Blog da Liz de Sá Cavalcante

Flexibilidade em morrer

Tornar o amor irreal é o Sol pondo-se na minha ausência. Ver o amanhecer é mais do que amanhecer, é sorrir como a vida sorri. Sorrir nunca será triste. Sorrir é um passado que está presente. Esquecer o Sol é esquecer a vida e a morte. A consciência é um lugar onde não estou. Uma vida acaba com as outras. O irreal é real na morte. O princípio do fim é o meu ser. Não há ser para o fim. Meu fim é escrever na infinitude de mim.

A alma real

A alma real é sem o ser. A alma melhora na dor. É indescritível o sofrer. O amanhã vai ser de alma até anoitecer de dor.

Fim do fim

O fim do fim é ficar só. Só em mim, não nos outros. Infeliz é aquele que não tem fim e o que tem fim. Apego-me ao fim. O fim não é fim de si mesmo, é o fim do fim. O fim do fim é o mar a secar e o Sol a desaparecer.

Consciência é morrer

A impossibilidade do amor é o amor. O céu tem muito a aprender com o amor de Deus. Como posso ao mesmo tempo viver e morrer? O que é o princípio do fim? É a falta de alma? Sai de mim para morrer.

Desencanto sem luz

O desencanto deveria ser a luz que vejo. Ver é depois do Sol. O Sol esfria-me. Tudo nasce com o Sol. A luz pega emprestada minha alma para morrer de luz.

A procura de um adeus sendo alma

A consciência é existência. O ruim da existência é o existir, sem a procura do adeus sendo alma. Apenas a alma existe e isto torna o ser reconhecível. A aparência do nada é a alma sem o céu, sem as estrelas. O adeus da alma é encantamento que desencanta a morte.

Sonho invisível

A eternidade é inferior à vida, ao sonho, ao ser. Traduzir a alma é negar quem sou. O céu, fim da alma, fim da ignorância humana. A aflição é a perda da alma. O Sol desperta a morte, ganha vida no seu amanhecer solitário. Solidão é vida na morte.

Representando-me

Abrir meus olhos para me encerrar. Respirar alcança o céu, não a vida. Vida é ontem do sentir na alma de amanhã. Não sou um ser, por isso tenho existência.

Minha vida é diferente de todas

Minha vida é poesia, amanhece apenas em mim. A vida é apenas a sensibilidade de ser. A morte é reconhecer perdas, faltas, mesmo que elas não existam.

O despertar do despertar

Não tenho alma para dormir, para ser. Ser é o peso da alma. Recomeçar pela pele da alma é eternidade. Nada se sonha em pele, por isso o sonho não é eterno. Como se aprende a ter alma? Não adianta ir além de mim se vou morrer.