Blog da Liz de Sá Cavalcante

Estrela

Perder-me para sempre numa alegria que não é minha, é clandestina, que me faz ter pulso. Viver e imaginar minha alegria como uma estrela, que volta para mim.

O que vai ser ou será o depois?

Rostos expõem vazio do nada sem serem vazios, por isso não há depois e o agora é amor. Há tanto a ver sem expor a vida. Há tanto vazio que acalenta. E se a alma sem o depois me fizer só como um tempo inexistente de Deus, e, por isso, amo a Deus, sem eternidade entre nós, apenas querendo nos amar juntos, sendo comuns em nosso amor.

Sublime

A distância do ser é ele mesmo. Nada supõe a suposição. O ser é ele mesmo, quando é suposição, tudo importa sem mim. A vida, o céu, as estrelas fazem parte de mim, não sou eu. Isso é morrer. Nada atrapalha o ser, seja no fim ou no começo. Tudo é uma separação da realidade e do sonho, resta apenas essa paz solitária, onde eu e eu é a mesma coisa. Nada posso tirar do céu, tenho apenas a minha esperança. E, se o céu cair, eu o amparo, caindo de mim. Sinto por nós (eu e o céu) o que o céu não pode sentir. Sinto em nós o que ninguém pode sentir. Céu é a vida de todas as vidas e a vida é a honra do céu. Lubrifico estrelas com meu amor, reinvento o tempo no interior de mim. Chamo-me de céu para conseguir sonhar. Eu me divido em luas, crescem, rompendo as estrelas nos meus sonhos. Nenhum sofrer é eterno nas mãos de Deus. Sofrer é falta de Deus, de morrer para poder viver.

Simplicidade

Tem uma alma dentro e fora de mim que surpreende o desnecessário, com a generosidade de um adeus da distância da vida com o sempre em alma. Dessa vez, a distância é a realidade sem adeus. Nada nasce do sempre, já é sempre. O sempre é a consciência. Nada pode ser minha consciência, nem a consciência é a consciência. Tudo é sempre, mas nem o sempre muda a vida. Vida é o que eu tenho sem mim. Nada é o que tenho, tenho mais sem ter. Ter não é ser. Olhos nos olhos, esquece para que veio para aparecer como água, sem a cauda de sede, onde vem o que devia ser consciência, e conserta a vida apenas em mim? O que pode o céu fazer contra a morte? Apenas abandonar o perdido como céu. Nada vive o coração. Seu amor é todo meu. O céu se desdobra de dor. tenho mãos de céu. Não posso salvar o mundo das pessoas e das minhas mãos nascerá apenas vida. E as minhas mãos serão o fim da minha vida, de escrever sem sonhar. O mar segura minhas entranhas, protege minha essência de onde sai de mim a morte, e, assim, sinto a vida mais profundamente, mais intimamente, como cárcere da minha dor, da minha morte e a simplicidade da morte é a alma encantadora dos meus sonhos, onde, ao menos, algo vive por mim na eternidade que criei.

Absorvendo-me

O essencial de morrer é continuar. O ser é um ser psíquico se houver um vazio sem tempo, sem eternidade. Apenas fico absorvendo-me, esperando a vida se refazer. O sol, as estrelas e eu girando de amor. A espera da vida já é vida. Escrever é apenas agradecer o que foi, o que será, não importa. Importa agradecer. Sorrir embala canções, diverte o amor. Canções perdidas que as estrelas salvam. Estrelas são o suporte das canções. Não quero as estrelas. Sou constelação.

À beira de mim

A distância é o mar voltando à beira de mim e o sol rugindo na alma, fazendo poesias de mim. que ficou das estrelas foi a poesia. É o único universo sem fim, longe do fim, perto do coração, seja ele barulhento, calmo, feliz, infeliz, será sempre um coração entregue à poesia. Como se meu coração pudesse, revolto no ar do respirar. Invento céus que não existem para me distrair. Se a vida puder não me esquecer, terei todos os abraços que não recebi. Se estivesse aqui, amor, veria o quanto vivo em ti.

Irracional

O irracional é fé, é o ser. O irracional consegue sentir saudades, ir além do mar. Esperar o irracional banhar o mar e soltar a areia do deserto como cristal puro na liberdade do arranhar. Ser em estrelas, dividir o sol com a existência e fazer feliz o amanhecer, como se o vento fosse pluma. Eu a escorrer como o vento. A reflexão não entra na consciência, fica irrefletida sem cinzas, habitando o ser que é suas cinzas. Nada acalma a pele, sustenta a fadiga da pele e dá firmeza à pele para pensamentos que matam. Pele é consciência de que nada sou. Por isso, me tornei racional, para morrer. Morrer porque algo vive em mim, como se fosse a morte. Cativar a aspereza da morte nas minhas mãos sem feri-las. Dormir na morte.

Intuição

Ver não é descobrir, é intuição. Nada parece real depois de um sonho, mas é o que perde o desespero quando sonha. O que se pode sonha e o que se pode ser? A ausência vai dizer, determinar, num vale de amor, que não substitui a saudade, mas faz os olhos revirar de amor. Amor é ter sempre saudade e ser feliz.

Contemplação (Para Pai)

Ser ou não, o significado é o mesmo num sentido visceral. O adeus mais difícil é morrer. É como chamar entre moinhos de vento a alegria e não me dar. Sentir a morte como doação e divagar entre um sonho e nosso amor. É mais que céu, é contemplação. E, assim, somos eternos um para o outro.

Tenho sido

Eu tenho sido o mar sem trevas. O silêncio é a origem de um ser que se maltrata, por vir à vida. Estou intoxicada de vida na árvore que cai. O ruído é a razão de tudo. Nada fica perto do ruído, nem a voz, nem o silêncio, apenas ter um ruído para não ser só. Ninguém vive de dor. Escutar afasta a dor, cria vida. Escuto o céu em silêncio, como estrelas ao vento. Tenho sido tudo em mim. Por isso escutar sombras e nada mais escutar. Não faz bem esquecer as sombras. Viver como se não tivesse sombra, como o amor nascer sem sombra, não precisar de um universo particular, ser apenas minha, mesmo não sendo.