Blog da Liz de Sá Cavalcante

Opostos

Oposto ao ser e o nada é Deus em abismos de devaneios em flores que semeiam a terra escarneadas de dor. Nem a dor espreme a alma. As trevas são o corpo da antítese. Nada existe, tudo pode. Tudo pode no esquecimento da terra num dia de luz.

A voz do silêncio

Qual a diferença entre ser e não ser? A ausência como tempo do universo. O universo é uma solidão que nunca nasce. Precisa nascer como cada uma de nós. Todos merecemos viver entre o silêncio e a voz, nem que seja saudade de viver.

Pintura

Escrever é uma pintura de alguém que devia estar no céu.

Dádiva

Não consigo parar o meu corpo da alma, isto é satisfação. Meu corpo continua com a morte tentando trazer meu ser de novo. Toda dádiva surge da esperança. Tomara que aconteça.

Realizações

O que realiza a presença é ausência. O que se predestina afasta a morte. Deixa minhas realizações amolecerem numa alma sempre viva para mim, para todos, para a vida, da vida.

Paredes

Telhados da alma na parede de vento. Nada me esquece pois existem paredes para lembrar de mim, de me abraçar e tudo ruir, como se a alma visse eu me abraçando. Paredes são liberdade da alma, onde não há segredos entre a alma e a vida. A alma gela e a vida entra nela como companhia. Tudo tem um porquê na solidão da vida, que não faz viver. Eu sou a intensidade da vida na perda do tempo. O tempo é cumprir náuseas do pensar com amor eterno. Reviver é sonho se emaranhando no nada. Viver, viver, ultrapassar o limite do céu como uma brisa. É o amor em mim.

A inconsciência da inexistência

A vida é nossa inconsciência, consegue suportar tanto amor. A desilusão da vida é não poder pegar uma estrela. O sol nasce de uma estrela, isto é o fim de tudo, começo de mim. Nada terá o antes no antes. O porém é eternidade arfante, tenta respirar por mim. O fôlego sem o ar é solidão que desce na terra para abençoar. Nada vai até a realidade, ela é não sentir nas mãos de estrelas que não iluminam, pois tem paz.

O amor de cada um

Plenitude é dividir ausências sem o ser. A ausência de concretude, ser ilusão sem sonhos. A alegria é deixar a ausência se dividir com a vida. Não há justiça sem ausências, abismos. Intuição é morte. É não ter adeus para o sorrir da vida. Tudo é apenas sugerir e deixar o tempo viver. Nada houve entre nós. Não há nada entre mim e eu mesma, a poesia. O inextenso da poesia é o silêncio. Apenas no silêncio cabem todas as poesias da vida. Se consegue silenciar. Bem-vinda a vida. Nenhuma fé pode ser guardada no ser. Fé é aceitar a liberdade da fé como amor, eternidade. Tudo teve fim. A liberdade ainda vive livre.

Companhia

A lembrança é o vir eterno de mim no depois de mim. Encontro no nada sabedoria para ser feliz. A maior sabedoria vem do nada. Eu quero saber: poupar é arrependimento? O durar do nada é um olhar que não é fim nem é vida. É apenas um olhar que se vê até na escuridão. Eu lembro do nada enfrentando o mar e o apelo do vento, como náusea, morte. Meu lugar, entre mortes e ausências, continua firme em um eco do esplendor a ressoar nas lágrimas turvas por amar. O descaso com as lágrimas que querem amar por si mesmas é a alma da natureza a expandir a vida que antes existia apenas em sonhos. Nenhum sonho consta em sonhos. Existe, mas ninguém registra no amor, na fadiga do céu, entre mim e eu. A esperança de eternidade entre meus dedos que mais amam do que escrevem. Nada se possui em ser só, nem mesmo a solidão. Tempo é solução naquilo que acredito ser eu. Eu numa vida sem mim, na luz de ninguém. Precisam saber o quanto amo? Amor nada espera do amor. Amar é companhia. Amor é solidão. O céu busca a eternidade ao olhar olhos inexistentes. Tudo é sacrifício, não vale a pena ser. Tudo é em vão, no apocalipse da dor. O ser e o nada remendos de uma saudade, que rasga a vida e permanecem remendos da alma, dos olhos e do jamais. Tira a alma alheia de mim como sombras ao vento. Nada será o que quer, apenas é capricho. O ser pelo ser, não sobra nada antes do ser. Escuridão aberta à vida, à volta de ninguém. Se retirar esse ninguém, fica apenas a morte na luz de Deus.

Ser em si

O ser não fica em si mesmo. O ser é a incompreensão na compreensão. Então ser é a compreensão da vida e de si mesmo. Existem vários tipos de ser: o pragmático, o fragmentado e o que é doente por amor, como eu. O cansaço é a vontade de amar. Ser eterna na minha luz, brilhando para mim, como céu. Vai sobrar luz para tanto céu.