Blog da Liz de Sá Cavalcante

Individualidade

A individualidade do céu permite ao céu ser da vida. A autoestima do céu é sofrer nas estrelas, no universo. O céu fala apenas tristezas e o sol, sem o céu, lhe compreende como uma poesia: é o amor do sol pelo céu.

Credibilidade

A morte é meu ímpeto na remissão poética. Devo ao nada a minha vida. Devo ao existir a beleza do amor. Amor é como tirar de mim o que não preciso ser. Faz de mim o amor mais bonito para a lua não se esconder do céu. O céu balança o berço da morte sem a morte. É uma realidade emotiva, não é alucinação. Tudo que cuido é real. Este é meu ser em mim.

Inaudível

Recorrer, conseguir voltar ao tempo, ao real. É tão incerto, mas é mais que o céu, que qualquer vida. É mais que eternidade.

Crepitar

Crepitar o céu. Deixar o céu em nuvens de amor. Deixar os movimentos da alma mais leves que o sol do céu: isto é ser feliz. Monólogos, essência da eternidade solitária dos sonhos. Nada se faz só. Sou ativa até só, como uma rosa que não se torna jardim. A desevolução é a morte que sempre é a mesma. Está se degenerando como uma lágrima solta no céu.

Aptidão para amar

Cada vez a distância se une a mim. O amor é distante perto: é tudo. Nada resiste ao tempo, nem o tempo. Não resisto, me dou ao tempo. Ninguém lembra do tempo. O tempo salva a memória, o amor. O deserto é o olhar que acalma o vento, destrói raízes, fica o amor. Amor é olhar se molhando nas pedras de mim.

Sim à vida

Difícil falar um sim à vida, onde fica evidente que estou viva. Viva para saber que vocês me amam. Revestir minha pele não é possível, mas minha carência sim. A evidência de morrer é minha pele, é sentir, é perder, crescer, ver no envelhecer da pele, que nada mais resta, apenas prontidão sem carências.

Alquimia do amor

A alquimia se dá sem palavras, sem o silêncio, apenas sendo, desenvolvendo meu ser na dor. Sou feliz. Agora aprendi a me amar com um pouco das minhas poesias e me vi do teu lado, meu caderno. Possui a vida, o mundo por ti, caderno, por ti, poesia. Poesia é amor.

Sempre pronta

Sempre pronta a amar como se a vida fosse partir, nunca mais voltar. Mas o retorno da vida é melhor que a vida.

Melhorar a vida

A vida não precisa de melhoras. O fim é feliz como sendo o outro lado da vida. Vida, em mim, sorri tanto. Sinto-me especial como uma borboleta a voar no céu. A angústia pode me fazer feliz num encontro de almas de céu, de vida. Vou ser feliz eternamente só ou com alguém, ou apenas só, sempre seguindo.

Remanso

O remanso é ruim de ver e fácil de sentir. O sossego é o som da palavra. Quem sabe o que é não ser só? Enquanto isso, vou viver onde me procuro. Isto me basta. EU sou uma leveza instável. Sou o céu apenas a escurecer. A paz acolhida pela morte. Um destino de memórias não importa mais. Minha única lembrança é ser feliz numa poesia muda, surda, mesmo assim cuidando de mim, onde ninguém pode cuidar. Cuida de mim.