o invisível, cada neurose é vida quando o não imaginar. Não é real, algo morre dentro de si. Sou eu ao me esquecer. Silenciar o que sei de mim é morrer. Vivo mesmo morta. Ser é demência. Aterroriza. Ser é para ser amor. O que morre da morte é a minha fala. O outro em mim. Morrer numa falsa vida é ter o sonho apenas como sonho, e o existir apenas sombra. Por que o falso amor dura na vida e o verdadeiro amor morre no que ama? Se pode pensar amar? Alma curta num longo amor. Tudo se aproxima da morte perdida e não da morte que tem. Assim me perco para sempre.
