Blog da Liz de Sá Cavalcante

Companhia

A lembrança é o vir eterno de mim no depois de mim. Encontro no nada sabedoria para ser feliz. A maior sabedoria vem do nada. Eu quero saber: poupar é arrependimento? O durar do nada é um olhar que não é fim nem é vida. É apenas um olhar que se vê até na escuridão. Eu lembro do nada enfrentando o mar e o apelo do vento, como náusea, morte. Meu lugar, entre mortes e ausências, continua firme em um eco do esplendor a ressoar nas lágrimas turvas por amar. O descaso com as lágrimas que querem amar por si mesmas é a alma da natureza a expandir a vida que antes existia apenas em sonhos. Nenhum sonho consta em sonhos. Existe, mas ninguém registra no amor, na fadiga do céu, entre mim e eu. A esperança de eternidade entre meus dedos que mais amam do que escrevem. Nada se possui em ser só, nem mesmo a solidão. Tempo é solução naquilo que acredito ser eu. Eu numa vida sem mim, na luz de ninguém. Precisam saber o quanto amo? Amor nada espera do amor. Amar é companhia. Amor é solidão. O céu busca a eternidade ao olhar olhos inexistentes. Tudo é sacrifício, não vale a pena ser. Tudo é em vão, no apocalipse da dor. O ser e o nada remendos de uma saudade, que rasga a vida e permanecem remendos da alma, dos olhos e do jamais. Tira a alma alheia de mim como sombras ao vento. Nada será o que quer, apenas é capricho. O ser pelo ser, não sobra nada antes do ser. Escuridão aberta à vida, à volta de ninguém. Se retirar esse ninguém, fica apenas a morte na luz de Deus.