Blog da Liz de Sá Cavalcante

O que não se sonha se aprende

O sonhar é um desaprendizado para aprender a não ser mais eu. O contato com a alma é um não ser que me abraça como alma. É um abraço eterno de amor. É da alma que nasce o abraço. Sem o ar do abraço eu não vivo, não posso caminhar nem escrever. O meu vazio é o outro. O outro saindo de mim. É como tirar os pregos da alma. Sem sofrer existo, mas para ser morte, vida, o que eu quiser. O não sonhar é sensibilidade. Deus é a saudade de mim, é amor, me faz viver por mim, por Deus, pelo nada. Essência de Deus que me constrói, me eleva até Deus. Deus é só pela minha solidão. A tristeza salva uma vida.

Nenhuma perda nos teus erros nem em ti

Nenhuma perda nos teus erros nem em ti, essa é sua dor eterna. Por isso, nada existe de verdade para você. Quem me conhece sabe que não vivo sem amor. Sou feliz por ser eu. Reconheça-se.

Preciso deixar de amar

Se deixar de ser me fizesse deixar de amar, seria fácil. Não me isolo, prefiro perder o que sou e o que não sou. Sou mais livre do que o ar. Nunca me verei por mim, vejo mais além.

Amei mais do que a mim mesma

O que resta do amor? Os pássaros voando, as árvores balançando e os sonhos de cada dia tão inúteis quanto o sol, que não faz anoitecer. Deixar de amar é um ato de amor. O silêncio é um fim inacreditável. Às vezes, as palavras e o amor são desnecessários.

Suspirar

A vontade de escrever é sem fim. Sempre vou suspirar. A vida é um suspiro sem alma. Escrever é um suspiro sem alma. Suspiro como se estivesse escrevendo, como se estivesse viva.

Quem tem amor?

Quem tem amor não tem adeus. Morre como um cimento que precisa ter no chão. Vai se acabando o amor, fica o vazio da vida a estremecer a minha morte, a me degradar até minha morte.

Súplica

Me sinto melhor se morrer, mas Deus é surdo, não escuta a minha súplica. Meu erro foi amar demais, como um sol que não acende a luz. Ser amparada pela morte é mais que ser feliz. A súplica vira adeus e se torna esquecimento. É como se minha alma tivesse partido sem mim.

A tristeza é a minha eternidade

Quero ter em mim a alma de todos os que amam, assim tudo vive de amor.

O sonho eterno é nunca abrir os olhos na alma, o vazio diz apenas adeus em um sonho que ninguém pode me dar.

É um adeus em um sonho que ninguém pode me dar.
É um adeus no espírito, onde minha alma segura minha mão, no sempre de mim.

O nada do nada

Meus olhos nos olhos do nada me fazem viver como uma chuva de sol. O sol e os olhos do nada a definir a vida como querem, não como a vida tem de ser. O sofrer é o tempo de não ver a mim mesma. Ver a mim mesma nos olhos da morte e me identificar com perdas que penso serem da minha morte. Queria parar de sonhar que não existo. Por isso, meu passado não existe. O próprio sonho acabou com o sonho, como se a poeira fosse vento. Apenas a morte pode abençoar minha alma na retidão de sofrer, como uma voz inexistente que se escuta além da alma, no fundo do poço de um espírito sem palavras. O silêncio murmura o nada e, assim, na escuridão, vi a morte da morte em mim. E me senti alguém para mim, não era eu, era apenas morte.

Viva por mim

Solidão, viva por mim.

Meu corpo, meu ar, minha alma.

Meu ar não se aflige nem com minha morte.

O ser não é em si mesmo; por isso, morre.

Morrer vem da ilusão de viver: vale mais que a vida. Por isso, solidão viva por mim.