Blog da Liz de Sá Cavalcante

Ver com os olhos

A ilusão se dá na inteireza do ser. É mansa, compreensiva com meus sonhos. O recomeço é um vazio de estrelas. Nada acende os olhos de estátua em mim. Nada é pior que ter olhos de estátua sem estar estátua nos olhos de estátua, apenas estagnação. A estagnação da alma é a calma num deserto de palavras onde me encaixo no meu quebra-cabeças. O que quero de mim? Não ser eu? Ser o que escorre da chuva das minhas mãos. Nada ter nas mãos, nem o ar, nem o vento é pertencimento, ser inferior ao vento. Carícias de vento é o fim da saudade, é renascer no fim. Saudade, alento de morrer além da alma. Deixa meus olhos brilhantes, mais vazios de tanto amor. Deixa vir mais saudade, amor além do que posso sentir, que posso fazer. Por isso mantenho meus olhos de estátua.