O céu é a ambivalência do ser, do amor. Olho o mar e deixo o céu.
Fissura do céu |
Fissura do céuO céu é a ambivalência do ser, do amor. Olho o mar e deixo o céu. |
EstuporA profundidade é estupor. Entremear o nada como ser, pela essência divina. Deslocar o corpo para o sonho. Sonhar na exaustão de ser. Deixar o ser na mente e o resto no sonho. Sonho sem precisar de nada apenas sonho, pois o sonho é tudo, é absoluto, é como quero que me reconheçam: pelos sonhos. Os sonhos são o polivalente de Deus. |
Como provar que o amor existeÉ amor? Ame e o amor existirá da maneira que necessita. Amor é sempre amor. Aparências são táteis no real, não na imaginação. Fragmentos de amor são vidas. Não dá para imaginar o amor, apenas amando. Eu vou acreditando na vida. Faço das mãos muitas vidas inalcançáveis, inúteis de tanto amor. Queria que escrever fosse como respirar: infinito. |
Aparências táteisSeu queria ver a minha aparência pelas minhas mãos de vida. Poesias. Quero ser o seu olhar, vida, no meu desaparecer. Meu desaparecer é a vida, é o olhar da vida, em mim. Tire-me de mim. Leva-me, vida, para tua vida. Nunca mais pensarei em mim. Penso apenas no amor, em amar. Minhas mãos vão me ver, pegar no meu amor e ver no meu rosto a poesia que falta na minha alma. |
O fimO fim pelo fim é o ser. O fim é a solução do amor. Se eu mostrar meu amor ao fim, perco meu amor para o fim. Fim que muitos sonham inconscientemente, sem solidão. Olhar antes de verdade, na morte, verdade de morrer apenas o olhar. Sabe o momento de cessar. Cessar o amor pode ser o amor de Deus? O ser está longe de ser. Anjos floreiam a morte, distraem-na. Olho em mim ao morrer, não posso olhar para a morte, prisioneira de um sonho? Ou o sonho é meu prisioneiro? Ver é a insuficiência do olhar. Olhar não vê, acomoda o tempo para tirar as pedras do tempo, levadas no coração. É importante ceder aos segredos da alma e falar de amor sem me expor, sem dizer que sinto, mas sinto tudo demasiado inesquecível. Sua vida, minha vida, amor. Como deter o amor que eu sinto? Inabalável, eterno. Nenhuma sombra, nenhum sol no céu, apenas amor. |
InabalávelÉ inabalável a fragilidade de Deus, me absorvendo o que há demais no inabalável. A alegria é uma dádiva de Deus. A carência não é alma, nem ser, são duas mãos que se escutam na surdez do amor. Acaba com tudo, mas minhas mãos estão comigo na poesia, na coragem de Deus. Minhas mãos úmidas de Deus. A alma sangra, não morre como minhas mãos. Minhas mãos morrem para escrever por Deus, pela angústia da vida. Vida é a única esperança. Olhos atravessam vidas para não ver o nascer. Quando se vê o nascer cegamente. O nascer nasce ainda mais. |
CostumesNinguém manda na tristeza em ser só tristeza. Dá medo. Me acostumei. O que me sorri não precisa ser, basta me sorrir, e sinto amor, O que padece não é alma, nem ser. É a morte. Rareia o ar, tão imperceptível quanto viver. Eu amo ver o amor. Nada se mexe nesse momento de amor. A vida é infundada. Não espero pelo sempre: apenas se ele vier pelo meu olhar. O amor é possível. Despedidas são almas de Deus. No ser, não há despedida. Morrer é deixar Deus. Deus é vida. A morte não raciocina. Penso pela morte. Cuida de mim, vida. Sou tua única esperança de ser triste, de conhecer, existência do céu arrancado de nós, na eternidade dos nossos olhares em vão, vida. Vida, o que quer de mim? Nada espero de ti, apenas que minha pele se derrama em ti, vida. Assim, minhas preces serão ouvidas como sol, chuva, liberdade. |
O além do verA morte é narcisista. Até na sua morte, ver a morte no outro. Arrasto minha alma em morte duvidosa. Como pode a morte querer a morte? Sou um santuário de lembranças. É a vida que substitui a lembrança e encontra o amor, sem saber que é a morte. Sem se reconhecer. Toda morte é amor, mas não perde sua essência: a morte. |
O individual de mimNada disso é real para mim, nem o que escrevo é real. Levar a sério a morte como juntar o fogo que se espalha e dizer adeus ao adeus e deixo-me na natureza do céu. O que lembro, o que esqueço não é de mim, é da morte. Resta a vida como a fragilidade de um fino respirar. Vida de dentro. Não escuta o respirar fino na mornidão do coração. Eu não apenas escuto, falo, converso com meu respirar e sinto tua sombra, morte. Respirar é apenas o vento, a despedida sem distância, num leve despertar de ausências nuas. Vivo o não ser só, sendo só. Mais só que eu. Por isso, não tenho ser individual, tenho medo do meu ser individual. Ele é constante no adeus. O adeus que não existe em mim. A sombra me devora e escapa de si. Como me situar em mim? Sendo, algo me sobra além do fim: apenas eu sou a verdade do meu fim. Fim do fim. Eu sou como as asas de uma borboleta. Esquecer o que faria e fazer por mim. Abraços se desdobram no fim. Começo do amar. Morte faz apenas cócegas em mim. Enfrento tudo menos o desamor. |
O além do verA morte é narcisista. Até na sua morte, ver a morte no outro. Arrasto minha alma em morte duvidosa. Como pode a morte querer a morte? Sou um santuário de lembranças. É a vida que substitui a lembrança e encontra o amor, sem saber que é a morte. Sem se reconhecer. Toda morte é amor, mas não perde sua essência: a morte. |