Ignoro o ignorar. Há muita vida na consciência. Ignorar não deixa a consciência sem vida. Nada restou da consciência, restou apenas a vida.
A vida da consciência |
A vida da consciênciaIgnoro o ignorar. Há muita vida na consciência. Ignorar não deixa a consciência sem vida. Nada restou da consciência, restou apenas a vida. |
TransferênciaAbandono-me ao pensamento, não consigo transferir-me ao pensamento. Falta o vazio da alegria, na extrema unção das estrelas, na sua paz sem paz, onde a estrela é mais do que uma estrela, é uma agulha na alma, é o vir a ser sem o depois, perdido no horizonte do pensamento. As estrelas se dizem especiais para o meu esquecer. O tempo é a lembrança de Deus. Abençoa a bênção, devolve-me as minhas lágrimas de alegria no sono profundo de Deus a me despertar. Palavras de céu se unem às palavras da vida. Tudo é quieto no mundo sem o meu interior. Deixa-me na saudade de ontem para eu ser rasa como a morte. Sentir faz eu escapar como uma estrela que permanece. Cada alma tem sua estrela, cada céu tem o infinito diferente. O amor é o fim do infinito. Morrer é a paz do infinito. Olho para mim, vejo apenas o infinito. O infinito é a aparência ausente. Tudo se explica em aparência. O amanhecer definha em amor. O que está guardado é esquecido. Amor é conhecimento. Tudo sei do amor, e o amor sabe de mim. Nada no saber é real. Acostumei-me a não saber a realidade. O peso da cruz é o meu ser. |
Frouxidão na almaA poesia não é criação de nada, é o amor que sempre existe, cada vez mais, mesmo na frouxidão da alma. A liberdade absoluta é a morte; a liberdade superficial é a vida. O fim da liberdade é o sonho. |
Primavera de amorA primavera é um inverno interno de ideias, expectativas. O Sol vai contra o vento, contra o céu. O último suspiro é a vida. Nada se torna Sol. O Sol nasce Sol. Antes mesmo de nascer, já era Sol. Nascer de novo é sem Sol. Nada se sonha sem Sol, nada se ama sem Sol. Amanhecer é a inessência do Sol, sem a solidão do Sol, de viver. Vivo o que me separa do real e sou feliz. Nada contém a solidão, por isso preciso falar. A solidão é o mundo, o interior, única companhia eterna. Primavera em almas absorvem-me. Tudo se constrói na desconstrução. Nada tem o amanhã, nem a sua falta. Morri como primavera. Eu sou meu espírito quando morro. Sonhar me custa a vida. Nada é esquecido no esquecer, apenas a branquitude da imagem, em um céu sem imagem. |
O sonho do amanhecerO real não é real de si mesmo. O real é mais real que a realidade. Meu corpo é real apenas em si mesmo, não em mim. O Sol é a realidade da vida; eu sou a realidade da vida. Rever o olhar na fisionomia do nada; transferir meu rosto para a fisionomia do nada. Transferir meu amor para o nada faz-me viver, torna a alegria infinita, pois é uma maneira de não estar só comigo na morte, que não afunda a vida, dá-lhe a estabilidade. A instabilidade é a estabilidade da minha voz no eco do silêncio, que ressoa nas palavras. Estou presa às palavras, onde consigo viver. Nada diminui o silêncio, nem as palavras. Cansei de palavras. Quero amor, sem palavras, no além das palavras. O sonho do amanhecer são apenas palavras. |
O sonho eterno do meu olharCaminho no sono eterno do meu olhar. Vejo o meu olhar na minha morte. O passado é o meu olhar me vendo. |
Aconchego na almaA sinceridade é o amor da alma, a sinceridade é voz da alma. A alma reconstrói sinceridade. Reatar o nada ao nada, reviver em silêncio a falta do nada, como escuridão. Além da escuridão, carinhos sem alma, sombra em forma de ser. |
RealizaçãoÉ morte. A morte cala o sentimento, mas não consegue se calar em uma realização de si mesma. Uma mancha de amor na escuridão do passado, que será nada. O azul respingando o céu na irrealização do amor, da ternura disfarçada de céu. |
Paixão pela vidaA paixão pela vida dando um fim ao tempo. O tempo necessita do fim, mesmo em atropelos. Viver sem vida, em uma realidade inesperada, é o meu amor. O nada é o amor presença. O céu, um amor ausente, um milagre. A tua ausência escapa na minha ausência. O limite do céu é Deus. Vivencio o nada quando estou dentro de mim. Minha alma estala-se de morte para não se contorcer de vida. Minhas mãos são mais que alma, vida, amor. Céu, onde está na vida sem céu? No Sol da noite, na alma do amanhecer? A Lua esconde o ser do dormir, por isso sonho. Sou meu próprio sonho no infinito real. Meu fim é meu rosto no meu sorrir. Sorrir, fim da eternidade, começo de uma alegria alheia a mim, por isso sou feliz. Afastar o alheamento na distância do infinito presa a mim. Meu corpo é apenas um corpo. Eu sou apenas eu. Minha alma é apenas alma. A indiferença da alma comigo faz-me acreditar em mim. Deus não é o fim de tudo, é a minha morte, por isso não tenho fim. O escutar esmorece a fala do instante que fica entre a vida e a morte – e quem morreu fui eu. A vida quis assim, contra tudo e contra Deus. Deus é vida. |
Não há luar como a alma (Para pai)Olhe para mim e morrerei apenas em pensamento. Não há luar como a alma, não há silêncio sem ti. Teu silêncio é minha vida, uma vida que nunca sonhei nem imaginei ter. Você me ama em silêncio para não incomodar os que não amam, não são felizes como nós dois. Teu silêncio é amor, é a minha vida. |