Me desligo no ar. Solta, leve, como se não importasse o que sinto, apenas essa leveza insustentável do ser, pairando no ar. Responsabilidade de viver. Apenas um olhar muda a vida, o meu ser. Viver é cuidar de mim. Só, não há desamparo. Só não é ser triste. A distância das pessoas é a vida. A alma estranha a mim é como amanhecer por inteiro. Sou eu, não sinto o agora, o ontem. Sinto a mim esquecendo o tempo, a vida num lapso de ser. A memória é o amor. A desconstrução leva o tempo de que o amor precisa. Será que meu olhar assusta a alma? O que deve a alma ao amor? Sua vida? O vento é a única realidade. Lampejo da morte na escuridão dos meus olhos abertos. Escrevo olhos fechados na luz da alma. O olhar dá um fim à vida. Declama o fim como o começo de viver.
