Entro, sinto meu coração em chuvas de prata. Me dá imunidade tanta chuva, tanto céu, tanto zelo de Deus. Esvoaçam almas. Dispersão do amor que faz eu me dar, dando-me. Sinto-me viva da inocência de Deus. Almas não se perdem como o ser. Morte não é engano, nem é certeza, é a impunidade da dor. Sofrer é crime. Flores não se dão, têm beleza, cheiro não cativa. O fim é o céu? O que é o céu senão um abismo sem flor? Abismo, céu é o mesmo amor, mesmo infinito. Moro dentro de mim, do céu, das estrelas. O exterior não me importa. O céu dança para mim. Perco o chão apenas em ver o céu a dançar. Poderia escutar um alfinete cair. Não me desconcentra, mas percebo. Derreto-me de chuva, perco a vida na chuva intemporal. O respirar suga, respira o nada como pele. Quero tentar ter pele só para eu terminar com a morte. Dei um basta, meu amor.