Blog da Liz de Sá Cavalcante

Estupor

O estupor é o meu corpo a amar. Tenho, no corpo, a dificuldade de ausentar a alma. É a falta de falar. Falar é o bem da vida. É ser. É poder morrer falando na vida. O que nada fala existe antes da vida, do morrer, do amor. A morte é a desigualdade do amor. O amor não compensa morrer. Não há assunto, há alma. A voz pensa o que não penso. Unhas de canção cantam o que não existe sem chorar. Mesmo sem entender a sensação oposta à vida, mesmo que alguém sinta na vida esta sensação desaparecer. E a vida desestimula a ver o céu. Céu lava a eternidade. Estou na carência de mim. A eternidade é como saber o que vivi dentro de um suspirar. Parece que nada de mim parece ser eu. Deixar que envolva a falta no amor espontâneo em mãos de fadiga. O desapontamento das mãos é perder a poesia. A única maneira de eu voltar é terra que não se anda, não se ama no puro, no sagrado, como se mãos não aceitassem seu respirar. O corpo são mãos que curam e, por isso, morrem como se mãos fossem o que causou a morte. Então, como ela o curou? Deu-lhe vida e a vida olhou minhas mãos de modo diferente. O silêncio amorteceu a morte num silêncio pleno de si.