Blog da Liz de Sá Cavalcante

A existência do fim

Descer até a alma num ser que vai ser eu um dia. Viver da falta de amor é crescer de amor. Elevar o vazio vagando em estrelas é nunca estar só é confiar num mundo melhor, onde todos são felizes. Sem rumo, chego depressa em mim. A luz sobre a luz é inconsciência. Inconsciência é amor porque o vivo em mim, não vive em ti, vida. Seremos diferentes? Vidas opostas no mesmo amor? Desestabilizar a alma que não sofre é espírito. Sonhar sem distância é não sonhar, mas não há distância entre o sonho e o real. Me contenho em mortes que duram por sonhar nelas, as coisas que farei apenas ao morrer. Descobrir a minha inexistência como alma infinita. Tenho experiência em morrer, é quando a pele ama por mim. Meus dedos mexem. A vida a coloca no amor sem mãos. O confinamento da pele em mim são minhas mãos. Sorrio em mãos sonolentas. Me ver na pele ou em mim? As mãos acordam poesias. O desconhecer é amar no divino.

Pertencer

Quem pertence ao que não lhe pertence. É real, mas não dá para pertencer a vida, mesmo sem pertencer. Amor pertence ao infinito. O infinito tem tudo para morrer. Quis viver.

Poesia de Deus

Luz, decepção dos olhos e da alma. Toda morte me consome. Toda morte entra dentro de mim. Eu tenho apenas a morte e ela a mim. Solidão num único pensar: morte. Flores arrumam o amor num olhar triste de poesia e de Deus. Luz sem flores, paz sem vida. Oculto meu ser nas flores, em tempestade de Sol. O máximo das minhas mãos são dedos de argila, de dedos: alma de retratos, algemas sem morte. Amar é fé valiosa. Rosas atingem o céu no meu aparecer. O céu adoece a alma. Renascer chamando pelo céu é morrer de novo.

Espiritual

O ser não tem céu, se espiritualiza na solidão. É como nada surpreende Deus no céu. A solidão é Deus, é o amor de Deus. Solidão do sonho é a certeza. As flores abandonam a morte. Amar são duas metades num único ser. A alma é a rotina, é enfrentar o desperdiçar da vida em cavalos alados no céu que vem da Terra que conduz a cuidar da Terra entre as estrelas e o fim. A compaixão das estrelas é o céu. Morrer, virtude eterna. Nada é lealdade se nada for morte. Te dei estrelas. Tentei te dar céu, eternidade. Minhas mãos são simples como a morte, com um corpo que não é morte, nem vida. O que sabe meu corpo nem eu sei. Estou feliz sem nada. Saber do corpo estanca a pele, faz sorrir. A substância do meu corpo é Deus. Nascer sem corpo é não ser espírito. Perdi mais que uma filha, perdi o espírito. Perpetuar a alma com a lua. Me pendurar como estrela no reviver do céu do meu amor. Nascer é dever a vida à vida. Nascer não pode me separar de Deus. Obstinação, ficar nos teus braços é o mesmo deserto de Lua. Amo na lua que me imita. Nascer, nascer sempre só no outro. Não notei as nuvens, vi apenas céu. Páginas são remendos do que gostaria ao me esvaziar. No silêncio sem ser, sem noite. Tenho apenas dor para me refazer e o silêncio se torna melhor, cala meu amor. Amor sentido sem a imensidão de respirar. Perde-se no próprio olhar, na compreensão da vida para o fim do silêncio noutro silêncio de amor, de reconciliar a morte e a vida em palavras que nunca foram ditas por mim. Meu nascer falou por mim, calou a vida na eternidade.

Expectativa

O ser é a inconsciência de Deus no existir sem nós, sem proximidade. O ser nasceu morto.

Poesia indefesa

Ouvir o sonho como uma borboleta nas asas do céu. Vibrar, gritar alegria. O amor da vida não dura, permanece em mim. Eu sou a duração da vida na tua alma, na minha alma. Solidez, força é morrer. A força de um adeus é salvação de muitas vidas. Vida é perda e amor. Chovem as rosas do meu silêncio até desaparecer o real pelo meu silêncio. A vida tem que sempre ser uma voz interior de onde nasce a vida.

Ouvir o sonho

Ouvir o sonho como uma borboleta nas asas do céu. Vibrar, gritar alegria. O amor da vida não dura, permanece em mim. Eu sou a duração da vida na tua alma, na minha alma. Solidez, força é morrer. A força de um adeus é salvação de muitas vidas. Vida é perda e amor. Chovem as rosas do meu silêncio até desaparecer o real pelo meu silêncio. A vida tem que sempre ser uma voz interior de onde nasce a vida.

Intimidade

Deixei a vida vazia no meu corpo no inexplicável do meu ser. Morte é a união de todos os corpos na falta do fim. Nunca terei um fim e cada poesia prolonga o amor até onde ele não existe. Intimidade é manter as mãos, as almas na eternidade da fala que alguém me vê na minha fala. Responde com o olhar, com o amor, com a paz. O fim é apenas lembrar de viver.

Poesia da poesia

Deixa a poesia falar em mim com o teu amor, vida. Tudo cala ao sentir a poesia. A vida para o amor para sentir a poesia, se apropria dela. Fui eu que escrevi, dedico a vida, a luz da minha alma, a minha solidão, ao Sol, à existência das flores e à maneira como o amor toca a natureza, existindo para ela de maneira única. Gostaria de ser uma flor para ser tão amada pelo amor. Tenho a sua fragilidade, seu amor, seu tempo de ser feliz. E, assim, continuamos a viver, lutar, livres como o amor. Eu sou tua flor, tua vida. Me ame baixinho, em silêncio, mas tente até falar. Sossegar tua alma. Morte, sei que vai me amar antes de eu morrer. Confio em ti, morte. Esta é a poesia da poesia.

Canção que não se escuta

Nada é concebível no nascer do morrer, intacto na alma. Tenho amor a dar à consciência pela luz da fragilidade. Janelas, portas vão cair para ver o amor. Vai ruir para sentir o amor. Até as pedras amam, vivem no amor que têm. Flores amam mesmo mortas, e a vida não pode ser um jardim. Posso ter flor no coração. Posso ter alma apenas para o céu. Por isso escuta o desejo sagrado de falar. Pense na paz do amor e o amor virá para quem ama. Amar para não me desiludir. Amor é prece, intimidade na dor e na alegria. Apenas o amor me faz viver. Vida que completa a minha vida. Dormir no amor é existência em mim. Conseguir acordar amor é ver Deus, abraçar Deus em alguém.