Blog da Liz de Sá Cavalcante

Inalterável

O corpo inerte se mutila com seu ar. Um esquecer impede de me mutilar. Esquecer, unir pedaços de mim. O inesgotável da perda é o dia. A paz sem alma é Deus. Deus deixa de ser Deus se for vulnerável. Como restos de mim me mantêm viva? Eu sei o que sinto senão não seria eu. Fazer reparos na vida com as estrelas, com emoção, com indiferença. Reparos não refazem a vida. Vida é o que aumenta a tristeza e a morte. É o que não sai das palavras: é um sonho adormecido. A dor inabalável mantém a alma viva por um sonho adormecido. O que dura lembro. Levanto-me da morte para ver se a vida é uma poesia. O meu levantar é morrer viva. A morte não me leva se eu me levantar da morte sendo ainda da vida. A leveza não me sustenta. Não fico em pé. Desmorono a rir numa alegria como se comemorássemos a vida: carícias na alma.