O olhar me percorre de luz que nada se quer em morrer. Que sentir entra como uma trave? Nada se vê no amor, o que vê se torna esquisito em ver. É tirar o firmamento com um olhar. É ter a paz de ontem, como se fosse o amor. Fosse o que fosse, não há, nesse recuperar o que fosse. O que for surge no voo dos pássaros num sol feito carrossel. O olhar plantado no simbólico. O simbólico é a falta de ser. Desestabilizar o simbólico não é compensar o que sentir. É unir perdas. O corpo é uma estaca que tento cravar no chão até amanhecer com fobia de voar e ver. E se meu ver voar na minha liberdade? A gratidão é vazia. Se eu nego o acontecer que nunca vem. O ver atrai e esquece minhas lágrimas. Ele as repugna. O ver se vê no nada. O ver é a inutilidade da vida. É um recurso ao mundo onde a frequência, com alma, é conviver no obscuro sem fases. A vida é sua única fase. A vida é casual, eficaz para si. Na sorte de um adeus. A consolação é o vazio, que vai alterar sensações que sentem o máximo de si. Nada distrai a alma do viver. A cada destino, eu vivo só subindo no tempo. A consciência é um corpo sem vida. Consciência é tirar o céu do céu. Falta na consciência a inconsciência. Ter voz acalma a alma. O amor é a convicção de fugir da vida, do céu. Notar minha presença sem assustar estrelas. O ser é a vida que se cala. O princípio é o fim do começo. Preciso me olhar, ter o olhar dentro do meu sonho, é como não sonhar. Como se eu não pudesse sonhar numa flor, num suspiro, onde a dor é melhor do que sonhar, onde a dor esconde o respirar num recomeço do meu corpo, onde não saio de mim. Reinvento o sono, o tempo num espelho de água, que não derrama, deságua na paz de ser triste. Sentir é só porque é ser entre a vida e o sol. Minhas mãos vazadas, o destinar a vida ao sol, viver de amor. Há um abismo entre sofrer e dor. A manifestar o corpo, o instante dura, se faz no meu corpo. Do meu corpo, nasce a minha vida, e da minha vida, morre meu corpo, o nada. Por isso, nada traduz algo para as palavras de Deus. E o mundo é o pivô da vida. A renúncia é um navio que afunda o mar. Eu afundo o infinito. O mar é o sentir absoluto do céu. É a plenitude dos olhos no amor. Dar de mãos fechadas. Na alma do amor elas abrem. Estou acima da vida para ver a lua e me sentir enluarada. O medo me teme e eu sou feliz.