Blog da Liz de Sá Cavalcante

O que sei da morte

Morrer é sem consequência. É o desastre da alma em substituir o céu. O céu da consciência é ficar do teu lado, amor. Violada em poesia é o mesmo que perder meu corpo no meu corpo. Sonho e o real não existem, dão significado ao meu ser no amor que me substitui numa linguagem especial: o escutar sem alma me pesa a alma. A alma é minha morte.

O que sou no sentir?

O espírito encurta a morte e se prolonga em mim. Se a percepção não é o mundo, será o mundo meu espírito? O berço da morte é o espírito a dormir. O dormir do espírito, fim da vida, do mundo e o começo do meu olhar. O bem que falta em morrer.

Profundidade

Profundidade sem alma, sem o amor: poesia. O amor quis que eu seja seu ser, sendo meu ser. O que ficou sendo o amor? O que sempre será uma necessidade de nascer sendo o que nasci, eternamente para se desnascer em saudade. Saudade verdadeira queima por dentro, se faz sol em mim. Nada de sol sem saudade. Saudade é sol eterno sem direção de ser. Invisto e me surpreendo de saudade. Apenas a morte é espontânea. Aquilo que acredito ser é a parte de mim que morreu.

Saudade do infinito e do fim

O que me toca é intocável. O fim não é o fim da saudade do infinito. Torna-o íntimo, particular. Saudade é não saber que morri, silenciando o amor numa única palavra: Deus!

Um coração no meio do nada

Um coração no meio do nada

23/07/2026

Não há um coração para a vida. Todos na vida, menos eu, a me procurar sem me encontrar. Me deem notícias da vida. Não sei mais o que fazer para viver. Escrever imita a vida. Para construir um ser, é sem alma. Para desconstruir um ser, é preciso a morte pela alma. O pensar é indestrutível, é amor. O medo de amar é a alma. Transmitir o pensamento para minha morte. Pelo menos a morte terá um único pensamento meu: não punir a aflição na sua sinceridade. Deixar a vida correr, mesmo que eu não a alcance. Não luto para o inevitável. O que o vazio esconde de si é a existência vazia. A falta é coragem que eu preciso ter para enfrentar a vida. Que vida?  A que coloco no papel? Como me inspiro? Pela falta de coração da vida. Eu escolhi esperar que a vida tenha um coração. Se não, como viver? Talvez nunca a vida tenha um coração, mas sei que não fiquei sem viver à toa. Resigno-me à morte como se fosse um dia após outro. É apenas a morte, a lucidez. Fim.

Pertencimento

O pertencimento é um despertencimento feliz. Eu morri, o corpo vive de saudade de mim. Estremeci com o meu despertar na ânsia. Que esse despertar não seja de morte.

Oscilações da morte

Oscilações, eternidade de prazer que eu ame mais que a poesia e oscilações da morte são minha consciência. Maneira de pensar na vida, tenho que proteger a alma do vento. A alma de vento não nego o ser. Ser me rende a alma em paredes de céu e eu perdida no ar, no perseguido sem conseguir me afastar de Deus: isto é fé, oração. Nem por mim existi. Nascer e existir se confundem. Este é o retorno de Deus. Nascer e existir são minhas ausências. Me deixa assim, perdida, solta em minhas ausências até despertar para a tua irrealidade. Morte e não saber como fui parar na ausência. Nada importa. Quero apenas que o vazio não tenha fim, mas desperte a quem necessite amar como eu. Talvez seja apenas paz de não entender a vida, ou eu ficando com Deus, mas, se for a morte, leve-me, não me diga aonde vou, apenas que morri.

Chuvas de prata

Entro, sinto meu coração em chuvas de prata. Me dá imunidade tanta chuva, tanto céu, tanto zelo de Deus. Esvoaçam almas. Dispersão do amor que faz eu me dar, dando-me. Sinto-me viva da inocência de Deus. Almas não se perdem como o ser. Morte não é engano, nem é certeza, é a impunidade da dor. Sofrer é crime. Flores não se dão, têm beleza, cheiro não cativa. O fim é o céu? O que é o céu senão um abismo sem flor? Abismo, céu é o mesmo amor, mesmo infinito. Moro dentro de mim, do céu, das estrelas. O exterior não me importa. O céu dança para mim. Perco o chão apenas em ver o céu a dançar. Poderia escutar um alfinete cair. Não me desconcentra, mas percebo. Derreto-me de chuva, perco a vida na chuva intemporal. O respirar suga, respira o nada como pele. Quero tentar ter pele só para eu terminar com a morte. Dei um basta, meu amor.

Bondade

O corpo sem sensação está pleno de um espírito que é um coadjuvante na vida. Quem atua é o céu da minha consciência. Mesmo assim, sinto falta de sensações. Eu sou minha sensação até eu morrer. Não é miragem. Minha bondade me trouxe sensações. Pensei que não existiam, mas existem melhor que a vida.

O desmaiar do amor

O fim cessa a decepção. Os fins são o amor. Perdida por pensar só. O Olhar escapa da morte, na moleza de uma vontade de chorar aos poucos no vento. Tenta ver minha alma como ver as estrelas. Estrelas são lampejos. Quero muito que as estrelas venham aderir ao meu olhar, órbita do amor. Quem se cega de amor vê o nada e, assim, capta a essência da vida. Carregando todas as almas em mim. Se a verdade for a morte, estou lascada, perdida como o mar. Nunca canso de morrer. Fim de um desmaio na falta de um adeus. Adeus é por onde sempre ando, com os pés descalços, leves como o vento. O suspiro da lua como sono. Sonos espantam, ausências rolam no corpo. Se desdobram em um nó entre o olhar e a ausência. A ausência prevalece, mantém a vida, não me contém na morte, abismos de céus espelhados na escuridão. Tira-me o vento para eu morrer. Morrer sem vento é pior que morrer. Ser devorada por meu sentir. Não quero incomodar o céu com a minha morte, cinzas de mim a me esconder. Isto é desmaiar de amor no céu que me esconde em seus sonhos.