Suportar o nada é viver tudo que posso ver. É o nada. Entre o nada e o ser prevalece o nada. A alma é evitar morrer de alma, tirar o ser do ser sem amor, cavando abismos, de sol a sol. Escrevi no abismo o que não existe em folhas, cadernos. A minha existência, minha vontade de viver. Sonhos se vão, formando as estradas, vencendo a luz. Sonhos de luz, ventos de água. Sonhos entreabertos na alma. Tudo se dá em ser. Sonhos de consciência são o céu. Aborto a tristeza no nascer. O nascer mata a tristeza sem isolar de si. Almas, pedras que afundam, coração saindo pela boca, nuvens negras pela fé. Sangrar por dentro de mim como um anjo sem asas. O que o tempo precisa para ser o tempo? O que falta ao tempo? Uma vida, uma lembrança, uma existência, amor? Sem estar, a vida parte. Eu participo do não existir entre as mãos e o sonho. Muito tempo passou sem o viver das mãos e alma combate a falta, não supera ter as mãos. Patinar no sol. Revivo tuas mãos nas minhas. Minhas grades do amanhecer sorrindo. Sorrir é morrer. Universo é a perda das mãos no olhar. Olhar são mãos que escutam. Converso com a alma no fim da fala. Falar é ser objetiva em não existir. O existir sustenta apenas o voar dos pássaros. Nada é como antes, como agora, como depois. Não sofro a morte. Sofro a parte impossível da morte. Reanimo o céu. Eu lembro da minha morte. Lembro o que não pude ser. Sei o que jamais vou ser por causa da morte. Mas a culpa não é da morte. Tenho que tentar viver, mas viver não faz eu ser eterna. O que é eternidade? Um pedaço de chão? Corpos de vida. Chão de giz. Manter, na alma, Deus é impossível. Me prendo no meu amor como tornar alma no depois da alma, como se o pássaro não pudesse voar. Voar é o que dá força ao céu. O não voar é natureza. E, no esplendor da inocência sem voz. O tempo existe para o amor. O amor não disfarça ao chorar. Chorar é para poucos. Recuperar a minha alma sem a alma é o absoluto. Continuar a minha descontinuidade em mim é me superar, não ficar entre a vida e a morte. O silêncio é a origem de Deus no falecer do nada. A vida separa a alegria da tristeza. Tem coisas que não tem explicação. A morte nem Deus explica.