Blog da Liz de Sá Cavalcante

Fissura (querer muito algo)

Saudade mata. Me empurrei em rosas, pensando ser abismo. Morri pela vontade de ser eu. Sendo, não posso ser pela vontade de ser? O que significa ser? Abismos em pontes? Respirar em flores? Renunciar com alegria a vida que não é de ninguém? Basta isso para ser feliz? E o que eu construí sem a vida? Basta para ser feliz? E se for isto a vida? A fissura é um deixar de ser que conforta. A inutilidade é um pensar. Escondo a dor da dor. O infinito é uma angústia que tem fim no infinito. O espírito é o expressar da vida no vazio de ser. Ser para ser. O nada é um ser perfeito. A magnitude de morrer no desaparecer para aparecer. O que sou apenas em mim como um alfinete que cai por falar do invisível. O que não se sonha torna-se tão invisível que é somente ver pelos olhos do real. Mas não sei para que o real. O real é cego no seu ver. O não ver transborda de amor, é o céu. A morte é o ver no calvário, na decepção, no adeus eterno do meu amor a continuar amando.