Se eu voltar, a alma volta para mim? Senti a morte sem o fim de mim.
Como sentir o fim? |
Como sentir o fim?Se eu voltar, a alma volta para mim? Senti a morte sem o fim de mim. |
VitóriaComo convencer a alma de que existo me despedindo da vida morrendo. |
SacrifícioConheço ouvir, falar, amar meu corpo, minha alma pela morte. Morrer, sacrifica a alma. |
GentilezaO viver da solidão é a morte. A morte em si não é nada. Esta é a gentileza de Deus. |
IlusãoPosso acreditar na ilusão da eternidade, não com meus sonhos, como meu corpo, o meu ser. A existência é melhor do que sonhar. Mas no abraço existo. Sonho, sou tudo, sou nada. Por isso, sei que meu amor é especial, tão especial que eu respiro amor e faço quem me ama viver. A ilusão é apenas o começo. A vida não é ilusão, é um pedaço de Deus não esquecido, que me faz amar cada vez mais. Por isso, sei mesmo quando eu morrer. Meu amor continuará feliz, sem ilusões. |
IsentaSer isenta do amor me deixa triste. Amo até mesmo isenta do amor, isenta de ser na minha fala, que me faz viver. Não paro de sonhar com o amor, nem mesmo que ele seja sonho. |
O que vive?Os que vivem são os que menos sentem viver. Ninguém sabe direito o que é viver, mesmo que nada me desampare. A vida é o meu desamparo. O corpo vive sem a vida, o ser, a tristeza, a alegria, vivos sem a vida. Não posso viver apenas disso, quero mais. É inaceitável viver. Por isso vivo, como um desafio. A ilusão do que não existe é referência do nada. É essencial o nada para existir vida. Criar é algo, por isso não é vida. |
TranseO que é do corpo nunca será meu. É apenas um transe. E, assim, o inesperado é um corpo vivo na morte da consciência. Meu corpo é o meu corpo. Corpo, alma são apenas me despossuir. Tudo tem alma, até a ausência. A morte faz falta na alma. Um pouco de privacidade. O olhar é o nada eterno. Expõe a solidão como corpo, alma, e tudo é apenas suposição da vida, do ventre. Não é a vida a morrer em mim. Tanto a morrer e nada para viver. Sonhar é essencial, vital no meio do nada. Destruir o destruído. Não é justiça nem covardia. É plantar o nada com amor. Destituo-me criando o nada como sorte de um corpo com alma, grávida de poesias que o nada impede de nascer de mim. Mas sonho na irrealização da poesia, que é amanhecer. |
Falta de morrerEm coma, na falta de morrer. Morrer é interesse da vida. A falta de ser é onde mais sou. Ser é vergonha de viver. |
Dentro de mimMe espremo a dilatar a vida num curto tempo. Aumenta, vida. Vou sofrer mais do que você. Tua perda dói em mim, não em ti. Qualquer som penso ser você vindo a mim. Vem, vida, também tenho medo. Vamos lutar juntas e separadas. Ninguém tem esse dom de dar e se separar do que dei. É sempre solitário este nada de mim. Vive o princípio no fim. O fim aumenta minha relação com a solidão para que eu não seja só. Queria que houvesse pessoas sem a solidão. Carrego-me na alma. Vivo por amor. Eu tenho dentro de mim a grandeza do amor, da reparação do nada. Nada engana o amor. O amor sabe que vive noutro mundo. Só busco em poesias a vida perdida. Não adianta soluçar. Soluçar não é voz. A luz acende a alma numa descarga da falta. Eu vivo minha ausência. Por isso, sou feliz, impecável mais que o céu se ama no céu? O som me separa do real. A realidade é silêncio sem o esforço de viver para mim. Odeio a realidade, mas a morte, realidade infinita, é um pouco ser inexistente. E assim a ausência fica leve no meu ser dentro de mim. |