A vida se entrega em minhas mãos como se fossem minhas mãos a vida e eu, a vida das minhas mãos. Sorrio derrotada como se pudesse amar. Eu converso comigo. Eu me compreendo no azul do céu. Eu sou o azul do céu chamando Deus. Deus é a eternidade de um abraço. Eu já enfrentei infernos de vida, de morte, até amar o céu. Sou crucificada na minha dor. Me expõem na minha dor. Me ignoram. Ninguém posso amar, ver, não tenho esse direito. Estou morta para a vida, tenho apenas a mim e meu sofrer. Nem vida tenho. Converso comigo, sou a minha única companhia. Os outros podem me complicar, me deixar só, não me deixar amar, mas não podem me tirar de mim. Até o vento me derruba, não sei relaxar. Nem o amor me relaxa. Não sei para onde olhar. Sinto o vazio como vida. Eu quero apenas falar, nem que seja para dizer: Eu!
