Blog da Liz de Sá Cavalcante

Verdade

A verdade é a falta de esperança, é amor. A existência é nunca viver. A poesia se mistura com a minha alegria, onde pinto a vida de céu. A verdade me faz feliz.

Alma de pedra

Almas são pedras do ser a serem levadas no vento. Cada pedra é um Universo dentro do ser. Não importa morrer, importa o que ficou da morte, ao penetrar almas de pedras.

O céu humano e o céu de Deus

A perfeição é a morte. A ausência de sentido é o ser perfeito. No céu nasceu o ser. A alma é onde se esconde o céu sem mundo. A morte é a luz natural sem Deus. Não há morte na minha escuridão, que apaga a vida sem reagir. Qualquer reação afasta Deus da fé de viver. A reação é Deus sem fé. Escolhi Deus para Deus. Deus é o Sol da minha ausência, em uma eternidade finita, para uma vida infinita. O infinito sem Deus é a eternidade. Deus é um meio, não é um fim. O fim dos meus olhos é Deus. Deus se ama pela intuição de não ser. O céu humano é Deus, o céu do céu é meu ser. Deus é sem lembrança, por isso eu acredito em Deus. Ele nasce de mim, uma simples mortal. O Sol são cinzas do pensar. Pensar não se vive.

Estou fora no lado de dentro

Deus é poesia. Deus e Deus são a mesma coisa, mas é diferente de Deus. Depois de você, a vida, na morte de Deus. Agora somos apenas eu e a minha alegria.

Como misturar amor, poesia e alma?

O amor não faz parte da vida. O não criar é criar. Nada nasce do absoluto. O absoluto é uma poesia inexistente. Tudo torna o inexistente existente. A alma não tem substância. A falta de identidade da alma é minha identidade. Meu esforço de ter alma é meu ser na alma, isento de mim. Esforçar-me em não ter alma sou eu sendo o meu amanhecer. A coragem de tornar o Sol minhas mãos é como dar vida ao meu corpo. O amor é o infinito todo em mim.

Educar a alma

Nasci da alma. Educar a alma para a vida, para o desnascer da alma. Condeno a morte ao meu fim. O começo da morte é a vida.

Encantamento

Um Sol de cada vez para este encantamento ser eterno. Ver, ouvir, isto é me iluminar por dentro de mim.

Vida irrefletida

A vida se reflete no irrefletido. A aparência é o irrefletido. O céu do céu é o amor. O corpo não me torna um ser. O amor se transforma em vida, em morte, em sombra da ausência. Para o ser ser nada falta muito. Troco a vida pela alma e, assim, sou eterna. O nada sente a alma de outra maneira, sente a alma como fim. O fim despreza a alma, vive para mim.

Sofreguidão

Do silêncio nasce a vida. No silêncio consegui falar de mim, ser eu. Ser eu na sofreguidão do nada. Um grito sem dor é alucinação de amor. O espelho da alma é o nada. Nada seria sem o nada, mas ainda seria feliz, como uma ilusão descendo no mar, mar do meu amor. Vai cair no mar do alto, sem descer ao mar. O mar me expande, fazendo eu esquecer de mim.

Amadurecer na distância de mim

A vida nada constrói. Ela é a falta de uma presença. Nada substitui a vida, nem mesmo a presença. A presença modifica o ser em um amanhecer sem morte, pura dor. Tudo sinto na vida e na morte. A Lua da noite é a tempestade do amor. O silêncio rompe a barreira do tempo. O único obstáculo para o tempo é o ser. O ser para si mesmo é o tempo. Que falta faz o ser no tempo? É a mesma falta que o tempo faz a si mesmo? O tempo é cru dentro de mim – eu ainda sou crua. Esse amadurecer da essência de mim, na distância de mim, é colocar as minhas palavras no tempo. Minhas palavras salvam o tempo na sua inexistência. A alma é a profundidade do tempo.