Blog da Liz de Sá Cavalcante

Insaciável

Insaciável é não estar? É um cansaço insaciável o amor. Insaciável é não ter amor? Sentir é a vida ao morrer. Morrer é sentir a tempestade como sol.

A inteligência da reação

Reagir é um lugar perdido na consciência para criar a inteligência da reação. Fantasiar o nada não é o nada. Nada tem a acessibilidade humana como o nada. O nada dá atenção, é vida. A procura, a ausência é inteira. Um livro está no que sinto, no que me faz amar. O amor é apenas certeza de viver. Pousando para a vida me sinto estrela nas ondas azuis do céu. E assim a eternidade é apenas um suspiro no meio da noite.

Estrela

Se existem estrelas, para que existe ser? Ser é falta de estrelas, do iniciar, do encerrar algo. A aparência é desaparecer na aparência para desaparecer com uma estrela. Cessou o tormento da aparência. Nunca vai ser um ser. Estrelas que se vão na ponta de uma agulha.

Me revirar

Só há uma separação na presença. O alicerce é o nada. A voz aparece na consciência, não no ser. O meu ser, diante de mim, não consegue ser eu. Diante de mim, sou tudo: na vida, no meu amor, na minha tristeza, na minha alegria. Tudo revira a vida, tem a gentileza do céu e o céu sente meu revirar. A ausência me fez pensar no esmagamento sem alma na minha paz infinita no que sinto por mim e no que sente o ficar eterno da eternidade. Amo pela eternidade, amo por mim.

Blecaute

Não há diferença entre pensar e ser, pois nenhum tem  experiência de vida. Tudo é emblemático. O ar fala mais que as palavras. O blecaute dos meus olhos é a alma. Pela alma não tenho olhos.

Engendrar (Criar um sentir para mim e para os outros)

Engendrar a luz, o sol, o corpo. O sono vê sem o silêncio de ver. O corpo é o que falta em viver. O exterior não é exterior, é o que sai de dentro do corpo. Viver do corpo é falta de mim, de vida, escalpelando a pele. Sinto a água cair nela. O acúmulo de pele é falta de amor? Conectar-me no que existe apenas para mim se é apenas em mim que a vida existe. O que foi que vivi?

O nascer do nada

O nascer do nada é impessoal, frio, sem amor, longe da vida, como falta de um adeus: isto é uma ascensão. A falta do corpo é a vida. O corpo é a posse da morte, é o despossuir da morte.

Chorar de amor

Chorar de amor, compor a vida e destruir a pele de tanto amor, que torna a pele por hábito. Pele ou vida é o mesmo ser. Escapar do ser, nunca da pele.

Respeito

Respeito pela dor, ela é amor, o meu amor. A realidade finge ser. Não quero destino, vida, e sim amor. Única escada que subo sem chorar, cair. Apenas por amor vivo tanto, esqueço de mim.

Pertencer (Para Pai)

Pertenço-te, viva ou não. Quando se é a vida de alguém é porque sou eterna para ele. O que importa é que em ti sempre estou viva, isso é eternidade. Esqueço tudo perto de ti. Fico feliz como se nada houvesse de dor. Mas, às vezes, é difícil amar tanto assim. Consigo isto, me dá paz, me abraça e consigo viver. Me abraço em nós.