Falo no nada. O que existe para mim não existe para o outro. A angústia de não falar me mantém viva. Tristeza é um passo para a eternidade. Nada para ouvir é o desespero de ser. Quero ouvir algo, nem que seja a batida do meu coração. Quero morrer. Nem para isso sirvo. Tudo morre e vive, e eu na sombra. É inacreditável morrer. Nem me lembro de mim. Escutei minha voz nunca. Não escutei minha voz na morte, nem na solidão. Morri surda de mim, muda como minha existência inexistente. O esquecido não é mais esquecido, pois morri. Deixem-me apenas morrer com meus pensamentos, mesmo que não possam ser mais poesias.
