Blog da Liz de Sá Cavalcante

Um sonho de cada vez

A pele existe por mim na morte além do horizonte. Sonha com meus dedos entre pele e nada. Resta o amanhecer num sorrir desesperado. O que for doença deixa ser. Estou feliz num mundo apenas meu. Deixa o exterior para os outros. Os olhos não fazem ideia do céu. Nem a minha alma faz ideia do céu. Viver é proibido, como se o céu retornasse sem partir. Ainda é o sol que vive do mar. Danço no mar sem corpo. Mar e alma cantando com Deus. Alma é um torpor. Respirar é privilégio da fala. Falar é abrir-me da vida para o céu da poesia. Palavra por palavra, resta apenas solidão. A hora de falar, ficar perto é agora. Nada restará de mim como chama acesa. Algo me dei: o afastamento de mim. Sentir nuvens em mim. Tudo bem na alma, pois morri.