Blog da Liz de Sá Cavalcante

O viver inesperado

Tudo se pode, menos viver o inesperado. Mas a vida é o inesperado. A espera é a chegada. Nem tanto ao sol, nem tanto às estrelas, nem tanto à lua: isso acontece por não haver vida. Não há vida depois do meu amor em estrelas, como um recomeço do fim, morte do fim na escuridão da mente. Não temo o fim, temo a perda da lucidez. Lucidez é um risco que tenho que arriscar, cada vez mais, em ser feliz. Tudo é apenas suposição da alma, onde a substância é o medo. Medo da minha fala entre mim e eu mesma. E, assim, me escuto no medo de ser só e o abatimento da alma se vê em minha alegria, meu amor. Assim a alma fica feliz. Não é inesperado morrer. Faz parte de ser. A vida é sentir a morte até não sentir mais nada. Tudo é o esconderijo do nada. Somatizar a vida é me sentir sem o meu corpo. Somatizá-lo no amor. Cada amor carrega consigo o silêncio de amar. Sumir na desistência é ser resistente ao aparecer. Essa resistência aparece  sem imagem e o olho dentro do olho somos nós nos olhos do permanente. Se eu fosse a permanência de mim, teria mais cuidado com a morte. Levar as mãos para o sonho. Viver sem mãos é ter poesia. Como se o nada deflorasse o meu ser e eu fosse a eternidade de quem amo. A alegria é um nunca existir, é o amor que vem da alma.