Transcender sem morrer é viver, é viver eternamente, como se o transcender se dividisse nas águas do morrer. O sol vai mergulhar nas águas do morrer. Sem o amanhecer, o morrer é vazio.
Transcender sem morrer |
Transcender sem morrerTranscender sem morrer é viver, é viver eternamente, como se o transcender se dividisse nas águas do morrer. O sol vai mergulhar nas águas do morrer. Sem o amanhecer, o morrer é vazio. |
O que é o amor, que existe apenas como alma?Se o amor existe como alma, o ser é inexistência desse amor, que parece existir na alma, apenas a transcende. Transcender transmite o vazio. Transcender a morte, suplicar o vazio inexistente sem mim. Transcender é meu próprio ser, além do além. Neste transcender, não sei se ganhei ou perdi amando, sei que, nesse além, fui além do além, além do transcender. Esse além é a busca eterna de morrer, sem conseguir: nasci morta. |
O corpo pode a alma?A alma não teme meu ser, nem a profundidade. Ela vai sugando a profundidade que agora não é apenas ser, é alma. O corpo é o declínio da alma, de tudo o que sei da alma. Desconheço a alma no meu corpo, ou será a alma o corpo a pesar no meu corpo? Tão pesado meu corpo fica na alma que flutua, esquecendo toda a alma, toda a dificuldade em amar. Para você, vida, sou só um corpo velho, cansado; para mim, sou mais que um corpo, pois ainda tenho forças para amar. Cega da alma, mesmo assim vejo sua luz, a ofuscar o meu sentir. Não há dor que suporte a alma, a alma não teme a dor. Não sei o que é da vida e o que é da alma, mas sei que alma e vida se encontram em viver. A alma me diz como amar, como viver nela, pois me ensina a ser alma. Existe para que eu saia dela, sem ficar em mim. Em mim, eu pensei que a alma seria eterna, mas a eternidade é sem alma. A morte afunda o abismo em que me coloquei. Não há nada que substitua a morte, que saia de dentro de mim sem morrer. O corpo pode continuar sem alma, para que eu possa morrer, liberta como uma flor, a desabrochar sem atenção de suas pétalas. O corpo deixa de ser, para amar, se comunicar com a alma, e perceber que ainda existe alma no amor. |
Como a vida torna-se vida?Morri sem o perdido em mim. Nem tudo é vida, nem tudo é morte, às vezes apenas é. Não morrer é morrer mais ainda. Apenas a morte não desbota na consciência de te ter, solidão. Por causa do tempo, perdoo a vida por existir. Um tempo sem vida, que me acolhe. O tempo sem a vida é o amor. É o jeito de não permanecer. Fazer da permanência solidão é uma maneira de morrer. |
Vida por escolhaQuem escolheria na alma o que ainda existe em mim?! Choro por me dar a mim da mesma forma que estou vazia. Mesmo vazia, preencho a vida com meu vazio, que não é só, é vazio, oco por dentro! Mesmo assim, podia não ser vazia, mesmo sem escolha, me dar a mim ou a alguém: é mais fácil que decidir entre ser e não ser! Mesmo não sendo eu, me sinto eu por amar! Por amor, deixei de amar, admirar, idealizar a vida para vê-la como ela é! O corpo sem a alma é imortal. A imagem da alma é a vida! O nada é lindo na beleza, da ausência, que substitui a realidade, e a irrealidade nas coisas: o real e o irreal delas nunca mudam, mas o sentimento do ser muda, dependendo da realidade ou irrealidade, que me cerca! A falta do irreal é a falta da vida, do meu ser! Caminhos mudam seus destinos, mas o ser não pode mudar seu destino! O destino do olhar é a solidão. Meu ser não é só do meu olhar, do ser, é ir além do olhar, é caminhar pelo vazio do pensamento, me separando do corpo, da alma, não de ti! O corpo sem corpo quer definir como a alma deve ser para sua inexistência! Existir é fácil, difícil é deixar de existir pela morte! Sou capaz de tudo para morrer, até mesmo transcender sem alma, sem a atitude que o vazio me dá! Chega de sonhar com o amor, vou amar, até que o amor me ame! Vida, não posso te fazer feliz a vida, entregue ao sol que não amanhece, à escuridão do céu que necessita de estrelas. A vida continua pelo céu, por mim, mas não continua pela minha ausência! Vejo a vida acabar, mas, pela minha emoção, pelo pensamento, a vida está apenas a começar! Não me ame como se tudo faltasse, por esse amor a vida reinventa as perdas em ganhos, para que eu consiga morrer! A vida não é apenas vida, é o momento interior que me dei a mim. Tantas vidas desperdiçadas em viver, em ser algo em mim! A vida é uma escolha ou conveniência? Guardo minhas distâncias, meus isolamentos, ausências na alma! Nada é distante na alma, por isso, deixando nela minha