Blog da Liz de Sá Cavalcante

Servindo-me da vida

O fim do ser é alegria. Morri para ser feliz. Alegria é vida. A vida anoitece numa criança. O nascer faz a noite dormir e pelo horizonte se vive a alma. Com ou sem alma, nada justifica o amor. O amor não se entrega, mas é amado pelo que é: quero também ser o que não sou. Ser é escapar sem fuga. Fugir e ficar é o mesmo na mesma alma, mas o futuro é diferente para cada alma. A falta é o mar borbulhar, é a saudade sair para ficar. As mãos presas na inocência, sem vida, sem mar, reescrevem a vida em cada amor que morreu na falta que faz. O outro sem morrer para temer o corpo é preciso alma. O corpo se suga, pensa amar a alma, não pensa em nada. O corpo se ama. Acredita ser alma delirante. Vive almas inexistentes até se tornar real. Mais real do que a alma que existe. A alma é mais que alma, é o único tempo sem eternidade, mas sente mais que a minha saudade. Fez da minha saudade a vida que nunca tive. Não caminho junto. Essa desconexão é a saudade em forma de admiração. Deus, nasço onde Tu nasces, apenas isso me faz feliz.