Transformo minha morte numa palavra não dita num sono que preciso. Descansar na fala convivendo com a pior das mortes. Vivo a ressonar vidas. Liberto-me das entranhas no sono da morte. Eu quero dormir no acordar. O sono é a lembrança de Deus no alheamento do meu corpo, inerte a tudo, me fez dormir. Meu corpo emendou o nada na sua morte. Tudo é nada desde que não ouvi ninguém. Ninguém sabe ser ninguém. Tudo arde, sofre. Não tenho a mim. Sonhos são advertência. Comunicar o sonho da forma que sonhei, é transcender. A alma é o que se tem em morte ou vida. Não é essencial ser, o respirar não cessa por isso. Estimulo o não ser essencial como fazendo-se viver. Almas vivem no canto dos pássaros. Silêncio que me oprime. O respirar é inútil na alma. Respirar é o ser no ser. Respirar, superfície do ser. A alma é negativa no espírito. O fim é um sopro de vida. Cada perda de uma alma faz algo resplandecer no ser. Nascer, morrer é a mesma alma. O que se ama não pode ficar apenas na memória. Memória, fragilidade de Deus a correr do céu, deixa meus olhos me deverem minha alma na aflição do céu até ceder ao tempo humano e interferir na minha morte. A privação de vida é vida. Vida participa do meu amor. Substituo a imagem pelo amor. A privação é um amor que vai até o fim na privação de mim. Amo mais. Para morrer, não existe o essencial, existe amor.