A voz é a única coisa que não sai de dentro de mim. Morrerei falando nos meus sonhos. O que torna tranquilo morrer, é ser na morte. O ser não se sentiria um ser se não existisse a morte. O ar é feito da morte de alguém até se tornar minha memória. A minha memória, como um pássaro a sair da gaiola. O ser, para não ser nada, tem que abstrair o amor, abstrair a vida. Sinto-me inexistente como um raio que se parte ao meio. Enterrar o ser sem seu silêncio. É como nunca o enterrar entre paredes dando-se em vidro pela flacidez do amor. Reinvento meu ser. Nada vem à mente: isto é pele.
