Fugindo do nada nas paredes do existir. Foi assim que me conheci no amanhecer. Nada pode ir até o amanhecer: isto é invalidez, inconstância, vazio.
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FugirFugindo do nada nas paredes do existir. Foi assim que me conheci no amanhecer. Nada pode ir até o amanhecer: isto é invalidez, inconstância, vazio. |
CarinhoPenso ser, é como um carinho. Sinto falta de carinho. Carinho sou eu. A generosidade é a maior escuta do mundo inteiro. Nas horas incertas, acontece o melhor: que eu sou eu. O infinito é um lar. Tocar sem mãos é ter mundo inteiro. Lá fora, o mundo, a vida, é onde me reconheço no meu nascer de mim, da vida, do amor. |
MaturidadeNão ser mais é viver. Sinto-me mutilada em ser. A velhice é o amargor que faz. A velhice pode ser reconhecimento. Nada se perde ao morrer. Isto é maturidade. |
SuperaçãoOs olhos da morte veneram o que sei. O que sei não é morte. Tenho que superar o que sei com a morte. Morrer é saber mais do que eu. |
InsistênciaConviver é vazio, amor preenche na morte. Mesmo assim tenho medo de morrer de solidão, cega de sentir, amar. Prefiro não ver o amor, mesmo sem encanto comum. O amor sempre é encantador. É por ele que me sinto escrever, não por mim. Conviver é melhor que sonhar. A morte não sou eu. São perceptíveis os meus sonhos. Nada posso fazer na vida. Sonho, invisto, insisto no sonho. Sonhar é uma ansiedade de paz. O máximo do sonho é a falta. Minha mudança não é morrer, é sempre sorrir. |
FimO fim é o amanhecer, se derrete de amor por mim, em mim. Sou outra, sou o que nunca a vida terá: permanência. |
ConfiançaSou paciente da vida na confiança de depois. Deixei a alma para ter Deus. O depois é o que nunca vou ser depois da alma. O espírito depois do espírito, a morte que nega o fim. |
ComeçoO começo da morte é o ser na volta dos que não foram. Desaba amor em mim para eu te sentir. Amor são os olhos do coração. A vida é apenas sombra da minha dor. |
UniversoSinto como se o corpo fosse uma solidão. Tive medo da pele se romper, como se fosse o universo. Nada quis da solidão, apenas o universo em mim. |
OuvirO amor não é vida para a vida. Amor é apenas esperança de não ser só no cheiro da vida, na vida. Conciliar o céu em estrelas de poesia, sequela de Deus. Deus tem limitações. Extrair da vida a mudança do amor numa suposta vida. Para que reverter a morte? Para ouvir o suspiro longe da minha voz, do meu ser. Assim, sinto-me viva, sem descoberta, apenas o óbvio, o fim de mim. |