O corpo não é concreto, torna tudo concreto. O ser cria a realidade com o corpo e a pinta com a alma. A única marca que o real me deixou foi o desejo de que tudo seja um sonho. Realizar não é sonho, é apenas o ego me deixando. Volto a mim em sonhos. O sonho é de escrever. É um sonho apenas em declínio, uma desproteção. Minha alma exposta ao que pensam. Por cessar a poesia noutra poesia, perdi a fala. O direito de lutar é desistir de mim, é a perda que amo, que me faz feliz na ausência de mim. Vida e morte são o mesmo nascer em busca de um fim eterno em lágrimas doadas, como um último adeus sem ser. A aparência da lágrima é um lamento ao céu, à vida, à morte, ao renascer. Fica o afeto do ver em lágrimas. A única marca que o céu me deixou foi o vazio. As marcas da alma, do corpo, apenas pele. Marcas, traumas renovam a esperança e fazem da vida uma fé inabalável. Como emendar uma vida na outra. Aproveito até quando nada existe. Meu ser encontra tudo nas mãos. Elas derretem, ficam os sonhos e sua fé inabalável. Se tudo é eterno, tudo é sonho. Carícias dos meus sonhos é melhor que carícias da alma. Sonhe comigo e terá serenidade das estrelas. Nunca mais deixará de sonhar.
