Blog da Liz de Sá Cavalcante

Amadurecer

A realidade não é o ser, nem o seu amor, a realidade são as perdas do ser. O meu corpo é não ter corpo, ter apenas minha tristeza: esse é o meu consolo de ser só. Não sei se meu corpo quer viver em mim. Sofrer de alma é ter a vida toda pra mim. O amor do meu corpo é o sol do meu corpo, sem horizonte, se perde mesmo sem ser tocado. O nada toca meu corpo de uma maneira rara, especial. Não se pode viver do corpo. Corpo é apenas falta de alma. O silêncio é o esquecer sem alma, perto de Deus, nunca fui nada, nem corpo, nem alma, apenas amo Deus, em alegrias infinitas.

A abstinência da abstinência

Amei o precipício até o meu fim, para deixar de amá-lo com meu espírito a abraçar minhas cinzas. Não sei o que é real em mim. Toca-me no irreal da vida e não vai mais desaparecer sem morrer de tanto amor. Se o amanhecer fosse pele, eu seria feliz, entrando na pele da alegria do amanhecer. Para amanhecer, preciso estar livre da pele. Sem a pele não há adeus que resista ao meu amor. Amo, mas sei o que é o amor?! O que falta ao amor para ser amor? Falta apenas pele. A pele faz falta ao amor como o sol faz que não amanheça o dia. Há dias que me sinto morta, parece que não vivi, mas é apenas falta da minha pele, onde me sinto ainda com pele. A abstinência é a pele que falta em mim.

O nada sem alma

Nem o amor é o amor que lateja em mim. A falta do amor é a sinceridade da vida. A vida é feliz sem amor. O ser é triste, sem amor, é sem mim. Em mim, há ao menos a ilusão do amor. O sol desaparece no amor. O sol é o único espaço, onde Deus pode ficar. O sol é a encarnação de Deus. Sempre é cedo para o amanhecer. Mesmo a vida a cessar, ainda sou eu. Devagar vou morrer até desabrochar. O nada da voz se faz ouvir, até o infinito. Não existe o bem e o mal, existe o eterno na realidade da pele. A pele é o bem e o mal sem realidade. O nada me faz superar a morte, o céu, as estrelas. A pele é a perfeição do mundo. As alegrias, o amor, a tristeza, são um mundo novo. A vida não tem nada parecido com vida. A vida é isenta de vida. Para o corpo ser vida tem que não se dar a alguém. O sol é a continuação da vida. Amo a vida sem vivê-la. O sentir do sol no amanhecer é o fim. Fim, onde fui feliz. A morte é o limite da alma. A alma me faz ser. A morte é a falsa transcendência. Escuto o amanhecer na alma. Logo, o silêncio toma conta de mim. O tempo não se escuta. O céu limpa-se com mortes. O tempo para, o que não para é o ser. Nasci morta, sem morte.

Entranhada na morte

Não separar eu de mim, pois estou entranhada na morte. A separação de mim é a minha alma. Na vida não há o outro. O outro é a morte sem o adeus à liberdade de morrer. Escolher morrer é ter alma para não amar.

Renascer no nada

O renascer é um céu virtual. Não consigo suprir o nada. Nada sofri no nada. Meu nascer é ausência de mim. A ausência do corpo é nascer sem vida.

O sonhar do nada

Nada fará de mim o que não sou. Apenas o sonhar do nada me torna o que não sou. O adeus ao corpo, sem a alma, é transcender, como se não existisse mundo, vida, e poder morrer fosse um privilégio. O sonhar do nada é meu corpo partindo do seu sonho. O corpo é o fim do sonho no aprender a morrer.

O sonhar do nada

Nada fará de mim o que não sou. Apenas o sonhar do nada me torna o que não sou. O adeus ao corpo, sem a alma, é transcender, como se não existisse mundo, vida, e poder morrer fosse um privilégio. O sonhar do nada é meu corpo partindo do seu sonho. O corpo é o fim do sonho no aprender a morrer.

A vida começa na alma

A vida começa na alma para não cessar no ser. Há mais ser na alma do que no ser. Ser é não estar à vontade comigo. A vida começa na alma, no nascer do nada.

O corpo da alma

O corpo da alma é o desaparecer do ser. A morte é alma da alma. O nada da alma é o aparecer do ser. O fim é feito de alma para provar que a morte existe, mesmo na inexistência renascer, é estar morta apenas para mim.

Inencontrável

Posso encontrar todos os mundos no inencontrável da vida. A vida é inencontrável, como a alma, como o olhar. Olhar o inencontrável dá vida ao que não existe. Existir para que, se tudo é inencontrável, nos confins do amor? Que amor é esse que aceita o fim? O fim do corpo é o amor. O fim do amor é o corpo.