Meu ser é onipresença da vida. O momento certo é a morte. Sou feita de morte, transparente até morrer, até sangrar de amor.
Onipresença |
OnipresençaMeu ser é onipresença da vida. O momento certo é a morte. Sou feita de morte, transparente até morrer, até sangrar de amor. |
Subestimar a morteA morte é como escrever, escondendo o nada. O medo de ser feliz é pior do que viver. Ouvir me dá mágoa da morte. O que fiz para a morte? Intenções vazias são a essência da vida. Ser para morrer. A sensibilidade é um sopro da vida entre mim e eu. O tempo das mãos é tocar o esquecimento, como um véu. Não sinto o que sou. É como conectar-me aos meus olhos e deixar o vento me levar, tampando a rolha do meu amor. Nada se amplia, diminuem-se almas. Tirar a alma de mim é recuperar os meus pedaços. Minha alma é um testamento de amor. Como identificar-me em mim? É tão improvável um ser no outro, o que ele é para si mesmo. Como fui parar em mim? Às vezes, ouvir é o medo da morte: tranquilidade da fala, que suspende o nada na anulação do ser. Somar o somatizar como um ser no meu ser para reconstituir fragmentos de Deus, onde Deus está inteiro. Quem sou eu sem saber o que é a morte? Sou eu sem ser algo agonizante da dor. |
EstagnarA poesia me estagna para eu suportar a dor. Minhas mãos não sentem os cadernos. Tremem de amor na ânsia de escrever. O romper do meu corpo é me abrir. O prejuízo da vida é o meu corpo, doença fatal da alma. |
ImortalidadeA imortalidade é ser tão mortal que minhas poesias morrem por mim: é ter que sustentar o ar para amar a poesia. |
O tempo é o amor que não posso darApenas olho o tempo. Nada posso fazer por ele, nem ele por mim. O real e o irreal são separados por uma sombra de humanidade. De longe, a sombra parece Sol. A sombra separa o mundo do amanhecer, do ver eterno. Falar é o Sol dentro de mim, no desnível do mar. Sonhos me esperam, me dizem algo além da fala, do universo, me dizem adeus. |
TransbordaVencer o medo amando como um cristal que se quebra e se torna eternidade do amor o vácuo de transbordar na minha voz. É o silêncio, é a coragem de ser só na alma. Vivo, não me deixo viver. Sinto minhas mãos mudarem. O ritmo da minha vida, onde tudo são gestos e o aparecer, imaginação, e tudo termina em um consolo, de chorar na minha eterna paz. Quando não é paz, imagino ser a paz da morte, delírio que ajuda a ter mãos para escrever o que nunca terei tempo de escrever. |
Não sei o que é viverO que penso do pensamento? Quero exclusividade no pensar? O que é paz ou o que é guerra? São a mesma coisa. Por isso sinto o vazio. Estou sempre em guerra com a vida. As mãos tudo tocam, não consigo tocar como as minhas mãos tocam. Vivo das minhas mãos. Mãos sufocam o destino. Lembro-me das mãos da alma. Me deixam sem mãos para escapar de si em Deus. É uma instabilidade, um temor de dois extremos: o nada é o nada para viver? Quem sabe Deus venha como sonho. E o despertar, sendo ilusão de Deus, e as montanhas cedem a Deus para haver Sol, vida. Mesmo plena de mim, não sei o que é viver. É tão profundo, vivo, intenso, fundo, que se apaga nas areias do deserto. |
Versões do nadaO ser falta ao nada, versão de um crime. Não basta ser, tenho que morrer. Nunca eu alcançarei a alma. Ela está no inalcançável, não tem poder sobre mim. Meu corpo é uma forma de amar me sentindo. Meu corpo não se desenvolve, mas as versões do nada lhe dão vida interna e externa. A altura é o amor. É mais difícil de amar. Palavras são tristezas, vínculos, irreais, exemplos de vida. Quem sonha com alma nunca está só. |
Evidências do céuCada sombra em que me encosto, cada corpo que se aproxima cada vez que nada me faz ser. São evidências do céu, que, para ser, é necessária a minha alegria. Entre o céu e a minha alegria, fico com a minha alegria. Espumas da alma sem mar. Brisa num universo apenas seu, onde amar faz parte do universo. A alma sonha tanto, desaparece no sonho e se realiza no irrealizável. Se eu quiser sorrir, basta desaparecer e aparecer de amor. |
Como se fosse euA alma não tem muito de si, ela apenas ama como se fosse eu. Sou feliz a esperar por mim, entre o sim e o não, que é incerteza para poder ter certeza da vida. Cada tentativa é morrer. O parto de falar é mansidão. Nada se foi, tudo será a capacidade de viver, mesmo sem a vida. Sorrir, tempestade de ser. O amanhã é o sorrir de hoje. Tudo que posso viver é o antes no depois de mim. O que é recente na morte é o antes e depois de mim. O passado da morte é o meu ser. Que justificativa tenho eu para ser? O animar das flores é ausência de sorrir a solidão. Eu não sei ser feliz quando sorrio. Transcendo em mim, como refletir o nada. Imunizar a morte de mim é incontrolável. A morte é um ruído sem voz. Tudo se compensa na morte. A vida é seriedade, amor. Controlar a falta do corpo na impressão de viver. Sorrir é cruel na tristeza. Não há situação, há ser. Na falta de um porquê, o possível como possível é a ignorância do pensamento. Faço-me eu. Meus movimentos são o nada que atravessa o mundo. Saber ser é apenas sorrir. A alegria é a totalidade do mar, na frouxidão da vida. As vidas afoitas no latejar das sombras. O olhar é caótico, é evidência de margem onde eu não sou eu. À margem de mim, o meu ser. Evitar meu ser com meu ser. O controle é a dor da alma. Sorrir é tirar um pedaço do céu. |