Vou para o nada. É lá o meu amor. Se eu não tivesse o nada, teria morrido. As palavras, senão forem amadas, não existem. A dor não existe sem o ser, existe na alma. Chorar eternamente não faz outros me verem. Eu existi um dia? Falar é ser meu ser. Meu ser vai além da fala. Não há fala, há o imaginar que falo. A fraqueza não é a fala. Poupar a vida da vida. Flores sentidas na minha alma como se o tempo fosse a reação das flores. Libertar-me das flores numa beleza interior que antes era apenas flores. A dificuldade de me perder no amor fez eu perder a mim como nascer amor em mim. O amor se entregar sem falar me deixa só, como se não existisse fala nem ninguém, apenas o inexistente de mim. Nada sei de mim. Os outros me fazem sem mim. Mas falo para o espanto da vida. Não perco tempo ao falar que sou. Só falo da minha vontade de ser amada. Não reconhecer o amor em mim é me dar a oportunidade de tornar minha morte real. Saudade ao que não vou viver. Não sei até quando poderei falar, ter palavras. Falo nas palavras o que ninguém diz, ama ou sente. Eu sou eu por amor a mim e aos outros. Não existe esperança, então, para Deus? Somos privilegiados. Falar é um dom, é mais leal que o infinito, que a vida. Existir é estar na fala de amor de alguém. Não quero desapontar o céu. Deus compreende minha fala. Por isso, nunca me perdi na fala ou na poesia. O fim é a fala que silencia amor absoluto. Acredito mais na fala do que em estar viva.
