Insônia, me abrace, me faça existir: mulher ou criança. Nem existir importa, o que me importa é seus braços. Não me importa, é sem insônia, é a falta de um buraco para me enterrar. Penso despedaçada, sem ausência, morte de ninguém. Sinto que é morte de alguém. Esse alguém que não existe me faz companhia. A monotonia é insônia onde a fonte da vida desliza na pele, como o amor, na mágoa da pele, num silêncio sem saudade, sem me ouvir, apenas me vê pensar como se eu fosse um anjo. O teu anjo insônia. Silêncio não é civilidade, é perda. Me deixa em paz, sono, que a minha paz não necessita de ti. O tempo de dormir é vazio. Sonhar é poder respirar em alguém confiante na vida. Sentir, amar é falta de ser. Nada tem mais valor que o nada sem viver. Repouso é mais que dormir. Represento a morte num silêncio de ficar. O silêncio, imaginação viva, dentro da pele. Pele não está pedindo nada de mim, apenas surge do nada. Fui pouco pele, queria ter sido mais. Quer ser tudo para a pele, nada para mim. E, assim, a insônia contorna a pele, me faz dormir.