distância de mim, me sinto melhor do que a alma! Me distancio de mim, jamais da alma! A vida diminui o ser, ao demonstrar o quanto meu ser é inútil em seu amor, em minha vida. Há infinito amor sem o meu ser! A minha vida é a busca do meu ser, com ou sem amor, com ou sem vida, meu ser existirá para mim, nem que exista apenas para me olhar morrer! Para existir consciência, é preciso o mundo, a vida, onde não penso em existir! Existir não é consciência de nada! Tudo se diz amar sem o silenciar de um instante vazio! A vida sem escolha é o amor, preenchendo a falta de instantes vazios! A vida por uma escolha é o fim da vida, que distribui faltas, preenche a dor! A falta é o ser reagindo a ser, mas nenhuma reação acolhe o ser! A morte acolhe meu ser, mas é sem reação. A lembrança não reage ao que perdeu, a lembrança não se importa de não ser nada no ser. Para o ser, a lembrança não existe, é uma invenção da minha alma! Deixo minhas lembranças no esquecimento de outro alguém, onde o meu pertencer é eterno, por ser apenas meu! Mas as lembranças tornaram-se alma, numa disposição para viver ou morrer! A vida não são minhas escolhas, a vida é a minha presença. Não importam as escolhas, se elas não me fazem amar, ser feliz! Não existe amor sem alegria. Cada escolha minha é a certeza do amor, da vida, vivos em mim, onde nada é o nada, tudo é tudo! São escolhas da alma, que surgem como sendo o meu ser! Eu sou minhas escolhas, como se tudo tivesse vivido por escolher! Eu escolhi amar, ser feliz, como se existisse apenas esse instante em que sou feliz! |
Já fui longe demais para morrerAbstrair a morte, de qualquer coisa que eu sinta. Não preciso que meu sentir seja real para a morte; nem mesmo pra mim, o sentir precisa ser real. Não existe distância para a morte. A lembrança desaparece sem a morte. |
As duas faces do viverA vida deixou sua alma, para um recomeço de morte, onde a sua morte é eterna. A vida, em rostos desconhecidos, parece desenho que alguém desenhou, por não poder sonhar. Almas perdidas, sem identidade, parecem ser a identidade de alguém, que faz parte da alma, do nada, do vazio, assim faz parte do universo da vida, que é diferente do mundo. Não há vazio sem paz, nem há alma sem conflitos. O conflito da alma é a vida. Pela alma, a vida não existiria. Os rostos apagados da vida são a vida. Eu compreendo a vida pelo tempo que se foi, que não é anterior, nem é posterior à vida. Sem corpo, alma, não consigo amar, sendo amor. |
O envelhecimento da almaMinha alma está velha demais para morrer. Reaver o nada sem o nada é perder a vida. Reaver o nada como nada é amor! |
Belo é tudo que agrada desinteressadamenteSou a história da vida, mas a vida não é minha história. Como me vê, como a vida me vê? Sentir a firmeza da inexistência pela vida me emociona. É como um sol depois do outro. A alma não me encontra sem o sol. A consciência não está na consciência, está no meu agir. Belo, a alma, que age, pelo amor que sinto. Amor, a minha vida é a sua vida, mas continua sendo meu amor. O sol reinventa-se, em vidas infinitas. Sonhar não é belo, não é perfeito. Explicar o infinito é ficar devendo ao fim um começo. Espero que o infinito acabe, num fim pior que o fim. Vidas, tão desconhecidas quanto a luz do dia. |
EscuridãoApenas o cessar da escuridão ilumina a escuridão. Vida, sempre a terei como minha. A escuridão é tão irreal, que sinto paz de escuridão. Depois da escuridão, o silêncio é a única luz, único refúgio, mas é a luz do silêncio, ilumina as palavras, a fala, o adeus, o amor, torna a alma vazia, a plenitude é a verdadeira alma. O amor enfraquece a alma. A plenitude sem amor é mais plena que a plenitude com amor. O refúgio é apenas saudade. O amor imaginário vence o amor real. O fim não é a morte, é o ser. O corpo do ser é o fim do fim. A alma parece estar mais na poesia do que em mim. Apaziguar a falta de alma com a alma. A alma é meu único esquecimento. Vivi tudo na alma, para esquecê-la no que foi vivido. Eu não esperava que o que foi vivido, eu tivesse ainda hoje em mim, como sendo o hoje. Mas, o hoje jamais será o amanhã. A fala da escuridão é o destino se dando em palavras, que não consigo escutar pelo destino. Escuto pela escuridão, que tem o destino em suas mãos. Não percebe que estou viva, nem que seja pela escuridão? Na escuridão, perdi meu vazio, minha dor, o meu ser, vejo apenas escuridão. O amor, a falta de ser, é a mesma escuridão. A alma vive o não vivido, que foi vivido como luz, então cessou de ser. |