Cadê a alma? A exclusão é alma a fazer efeito. Se há apenas morte, eu aproveito a morte com a perda da alma. A delicadeza é o fim da alma. Sofrer sem se dar é angústia da vida. Pela angústia da vida, me dou minha própria dor. Cadê a alma quando sofro? Está na eternidade. Eu não sou eterna. Me dou a morte para não suavizar os meus fragmentos vitais, como uma banal recordação. Inteireza é morrer. Os escombros vazios de tanto morrer, cada vez mais flores esmagadas pelo tempo que teima existir como a descrença de onde nasce o amor, a fé, incerteza de uma proximidade na relação com Deus. Amo Deus em mim, dividindo o sempre no que fui um dia: uma criança acabando de nascer.
