Dentro do meu corpo, a morte cravada no renascer do dia. A força do corpo é a morte. A adeus que não dei a mim quero dar para mamar na morte, sendo adulta. Tudo fica deserto quando estou por perto.
Força |
ForçaDentro do meu corpo, a morte cravada no renascer do dia. A força do corpo é a morte. A adeus que não dei a mim quero dar para mamar na morte, sendo adulta. Tudo fica deserto quando estou por perto. |
AntesO corpo que vive não é o corpo que morre. O corpo que morre é o céu sem alma. O céu não tem alma, é antes da vida do ser. Não há ninguém em mim, apenas morte. E apenas fica o amor que sinto no raiar de mim. Entremear o viver e a morte em separar o meu ser de mim. Mas seu eu entremear meu ser comigo, nós nos misturaríamos, mas não existiria vida e morte, tudo seria em vão. |
O que falta na saudadeFalta brio na saudade como falta água no vento, cemitério de almas vivas. Vivas de poesia como pássaro sem asas. Declamar o céu no compartilhar meu silêncio com o que não existe em mim: falta de amor, luz que brilha sem paz. |
CoragemA morte é o pulmão da vida. Coragem é ser só dentro de uma estrela. O zelo da estrela por mim apaga sua luz, destrava a alma. O zelo tem alma, é a altura do céu. O céu é definitivo na minha ausência. |
MudançasSerá que nada vem do amor? A morte, o tempo que passou e eu não vivi com ele. É insustentável ser o ser do tempo. Não mudei. O tempo muda. |
FéAcredito na vida, no que posso ser sem passar por mim. |
Meu serApenas o derradeiro fim não me esconde no meu ser. O não aceitar morrer nega o viver, cega-o, faz ver coisas que ninguém sente: isto é sensibilidade. |
Chão do amorA segurança acaba em não sentir minhas mãos mais do que escrever. É preciso amor e nesse amor vem a vida em palavras. O morrer é uma incógnita. Por isso, eu acredito na morte. Sou menos escassa e frequente quando sou luz a rarear o chão. |
VoltarTalvez meu espírito me envolva sem a minha solidão secando as dores pelo medo de ser feliz. Eu me apoio nas cinzas ocupadas em não morrer. É o caos da alegria. Eu diante de mim. O que é resistir senão não ficar ficando. Sonhos se mexem na alma sem movimento. O depois é resto do hoje? Obcecar a alma num abscesso. Reviver o olhar no meu fim. Transmitir a morte como apenas saudade. Vazio que me faz ser onde não estou. Estar é a normalidade sendo monotonia. Não existo, sou meu lar. O que toma meu corpo como amor é a pele vazando nos sonhos do adeus. Deixar o amor ser inspiração. Escrever é alguém para mim. Não há uma direção a seguir, mas há o momento de voltar a mim. |
Sobre vidaCubra-me de morte, é inocente. O amor revira-me o corpo da mente. Destrói o corpo de mim na minha alma. |