Resgato meu corpo pela alma. O nada é a composição do corpo. Corpo a corpo é a vida. A vida é a falta de energia do corpo. Sem energia nasce o Sol, sem força de tanta luz. Derreto-me em minhas forças. Suprindo o ar, perco-o. Vejo minha imaginação, perco minha imagem como uma imaginação avançada, não toma conta de si, nem dá conta de si mesma. A referência do corpo é o obscuro do nada. Ver é não ter alma. Relaxo na morte dos teus sonhos, mas não morro. Sou a morte dos teus sonhos, nos teus sonhos. Despertar o Sol seria como me ver. Ver é o Universo na luz do ser, um sonho de luz banhando o Universo de sonhos. Sonho é o esgotamento do ser. O sonho é a película dos olhos. O ver é o mundo fora do mundo. Nada vem da mente. O pensar separado da mente é uma luz no fim do túnel. A luz das lágrimas é o amor. O fim é sem luz, sem mim, sem escuridão. É a certeza de que nada existe. A luz é a conformidade de nada existir, nem no tempo, nem no espaço. O nada se abraça. A imensidão é o vazio me deixar vazia. A reduzir o nada à luz, a sombra vira despedida do vazio. O vazio é uma renovação da alma. A luz purifica a alma e traduz em vida a inexistência. Sem alma tenho luz em vez de mim. O sonho de saudade é o vazio sem o vazio. Não importa o que é o nada, importa o que o nada é para mim: é a salvação do vazio, é o extremo sem o nada, é a voz descoberta na plenitude, sem ninguém. Escuto a totalidade do meu olhar sem espelho. Sou apenas um olhar perdido sem mim. Desconheço-me, mas conheço meu olhar sem espera, sem adeus, continuidade do nada, que foi meu um dia. Nuvens do nada a expandir o céu do Sol. O nada sem adeus é o nada divino, é a evolução da morte. Feridas da morte a curar o céu. Reinventar o nada na solidão do nada. O nada não se resolve por ser nada, e sim por ser único. Única coisa viva que existe. Depois que o nada se desfez na espuma da morte, percebi que morri antes de viver. Por ser obscuro o nada, o ser é obscuro em sua morte, como uma realidade divina, que não está na vida, nem na morte, está em Deus. É difícil recomeçar a realidade em Deus. É tão intenso e profundo, que alguns preferem morrer.