Pele machuca. Se minha existência se mudasse para o céu, seria melhor ficar na minha pele em transe, rompendo a pele. Pensei sentir algo além da dor, meu amor. São pétalas caindo e minha pele a alvorecer, florescer na minha única existência: a pele, que me faz resistir à morte. A prioridade é a morte. A pele não se entrega. Milagre de vida em convulsões da alma. Prefiro ser apenas pele a se dilacerar de amor. Vivo meu mundo. É minha pele. Sofre, alegra, só fica comigo. Tiraram minha pele com minha dor. Fui maltratada no desprezo. A pele fala, canta. Durmo como se não houvesse nada, apenas seu amor. Muitas vezes, a pele me fez abraçar. Agora desconheço o amor. Sou só um fim em si mesmo. É a minha pele sem respirar sua fala. Murmúrios de agonia fazem-na renunciar em mim, em pele: solidão.
