Cristalizar a morte. Posso morrer dentro de mim, mas há algo dentro de mim. Anular o inesquecível, morrer num afeto poético. Poesia nunca respira, mas vive, ama, respira Deus. Entrego Deus a Deus: obra do amor. Partir a vida é penetrar em Deus. Fico em respirar por respirar. A música do vento é a melhor melodia. Escuto a gota do meu respirar. Declamo vida. Sou a origem da dor. Me imagino ser sem ser na saudade de Deus, nos meus ouvidos retorcendo a alma cegamente pela falta de Deus. Fala mais comigo, Deus. Seja por mim, falando infinitamente no amor. Nada prometo. Sei seu amor até o avesso. O sonho é a distância onde abismos são flores, amor. A única luz pertence ao abandono. Me esqueço para conduzir a luz. É insuportável viver no amor. Amar é isolar o íntimo. Nem eu mesma entrei dentro de mim. Mesmo sendo apenas vazio, escapam céus nas luzes. É a falta de monotonia. A monotonia é a rigidez do corpo, da alma, de sorrir. Quero que seja impressionante meu encontro com Deus. Deus me despedaça. Me fechei para a alma, para minha tristeza até Deus me escutar.
